
A empresária e investidora-anjo Camila Farani participou, na quarta-feira (1/10), da programação do 69º Fórum do Conselho Nacional das Fundações Estaduais de Amparo à Pesquisa (CONFAP), realizado na sede da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Minas Gerais (FAPEMIG), em Belo Horizonte (MG). Ao lado do presidente do CONFAP, Márcio de Araújo Pereira, Farani compartilhou com o público sua trajetória e reflexões sobre o papel do empreendedorismo e da mentalidade empreendedora na transformação econômica e social do país.
Durante o bate-papo, mediado pelo presidente do CONFAP, Camila Farani destacou momentos marcantes de sua carreira e abordou a importância do investimento em startups e na formação empreendedora. “Eu sou do Rio de Janeiro, mas minha família é de Manhuaçu, em Minas. Venho de uma classe média do Rio, perdi meu pai muito cedo, e minha mãe decidiu abrir uma loja de café junto com uma charutaria no centro da cidade. Comecei a trabalhar com ela aos 16 anos”, relembrou.
Farani contou que, ainda jovem, identificou oportunidades para melhorar o desempenho do negócio familiar e conseguiu aumentar em 28% as vendas na época, o que despertou sua paixão pelo universo dos negócios. “Desde então, me apaixonei por ter negócios, e por entender a capacidade de execução que vai muito além do complemento da educação. Sou defensora do Lifelong Learning, ou seja, de continuar me capacitando ao longo de toda a vida.”
A investidora também relatou como sua trajetória evoluiu até se tornar uma das mulheres mais influentes do ecossistema de empreendedorismo no Brasil e na América Latina. “No meio desse caminho, abri a segunda, a terceira, a quarta e a quinta operação, e me tornei sócia e diretora-executiva da Rede Mundo Verde. Foi então que o meu mundo se abriu, eu tinha entre 27 e 28 anos. Pouco tempo depois, fui convidada a integrar o Gávea Angels, um dos primeiros grupos de investimento-anjo em tecnologia do Brasil, há cerca de 15 anos”, contou.
Farani destacou o papel das Fundações Estaduais de Amparo à Pesquisa (FAPs) no apoio à inovação nas últimas décadas e lembrou o início dos investimentos em startups no Brasil. “Ninguém acreditava que isso fosse dar certo. Eventos como este, espaços de fala como este, eram raríssimos. Mas as FAPs já existiam. Foi então que entrei para o Gávea Angels e comecei a fazer pequenos aportes em startups. Naquela época, o mercado ainda era extremamente [imaturo], tínhamos cerca de mil investidores de tecnologia no Brasil, contra 120 mil no mercado norte-americano”, ressaltou.
Ao longo de sua trajetória, Farani fundou a G2 Capital, boutique de investimentos com sede em Belo Horizonte, e investiu em cerca de 52 startups, que hoje geram mais de 15 mil empregos. Atualmente, também é CEO da Farani Escola de Negócios, uma iniciativa voltada à formação de empreendedores e executivos no Brasil.
Com o sucesso nos negócios, veio naturalmente a exposição e o reconhecimento na mídia. A empreendedora participou de seis temporadas do Shark Tank Brasil e atualmente é apresentadora na CNBC.

Educação Empreendedora
Durante o painel, o presidente do CONFAP, Márcio de Araújo Pereira, abordou a educação empreendedora e o papel das universidades na formação de novos líderes e inovadores.
Márcio de Araújo provocou a reflexão ao questionar se o “letramento do empreendedor” está de fato presente nas universidades e também entre os professores, destacando a importância de desenvolver, além do conhecimento técnico, uma mentalidade empreendedora adaptada às transformações do mundo atual.
Camila Farani, em resposta, fez uma análise sobre a evolução do ecossistema de inovação e empreendedorismo no Brasil nos últimos anos. “Quando olho para o mercado hoje, percebo que ele já superou a fase de introdução, passou pela teoria e está muito mais maduro. Os novos empreendedores estão escolhendo empreender, não mais apenas por necessidade, mas por opção”, afirmou.
Ela destacou que o verdadeiro desafio está em educar o empreendedor, tanto nas instituições de ensino quanto na prática diária. “Onde você educa? Você educa, obviamente, nas instituições de ensino e na vida, e é aí que temos esse gap. As métricas muitas vezes são similares, mas precisam evoluir. Falamos muito sobre letramento, mas ainda falamos pouco sobre letramento digital.”
Farani ressaltou ainda que, apesar dos avanços, grande parte do país ainda enfrenta desigualdades de acesso ao digital e à cultura empreendedora, o que exige articulação entre diferentes atores do ecossistema. “É importante que, cada vez mais, a academia e todos os atores do ecossistema, como as faculdades, as FAPs, as federações, as incubadoras, as aceleradoras e os investidores, consigam se complementar. E esse não é um caminho fácil, é um caminho desafiador”, concluiu.

O 69º Fórum Nacional CONFAP reuniu dirigentes das Fundações Estaduais de Amparo à Pesquisa (FAPs), representantes de agências federais de fomento e especialistas do ecossistema de inovação para debater temas relacionados ao futuro da ciência, tecnologia, inovação e empreendedorismo no Brasil. Acesse a cobertura completa do evento aqui.
Assessoria de Comunicação do CONFAP
