| Em 09/10/2025

Pesquisadores utilizam nanofibras de celulose para produzir hidrogênio

O método inovador e de baixo custo permite a produção de nanomateriais a partir de nanofibras de celulose como suporte reativo em processos químicos mais sustentáveis em diversos setores da indústria. (Foto: Divulgação PUC-Rio)

Pesquisa conduzida no Departamento de Engenharia Química e Materiais da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio) vem sintetizando nanomateriais empregando nanofibras de celulose como suporte reativo, tendo em vista aplicações voltadas para o setor energético, como, por exemplo, a geração de hidrogênio com menor custo. Segundo o engenheiro químico Rogério Navarro, mestre e doutor em Engenharia de Materiais e de Processos Químicos e Metalúrgicos, a tecnologia já está em fase de reconhecimento de patente no Instituto Nacional de Propriedade Industrial (INPI). 

O objetivo do trabalho, desenvolvido em parceria com o também engenheiro químico Lucas Tonetti, Doutor em Engenharia Química, Materiais e Processos Ambientais pela PUC-Rio, é a consolidação de uma rota de síntese escalonável e de menor custo, de óxidos nanoestruturados capazes de atuar como catalisadores na geração de H2, tanto via hidrólise de borohidretos, ou através da quebra eletroquímica da água. Destaca-se a elevada flexibilidade da rota inovadora de síntese proposta, podendo-se facilmente adaptar às condições de síntese, tendo em vista à produção de nanomateriais de alta performance, de relevância para uma enorme gama de setores da indústria, tais como, capacitores, baterias e ou dispositivos eletrônicos. “O mais relevante nessa pesquisa é mesmo o uso da nanocelulose como suporte reativo”, afirma Navarro.

Rogério Navarro (à esq.) e Lucas Tonetti destacam a simplicidade do processo para a obtenção de nano-óxidos (Fotos: Divulgação)

O pesquisador, que contou com apoio da FAPERJ por meio do programa de Auxílio Básico à Pesquisa em ICTs Sediadas no Estado do Rio de Janeiro (APQ1), explica que a nanocelulose pode ser produzida a partir de vários resíduos de madeira, decorrentes de diversas atividades, desde serralherias, agronegócio, até a construção civil. A nanocelulose funciona como agente adsorvente (capaz de atrair e reter moléculas ou íons) de cátions metálicos presentes em soluções aquosas, levando à formação de óxidos nanoestruturados após subsequente tratamento térmico em atmosfera controlada, ou seja, estimulando-se a formação dos óxidos metálicos na superfície das nanofribras, as quais também reagem quimicamente, daí o termo suporte ou template reativo. 

Segundo Lucas Tonetti, uma das grandes vantagens da técnica desenvolvida para a obtenção de nano-óxidos está na simplicidade do processo. “Diferentemente de métodos convencionais de síntese de nanomateriais, que podem envolver equipamentos sofisticados e ou etapas adicionais de purificação ou lavagem, nossa abordagem elimina essa necessidade, tornando o processo mais direto e eficiente”, destaca. Dentre as principais possibilidades de aplicação estão o uso em eletrodos de alta eficiência para transmissão de energia elétrica, dispositivos para baterias e armazenamento de energia, eletrocatalisadores para produção de hidrogênio verde e catalisadores para processos químicos mais sustentáveis, tais como aqueles pertencentes ao universo das biorrefinarias.

Fonte: FAPERJ (Por: Paula Guatimosim/ Ascom Faperj)

Leia também

Em 25/02/2026

Governo de Santa Catarina e UFSC inauguram o primeiro laboratório da Rede Catarinense de Robótica, com investimento de R$ 2,5 milhões

A consolidação de uma infraestrutura científica de alto nível marca um novo momento para a robótica no estado, com a criação de uma rede que integra diferentes regiões, fortalece a pesquisa de ponta e já demonstra potencial de aplicação em ações conjuntas com forças de segurança e órgãos de fiscalização. Em Santa Catarina, essa iniciativa […]

Em 25/02/2026

Governo do Pará financia criação da primeira estação de recarga para carros elétricos feita 100% de fibras amazônicas

Um projeto inovador e sustentável, voltado à bioeconomia amazônica, utiliza insumos naturais vegetais da região em 100% de sua estrutura. Com financiamento do governo do Estado, por meio da Fundação Amazônia de Amparo a Estudos e Pesquisas (Fapespa), a proposta contemplada no âmbito do programa Centelha II, substitui materiais sintéticos e metálicos, usualmente empregados no […]

Em 25/02/2026

Facepe adere a acordo com o Belmont Forum e amplia participação de Pernambuco em redes internacionais de pesquisa oceânica

A Fundação de Amparo à Ciência e Tecnologia do Estado de Pernambuco (Facepe) aderiu a um Acordo de Cooperação Técnica com o Belmont Forum, ampliando a inserção de Pernambuco em redes internacionais de pesquisa voltadas a desafios globais estratégicos. Por meio desse acordo, a Facepe participa da chamada Ocean II – Towards the Ocean We […]

Em 25/02/2026

FAPEMA lança edição especial da Revista Inovação

Está no ar a edição especial da Revista Inovação dedicada à divulgação científica e à popularização da ciência produzida no estado do Maranhão. O periódico, produzido pela Fundação de Amparo à Pesquisa e ao Desenvolvimento Científico e Tecnológico do Maranhão (FAPEMA), reúne 40 reportagens que traduzem pesquisas, projetos e trajetórias de pesquisadores vencedores do Prêmio […]