| Em 15/04/2026

Pesquisadores desenvolvem cultivares de abacaxis com foco em resistência às doenças, melhor manejo e produtividade em MT

Cultivares de abacaxi: à esquerda, a Esmeralda; à direita, o Rubi – Foto por: Arquivo/Pesquisador

O desenvolvimento de novas cultivares de abacaxi adaptadas às condições de cultivo em Mato Grosso é resultado de mais de uma década de pesquisa conduzida pela Universidade do Estado de Mato Grosso (Unemat), campus de Tangará da Serra, com fomento do Estado, através da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Mato Grosso (Fapemat). O trabalho resultou no lançamento das cultivares Unemat Esmeralda e Unemat Rubi, com foco em resistência a doenças, características agronômicas e viabilidade produtiva.

A iniciativa integra ações do Centro de Pesquisa, Estudos e Desenvolvimento Agroambientais (CPEDA) e do programa de extensão MT Horticultura, voltado à difusão de tecnologias para produtores rurais.

A cultura do abacaxi tem relevância econômica no Brasil, com destaque para o consumo in natura e potencial de exportação, chegando a ser o 4º maior produtor mundial. No entanto, atualmente, o principal problema fitossanitário da cultura no Brasil é a fusariose do abacaxizeiro (causada pelo fungo Fusarium guttiforme), que afeta sobretudo cultivares tradicionais como Pérola e Jupi, bastante suscetíveis à doença. Essa enfermidade pode comprometer diferentes fases da planta e causar perdas significativas.

Plantio recomendado é ficar entre 30.000 a 40.000 plantas por hectare. – Créditos – Arquivo/pesquisador

Diante desse cenário, o melhoramento genético surge como estratégia para reduzir perdas e custos com controle químico, além de melhorar características de manejo. Pesquisadores da Universidade do Estado de Mato Grosso (Unemat), implantaram a partir de 2012 um Banco Ativo de Germoplasma (BAG), reunindo diferentes acessos de abacaxi para avaliação.

A partir dessa base, foram conduzidas etapas de avaliação da resistência genética ao Fusarium guttiforme, de caracterização agronômica e análise da diversidade genética, de cruzamentos controlados e formação de populações, bem como de seleção de clones por métodos estatísticos (REML/BLUP) e de testes de resistência à fusariose em campo; por último, realizou-se a seleção final de materiais promissores.

Esse processo culminou, em 2024, no lançamento comercial das cultivares Esmeralda e Rubi. As cultivares avaliadas apresentam características agronômicas e de qualidade de fruto bem definidas, com destaque para a Unemat Rubi, que possui formato cilíndrico, polpa amarela, massa média de 1,6 kg e teor de sólidos solúveis de 13 °Brix, enquanto a outra cultivar atinge massa média de 2,1 kg e 13,9 °Brix, indicando maior doçura potencial.  Ambas apresentam acidez titulável de 0,6% e relação açúcar/acidez superior a 20, evidenciando bom equilíbrio entre doçura e acidez, característica desejável para consumo in natura.

Quanto ao manejo, recomenda-se a utilização de mudas tipo filhote, previamente classificadas por tamanho e submetidas à cura ao sol por cerca de sete dias, o plantio deve ser realizado em sulcos ou covas, com organização das mudas para garantir uniformidade, adotando-se densidade entre 30 mil e 40 mil plantas por hectare. A adubação deve ser baseada em análise de solo, com aplicações mensais de cobertura do primeiro ao nono mês, associada ao controle de plantas daninhas por capina manual e uso de herbicidas, especialmente nos estágios iniciais, além de irrigação com necessidade entre 60 e 150 mm por mês.

De acordo com o coordenador da pesquisa, professor doutor Willian Krause, as duas cultivares apresentam porte ereto e desenvolvimento vegetativo acima de um metro de altura. “A Unemat Esmeralda possui altura média de 102 cm, enquanto a Rubi alcança cerca de 114,5 cm. Outro aspecto observado é o número reduzido de folhas e a produção média de mudas do tipo filhote, o que influencia diretamente na propagação e no manejo da cultura.”

O coordenador da pesquisa, professor doutor Willian Krause – Créditos – Arquivo/pesquisador

Uma das características relevantes das novas cultivares é a ausência de espinhos nas folhas. Essa condição facilita operações como tratos culturais, colheita e manejo geral da lavoura, reduzindo riscos de acidentes e aumentando a eficiência operacional. As diferenças entre as cultivares concentram-se principalmente na coloração das folhas, a esmeralda de folhas verdes e a Rubi com folhas com tonalidade arroxeada.

Fusariose

A fusariose é considerada a principal doença da cultura do abacaxizeiro, podendo causar perdas de até 80% da produção. Os sintomas incluem redução do crescimento, presença de exsudato e apodrecimento dos tecidos. Nos frutos do abacaxi, o exsudato é um líquido que sai das partes lesionadas ou infectadas, deixando a polpa úmida e pegajosa, quando há infecção, isso evolui para apodrecimento, com amolecimento, escurecimento e mau cheiro do fruto.

As cultivares Unemat Esmeralda e Rubi apresentam resistência a essa doença, o que reduz a necessidade de intervenções químicas e contribui para maior estabilidade produtiva.

“O desenvolvimento das cultivares Esmeralda e Rubi representa uma alternativa tecnológica para os produtores ao reunir resistência genética a doenças, melhoria no manejo, maior padronização da produção e redução de custos com insumos. Além disso, evidencia a importância da pesquisa pública na geração e difusão de tecnologias para o fortalecimento da agricultura em Mato Grosso”, ressaltou o coordenador do projeto.

Fonte: FAPEMAT (Por: Widson Owando/Ascom Fapemat)

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