| Em 05/03/2025

Armadilha inteligente pode ajudar a monitorar e controlar a circulação do mosquito da dengue

O dispositivo tem formato de dodecaedro e 50 centímetros de altura (foto: Samuel Baraldi Mafra)

Pesquisadores do Instituto Nacional de Telecomunicações (Inatel), em Santa Rita do Sapucaí (MG), desenvolveram uma armadilha inteligente para captura e monitoramento de fêmeas do mosquito Aedes aegypti, transmissor dos vírus da dengue, febre amarela, zika e chikungunya.

O protótipo do dispositivo, produzido por meio de um projeto apoiado pela FAPESP no âmbito de um acordo de cooperação com os ministérios da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) e das Comunicações (MC), foi descrito em artigo publicado na revista Sensors.

“A ideia é que a armadilha possa ser usada por órgãos de vigilância epidemiológica para melhorar o monitoramento e o controle da proliferação do mosquito Aedes aegypti, especialmente em áreas urbanas de difícil acesso”, diz Samuel Baraldi Mafra, professor no Inatel e coordenador do projeto.

A armadilha, com formato de dodecaedro (com 12 lados) e 50 centímetros de altura, combina dispositivos de internet das coisas (IoT) com câmeras de alta resolução e algoritmos avançados de aprendizado de máquina e de visão computacional.

Os insetos são atraídos para a armadilha por meio de uma mistura de água, açúcar e feromônio, colocada em seu interior. Uma câmera interna no tubo de entrada do equipamento, que combina recursos de visão noturna e diurna, captura imagens deles em tempo real e em uma ampla gama de condições de iluminação. As imagens são então processadas por um algoritmo de inteligência artificial capaz de detectar e contar os “prisioneiros” em tempo real, identificando se são mosquitos Aedes aegypti, abelhas ou borboletas, por exemplo.

“O mosquito Aedes aegypti tem algumas características morfológicas, como manchas brancas e pernas grandes, que são identificadas pelo algoritmo de inteligência artificial”, informa Mafra.

Após a detecção de um Aedes aegypti são ativadas, de forma autônoma, ventoinhas situadas na parte frontal da armadilha. Esses dispositivos criam um fluxo de ar que direciona o mosquito para um recipiente contendo um líquido viscoso, onde ele ficará aprisionado.

Quando ocorre a detecção de abelha, borboleta ou outros insetos alados, são ativadas ventoinhas localizadas na parte traseira da armadilha, que criam um fluxo de ar que expele o animal para fora do dispositivo.

“A seletividade na classificação dos insetos é um dos principais diferenciais da armadilha em comparação com as que já existiam. Isso permite evitar a captura de outros insetos que não são de interesse e estão em declínio, como as abelhas”, avalia Mafra.

A armadilha também conta com um módulo de sistema de posicionamento global (GPS) que permite o monitoramento em tempo real de sua localização.

Essa capacidade de executar a detecção em tempo real facilita a coleta de dados geoespaciais e permite analisar mais rapidamente os padrões de movimentação e a densidade populacional dos mosquitos. Dessa forma, é possível obter dados imediatos para intervenções de saúde pública e oferecer uma análise mais detalhada e contextualizada do comportamento do mosquito, permitindo um controle mais eficaz das doenças transmitidas por esses vetores, avaliam os pesquisadores.

“O sistema de comunicação da armadilha permite fazer o acompanhamento remoto e em tempo real, sem a necessidade de deslocar alguém para verificar in loco se está capturando mosquitos”, diz Mafra.

Protótipo de estudos

Os pesquisadores realizaram testes com a armadilha em laboratório e em campo, por exemplo, em praças públicas e próximo a córregos em Santa Rita do Sapucaí.

Os resultados indicaram que o sistema foi capaz de detectar com 97% de precisão o Aedes aegypti, 100% no caso de abelhas e 90,1% na classificação de borboletas em laboratório. Os resultados foram corroborados pelos testes em campo.

“Pretendemos aperfeiçoar, diminuir os custos e chegar a um protótipo final da armadilha. A versão atual é mais para estudos”, pondera Mafra.

