
Uma observação do cotidiano foi o ponto de partida para uma pesquisa que hoje se destaca como exemplo de inovação apoiada pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Amapá (FAPEAP). Coordenado pela pesquisadora Dra. Darley Calderaro Leal Matos, do Instituto Federal do Amapá (IFAP) – Campus Laranjal do Jari, o projeto resultou no desenvolvimento do BioFire Tech, um bioinseticida à base de extrato natural de pimenta voltado ao combate das formigas-de-fogo.
A iniciativa foi contemplada pela Chamada Pública nº 003/2024 do Programa Doutor Empreendedor, que incentiva a transformação de pesquisas científicas em soluções inovadoras com potencial de aplicação prática, empreendedorismo e impacto social.
A pesquisa começou a partir das trocas entre a professora Dra.Darley Calderaro Leal Matos e Railane Basílio, que à época cursava pós-graduação em Agroextrativismo e Desenvolvimento Regional no IFAP, em Laranjal do Jari, e atualmente integra a equipe de pesquisadores e colaboradores do projeto. Interessada em desenvolver um estudo na área da biotecnologia, ela procurou a professora Darley em busca de uma temática de pesquisa.
Durante as conversas, Railane compartilhou uma prática que observava em casa: sua mãe utilizava extratos de pimenta em formigueiros para combater formigas. A observação despertou o interesse da equipe, que decidiu investigar cientificamente o potencial dessa alternativa.
“Na época, a Railane me procurou porque queria desenvolver um estudo voltado à biotecnologia. Quando perguntei se ela já tinha alguma ideia, ela contou que observava a mãe utilizando extratos de pimenta em formigueiros. A partir dessa prática caseira decidimos investigar cientificamente se aquilo realmente funcionava. O que começou como uma observação do cotidiano acabou se transformando em uma pesquisa científica rigorosa”, relata a pesquisadora.
Ciência aplicada a um problema real
As formigas-de-fogo são consideradas pragas urbanas e agrícolas agressivas. Além dos prejuízos causados à agricultura, podem danificar estruturas e representar riscos à saúde devido às picadas dolorosas.
Segundo Darley, atualmente o combate desses insetos é realizado principalmente por meio de inseticidas químicos artificiais, que podem apresentar impactos ambientais e riscos para quem os utiliza.
“O BioFire Tech oferece uma alternativa ecológica e segura para o combate às formigas-de-fogo. Por ser feito à base de extrato natural de pimenta, ele elimina as formigas de forma rápida, não deixa resíduos químicos persistentes na natureza e protege a saúde dos trabalhadores que manuseiam esses produtos. Além disso, utilizamos uma matéria-prima relativamente barata, acessível e cultivada na região”, destaca.
Resultados alcançados
Os resultados obtidos pela pesquisa demonstraram o potencial da tecnologia desenvolvida. De acordo com a coordenadora do projeto, os testes realizados comprovaram a eficácia do produto no combate às formigas-de-fogo.
“O extrato utilizado alcançou 100% de eficácia, eliminando 100% das formigas em menos de três horas de uso e apresentando também o melhor custo-benefício nos testes realizados”, explica.
Outro resultado relevante foi a estabilidade do produto. Segundo a pesquisadora, os testes demonstraram que o bioinseticida manteve entre 95% e 100% de sua capacidade de combate mesmo após 30 dias de armazenamento, reforçando seu potencial para futuras etapas de desenvolvimento.
Além da eficácia comprovada, a pesquisa resultou no desenvolvimento do protótipo BioFire Tech, na elaboração de um manuscrito científico para publicação e no início do processo de proteção da tecnologia.

Fomento da FAPEAP impulsionou inovação e empreendedorismo
Para Darley Calderaro Leal Matos, o apoio da FAPEAP por meio do Programa Doutor Empreendedor foi fundamental para transformar os resultados da pesquisa em uma iniciativa com potencial de aplicação prática.
“O fomento da FAPEAP foi o combustível necessário para transformar a pesquisa de laboratório em um negócio real e inovador. Por meio do apoio financeiro e institucional do programa, conseguimos ir além dos testes biológicos. O suporte permitiu o desenvolvimento físico do protótipo do bioinseticida e viabilizou a abertura do processo de patenteamento junto ao Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI), garantindo a proteção da fórmula”, afirma.
Segundo a pesquisadora, o programa também contribuiu para fortalecer a visão empreendedora da equipe e ampliar as perspectivas de transferência da tecnologia para a sociedade.
Programa Doutor Empreendedor fortalece a inovação no Amapá
Executado pela FAPEAP, o Programa Doutor Empreendedor tem como objetivo apoiar pesquisadores doutores na transformação do conhecimento científico em produtos, processos e serviços inovadores, fortalecendo o ecossistema de ciência, tecnologia e inovação do estado.
A iniciativa integra as ações do Governo do Estado do Amapá, sob a gestão do governador Clécio Luís, voltadas ao fortalecimento da pesquisa científica, da inovação e do desenvolvimento sustentável.
Para o diretor-presidente da FAPEAP, Gutemberg Silva, projetos como o BioFire Tech demonstram o papel estratégico da ciência na construção de soluções para desafios da sociedade.
“Investir em pesquisa aplicada é investir diretamente na melhoria da qualidade de vida da população. O Programa Doutor Empreendedor foi criado justamente para estimular que o conhecimento produzido nas instituições de ensino e pesquisa se transforme em inovação, gere oportunidades e contribua para o desenvolvimento sustentável do Amapá”, destaca.
Segundo o gestor, iniciativas apoiadas pela Fundação mostram como o investimento público em ciência pode gerar resultados concretos para a população.
“Quando uma pesquisa consegue transformar uma observação do cotidiano em uma tecnologia com potencial de aplicação prática, estamos vendo a ciência cumprir seu papel social. Esse é exatamente o objetivo do Programa Doutor Empreendedor: aproximar o conhecimento científico das necessidades da sociedade e estimular soluções inovadoras desenvolvidas no próprio Amapá”, ressalta.
Ao transformar uma prática observada no dia a dia em uma solução tecnológica inovadora, a pesquisa coordenada por Darley Calderaro Leal Matos evidencia como o apoio à ciência pode gerar conhecimento, inovação e novas possibilidades de desenvolvimento para o estado.
Fonte: FAPEAP (Por: Andressa Vaz/Ascom Fapeap)
