| Em 16/06/2026

Nanotecnologia com óleo de pequi avança no tratamento de feridas e inflamações

Pesquisa da UnB apoiada pela FAPDF desenvolve formulações inovadoras que utilizam nanotecnologia para potencializar efeitos terapêuticos do pequi do Cerrado (Imagem: banco de imagens/Freepik)

Os tratamentos para feridas de difícil cicatrização — como as associadas ao diabetes — podem ganhar um novo aliado vindo diretamente do Cerrado brasileiro. Uma pesquisa fomentada pela Fundação de Apoio à Pesquisa do Distrito Federal (FAPDF), por meio do edital FAPDF Learning (2023), está desenvolvendo formulações inovadoras à base de óleo de pequi com potencial para contribuir com a cicatrização e a redução de processos inflamatórios.

Desenvolvido na Universidade de Brasília (UnB), o estudo é liderado por Graziella Anselmo Joanitti, coordenadora do projeto na instituição, e aposta na combinação entre fitoterapia e nanotecnologia para desenvolver soluções mais eficazes e acessíveis, com potencial para futura aplicação na prática clínica.

Graziella Anselmo Joanitti, coordenadora do projeto. (Foto: acervo pessoal/Graziella Joanitti)

O que está sendo desenvolvido

O projeto tem como foco a criação de formulações nanofitoterápicas — medicamentos derivados de plantas que utilizam estruturas em escala nanométrica para melhorar sua atuação no organismo. A proposta envolve o desenvolvimento de produtos em duas formas principais: uma versão em gel, voltada à aplicação tópica, e outra em suspensão, ampliando as possibilidades de uso terapêutico.

“Estamos desenvolvendo formulações que combinam o potencial terapêutico do óleo de pequi com tecnologias capazes de melhorar sua absorção e eficácia, pensando em aplicações futuras na área da saúde”, explica Graziella Anselmo Joanitti.

Por que o pequi?

O uso do óleo de pequi como base dessas formulações está diretamente ligado à sua composição rica em substâncias bioativas. Tradicionalmente utilizado por comunidades brasileiras, o composto reúne ácidos graxosvitaminas e antioxidantes associados a efeitos anti-inflamatórios e cicatrizantes.

“O pequi já é conhecido por suas propriedades medicinais. O que buscamos é potencializar esses efeitos, ampliando suas possibilidades de uso terapêutico”, destaca a coordenadora.

Imagens da nanoformulação de pequi mostrando que o óleo está bem disperso em água. (Foto: acervo do projeto).

O diferencial da nanotecnologia

A inovação do estudo está na aplicação da nanotecnologia para potencializar as propriedades naturais do óleo. Ao transformar o composto em partículas em escala nanométrica, os pesquisadores conseguem potencialmente melhorar sua absorção pelo organismo, aumentar sua eficácia e prolongar seu tempo de ação.

Esse processo também contribui para maior estabilidade das formulações e melhor interação com células e tecidos, o que pode ampliar seu potencial terapêutico.

“A nanotecnologia permite que o ativo atue de forma mais eficiente, favorecendo sua interação com as células e potencializando os efeitos observados em laboratório”, completa Graziella.

A base tecnológica do projeto está ancorada em pesquisas anteriores conduzidas na Universidade de Brasília (UnB), nas quais o grupo desenvolveu nanoemulsões à base de óleo de pequi. Como resultado desse avanço, foi concedida, em 2022, carta patente pelo Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI), contemplando aplicações biomédicas, nutracêuticas e cosméticas dessas nanoformulações.

Esse reconhecimento reforça o caráter inovador da tecnologia e amplia suas possibilidades de transferência e aplicação em diferentes áreas.

Um avanço para feridas de difícil cicatrização


Um dos principais focos da pesquisa é o tratamento de feridas de difícil cicatrização, como as úlceras de pé diabético. Essas lesões representam um desafio significativo para a saúde pública, já que estão associadas a complicações graves, como infecções e, em casos mais severos, amputações.

Diante do crescimento do número de pessoas com diabetes no Brasil, a busca por alternativas mais eficazes e acessíveis se torna cada vez mais necessária.

Do laboratório à aplicação

Além dos estudos laboratoriais, o projeto contempla etapas de validação em modelos experimentais e o desenvolvimento de um produto mínimo viável (MVP), com foco na futura aplicação prática da tecnologia. 

Atualmente, a solução encontra-se em nível de maturidade tecnológica TRL 4, caracterizado pela validação em ambiente de laboratório, com perspectiva de avanço para fases mais próximas da implementação.

“Nosso objetivo é avançar no desenvolvimento da tecnologia até que ela possa, no futuro, chegar à população e contribuir para melhorar a qualidade de vida dos pacientes”, afirma a pesquisadora.

Outro aspecto relevante da iniciativa é seu impacto para além da área da saúde. Ao utilizar um recurso natural abundante no Cerrado, a pesquisa contribui para a valorização da biodiversidade brasileira, fortalece a bioeconomia e incentiva práticas sustentáveis de produção.

Fonte: FAPDF (Por: Gabriela Pereira/Ascom Fapdf)

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