| Em 27/12/2025

Projeto fortalece parceria entre ciência e comunidades na construção de um futuro sustentável para a Amazônia

A iniciativa integra universidades públicas e populações locais em ações voltadas ao desenvolvimento territorial e à valorização da diversidade amazônica (Foto: Divulgação)

Inovação e transição sustentável, essas são as bases que marcam um projeto de pesquisa que valoriza e articula os saberes científicos e tradicionais na promoção do desenvolvimento sustentável e da inclusão social, nos territórios amazônicos. Com atuação no Pará e no Maranhão, a iniciativa reúne instituições de ensino, pesquisadores e comunidades locais na valorização de saberes, culturas e práticas sustentáveis. Trata-se do projeto Inovação e Transição Sustentável, Cesta de Bens e Serviços em Territórios Amazônicos.

A execução do projeto conta com o apoio da Fundação Amazônia de Amparo a Estudos e Pesquisas (Fapespa), em conjunto com outras fundações estaduais de amparo a pesquisas do Brasil. E seu objetivo central é fomentar transições sustentáveis nos territórios amazônicos, com ênfase no Marajó (PA) e em Campos e Lagos (MA). Para isso, busca-se identificar e valorizar os territórios em suas dimensões ambientais, culturais, agroalimentares e turísticas, entendendo-os também como espaços políticos, cuja força reside na articulação entre patrimônio natural, práticas sociais e lutas coletivas.

O projeto reúne quatro universidades – a Universidade Federal do Pará (UFPA), a Universidade Estadual do Maranhão (Uema), a Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) e a Universidade Estadual de Maringá (UEM) – em uma rede nacional e internacional de cooperação. Ele envolve pesquisadores, estudantes, organizações locais e instituições públicas na construção coletiva de um arcabouço teórico-metodológico baseado na Cesta de Bens e Serviços Territoriais (CBST).

De acordo com a coordenadora da pesquisa no Pará, a professora do Instituto Amazônico de Agriculturas Familiares (Ineaf -UFPA), Dr.ª Monique Medeiros, as atividades incluem alinhamento teórico, desenvolvimento de instrumentos metodológicos, diagnósticos territoriais, visitas técnicas, formação de comunidades de prática, análise de dados e ampla divulgação científica. E segundo ela, o desenvolvimento ocorre em diálogo constante com sujeitos dos territórios, articulando dimensões ambientais, culturais, históricas, agroalimentares e turísticas.

“O apoio da Fapespa é essencial para garantir a execução do projeto. Esses recursos viabilizam bolsas de pesquisa, deslocamentos para trabalho de campo, realização de oficinas e seminários, além da produção e circulação de conhecimento científico. Sem esse financiamento não seria possível manter a presença constante da equipe nos territórios nem o intercâmbio entre instituições e comunidades”, explicou a pesquisadora.

No Pará, as ações de pesquisas concentram-se no arquipélago do Marajó, mais precisamente, junto a comunidades quilombolas de Salvaterra, município localizado no nordeste do arquipélago, popularmente conhecido como Ilha do Marajó. Embora seja frequentemente referido como “ilha”, o Marajó é um conjunto de ilhas que totalizam 49.606 km², abrangendo dezessete municípios, situado na foz do rio Amazonas.

Dados oficiais do IBGE de 2022 apontam que a cidade de Salvaterra tem, aproximadamente, 24 mil habitantes. O destaque são as belezas naturais e as dinâmicas ambientais singulares, marcadas pela alternância das águas salgadas, sob influência do Oceano Atlântico entre junho e novembro, e doces, no período de dezembro a maio. Ao mesmo tempo, revela um rico tecido sociocultural, fruto das interações históricas entre populações africanas, indígenas e ribeirinhas.

