
Uma pesquisa desenvolvida na Universidade de Brasília (UnB) está avançando no uso da nanotecnologia para tornar o tratamento do melanoma — um dos tipos mais agressivos de câncer de pele — mais eficaz e menos invasivo. A iniciativa propõe a aplicação do medicamento diretamente na pele, utilizando estruturas microscópicas capazes de atravessar as barreiras naturais do corpo e agir diretamente no local do tumor.
Com apoio da Fundação de Apoio à Pesquisa do Distrito Federal (FAPDF), por meio do edital Demanda Induzida (2021) e coordenado pelo professor Guilherme Martins Gelfuso, o estudo busca superar limitações dos tratamentos tradicionais, como a quimioterapia convencional, que atua em todo o organismo e pode causar efeitos colaterais severos.
“A principal motivação foi superar as limitações dos tratamentos atuais para o melanoma, como a quimioterapia sistêmica, que pode causar reações adversas graves e resistência tumoral”, explica o pesquisador .

O fármaco, ou seja, a substância ativa utilizada na pesquisa é o ibrutinib, que apresenta potencial terapêutico, mas possui limitações quando administrado por via oral, como baixa absorção e maior risco de toxicidade. A proposta do estudo é justamente contornar esses desafios por meio de uma nova forma de administração.
Os resultados da pesquisa vêm sendo publicados em periódicos científicos internacionais de relevância, como Colloids and Surfaces B: Biointerfaces, Pharmaceutics e International Journal of Pharmaceutics, demonstrando a consistência e a maturidade da pesquisa
Como a nanotecnologia potencializa o tratamento
Para viabilizar essa estratégia, os pesquisadores desenvolveram uma tecnologia baseada em nanopartículas, estruturas extremamente pequenas que funcionam como veículos para transportar o medicamento.
Essas partículas — chamadas de Carreadores Lipídicos Nanoestruturados (CLN) — permitem que o fármaco atravesse a barreira da pele, alcance regiões mais profundas e seja liberado de forma controlada.
“A nanotecnologia permitiu contornar a principal barreira do corpo, possibilitando que o fármaco penetre nas camadas mais profundas da pele em concentrações adequadas”, destaca o professor .
Validação científica e estágio da tecnologia
Antes de chegar aos pacientes, a tecnologia passa por uma série de testes em laboratório para garantir sua eficácia e segurança.
Os estudos utilizaram modelos que simulam a pele humana e culturas celulares de melanoma, permitindo avaliar tanto a penetração do medicamento quanto sua ação sobre o tumor. Essa etapa é conhecida como prova de conceito, fundamental para validar a viabilidade da solução.
Atualmente, a pesquisa se encontra entre os níveis TRL 5 e 6 (Nível de Maturidade Tecnológica), indicando que a tecnologia já foi validada em ambiente relevante e está avançando para fases mais próximas da aplicação prática. Entenda o Nível de Maturidade Tecnológica da FAPDF clicando aqui.
Impacto e contribuição da FAPDF
Além do melanoma, a tecnologia pode ser aplicada em outros tipos de câncer de pele e até em produtos dermatológicos e cosméticos.
Os próximos passos incluem testes em modelos animais, otimização da formulação e aumento da escala de produção, etapas essenciais para que a tecnologia possa chegar à população.
O apoio da FAPDF foi decisivo para o desenvolvimento do projeto.
“O fomento permitiu a aquisição de equipamentos, manutenção da infraestrutura e concessão de bolsas de estudo, consolidando grupos de pesquisa de relevância internacional no Distrito Federal”, destaca o pesquisador.
Com os avanços alcançados até aqui, a pesquisa abre caminho para o desenvolvimento de novas abordagens terapêuticas mais eficazes e menos agressivas, aproximando a inovação científica de soluções concretas para o tratamento do câncer de pele.
Fonte: FAPDF (Por: Gabriela Pereira/Ascom Fapdf)