O protótipo atual foi elaborado no Laboratório de Ideação (Fab Lab) do Inatel. A ideia dos pesquisadores é fabricar a armadilha com materiais mais resistentes às intempéries do tempo, de forma a proteger a parte eletrônica do equipamento de chuvas intensas e do calor extremo, por exemplo.

O artigo Implementation of an intelligent trap for effective monitoring and control of the Aedes aegypti mosquito pode ser lido em: www.mdpi.com/1424-8220/24/21/6932.

Fonte: FAPESP (Por: Elton Alisson | Agência FAPESP)

Leia também

Em 14/04/2026

Governo de Goiás fortalece estrutura de pesquisa ao investir R$ 5 milhões em equipamentos

O Governo de Goiás, por meio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Goiás (Fapeg), lança a Chamada Pública nº 06/2026, com investimento de R$ 5 milhões, para aquisição de equipamentos laboratoriais destinados a projetos de pesquisa científica, tecnológica e de inovação. A iniciativa reforça a estrutura das instituições de ensino superior (IES) […]

Em 13/04/2026

Aquecimento dos oceanos já altera biodiversidade marinha no Espírito Santo, aponta pesquisa apoiada pela Fapes

Um estudo desenvolvido por pesquisadores da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes) acende um alerta para os impactos das mudanças climáticas nos oceanos do Espírito Santo. A pesquisa identificou o aumento da frequência e da intensidade das chamadas ondas de calor marinhas, fenômeno que já provoca alterações significativas na biodiversidade e na estrutura dos ecossistemas […]

Em 13/04/2026

Pesquisa da Uern, com fomento da Fapern, participa de simpósio dos BRICS na Índia

A Universidade do Estado do Rio Grande do Norte (Uern) foi representada no III Simpósio de Neurociência dos BRICS, entre os dias 13 e 15 de março, no Instituto Indiano de Tecnologia de Madras, em Chennai, na Índia. A participação da universidade no evento integra a inserção da pesquisa potiguar em redes internacionais de ciência […]

Em 10/04/2026

Professor João Vicente Lima assume presidência da Fapeal

O governador do Estado de Alagoas Paulo Dantas nomeou o professor João Vicente Ribeiro Barroso da Costa Lima como diretor-presidente da Fundação de Amparo à Pesquisa de Alagoas (Fapeal), órgão vinculado à Secretaria de Estado da Ciência, da Tecnologia e da Inovação (Secti). A nomeação se encontra no Diário Oficial do Estado  (DOE) de 3 de […]

Em 10/04/2026

FAPEMA lança editais para apoio à música e publicações científicas e culturais no Maranhão

A Fundação de Amparo à Pesquisa e ao Desenvolvimento Científico e Tecnológico do Maranhão (FAPEMA) lançou, na quarta-feira (25/03), dois novos editais de fomento voltados ao fortalecimento da cultura, da pesquisa e da produção científica no estado. Os editais João Mohana – de Apoio à Música Maranhense e Astolfo Marques – de Apoio à Publicação das Academias de […]

Em 09/04/2026

Sict e Fapergs lançam edital de R$ 8 milhões para fortalecer ambientes de inovação no RS

A Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio Grande do Sul (Fapergs), em parceria com a Secretaria de Inovação, Ciência e Tecnologia (Sict), lançou na segunda-feira (23/03) o novo edital do Programa de Apoio aos Ecossistemas de Inovação. Com investimento total de R$ 8 milhões, a iniciativa tem como objetivo fortalecer ambientes de inovação no […]

Em 13/04/2026

Simpósio para jovens cientistas recebe inscrições até 15 de abril

O Connections to Sustain Science in Latin America Symposium 2026, que será realizado entre 25 e 27 de agosto em São Paulo, recebe submissões on-line de candidaturas até a próxima quarta-feira (15/04). Não há taxa de inscrição. Promovido pela Academia Brasileira de Ciências (ABC), pela FAPESP, pelas Academias Nacionais de Ciências, Engenharia e Medicina dos Estados Unidos […]