(Foto: Divulgação)

No município de Salvaterra, 18 comunidades são autorreconhecidas como quilombolas, totalizando 30,8% da população local. O foco desse projeto, concentra-se nas comunidades autorreconhecidas Mangueiras e Campinas/Vila União, que exercem papel ativo sociopolítico no município. Estas áreas enfrentam conflitos fundiários históricos, marcados pela ausência de titulação definitiva de seus territórios.

“Constituídos historicamente como espaços de resistência e afirmação territorial, os quilombos seguem atravessados por processos de expropriação e apropriação que, embora assumam novos contornos no presente, expressam a continuidade de lógicas coloniais. Assim, buscamos fortalecer os quilombos e valorizar seus saberes e práticas culturais, reconhecendo a centralidade de suas lutas territoriais como condição para a efetivação da justiça social, ambiental e epistêmica na Amazônia”, diz ela.

Cesta de Bens e Serviços Territoriais (CBST) – É uma metodologia que visa o desenvolvimento territorial valorizando a produção local, como produtos típicos, culturais e ambientais, para criar renda e melhorar a qualidade de vida em uma região, com o intuito de promover o desenvolvimento sustentável por meio de diferentes atores sociais. A abordagem CBST oferece por meio deste projeto, uma lente analítica e um instrumental metodológico pertinente, pois permite compreender a complexidade desses territórios, valorizando suas múltiplas dimensões e apoiando a defesa de sua integridade.

A importância dessa proposta baseada na CBST envolve três dimensões principais: acadêmica e científica, que contribui para a inovação metodológica e para a formação de estudantes (mestrado, doutorado, iniciação científica) em diferentes regiões do país. A dimensão territorial, que vem a fortalecer iniciativas locais de agriculturas familiares, turismo comunitário e preservação ambiental, valorizando identidades e patrimônios culturais. E a social e política, que objetiva gerar espaços de diálogo entre universidades, coletivos comunitários e gestores públicos, promovendo soluções participativas para os desafios amazônicos.

Resultados – Até 2025, já foram alcançados importantes resultados, destacando a adaptação de instrumentos de pesquisa sobre CBST para a realidade amazônica; a realização de visitas técnicas nos estados do Maranhão, Pará e Santa Catarina; a realização de Seminários, oficinas e diálogos de formação com ampla participação de estudantes e das comunidades da região. No decorrer das pesquisas, foram realizadas três edições da Escola de Verão e das Águas, com mais de 14.000 visualizações de vídeo-aulas e 436 participantes certificados.

Houve, ainda, a popularização da pesquisa em territórios quilombolas e ribeirinhos, incluindo apoio aos Jogos Quilombolas de Salvaterra e intercâmbio entre coletivos locais. Além disso, como resultados promissores, há uma extensa Produção Científica em andamento de dissertações, teses, artigos e livro.

Já as expectativas para 2026 destaca-se a consolidação de uma rota turística quilombola envolvendo as comunidades estudadas em Salvaterra, no Pará; a ampliação da cooperação internacional com instituições francesas; a Intensificação da pesquisa de campo, com novas etapas já previstas para outubro de 2025 no Pará e a publicação de artigos científicos e lançamento do livro resultante do projeto, informa Dr.ª Monique.

Marcel Botelho, diretor-presidente da Fapespa, ressalta que “apesar de toda a importância e relevância que tem sido dada à bioeconomia, ainda se conhece muito pouco a respeito dessa matriz produtiva. Projetos como esse, fomentados pelo Governo do Estado do Pará, através da Fapespa, em parcerias com outros Estados, são fundamentais para traçar rumos metodológicos, informações científicas de qualidade para orientar as tomadas de decisão e garantir o protagonismo das populações tradicionais no desenvolvimento dessa matriz produtiva, que aqui no Pará nós estamos avançados e já estamos pensando em ir mais além com o Vale Amazônico.”

Fonte: FAPESPA (*Texto Jeisa Nascimento, estagiária, sob a supervisão da Jornalista Manuela Oliveira – Ascom/Fapespa)

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