| Em 24/04/2024

Pesquisa apoiada pela FAPEMA analisa infecção do caramujo africano por larvas de parasitos

(Foto: Divulgação)

Estudo realizado pela pesquisadora Alicia Caroline Melo Lima, trouxe à luz descoberta sobre infecção, por larvas de parasitos, no caramujo-gigante-africano. Intitulado ‘Ocorrência de Achatina fulica (Bowdich, 1822) infectado por larvas de nematódeos no estado do Maranhão, Brasil’, o trabalho tem como foco investigar, caracterizar e determinar a frequência de infecção por estas larvas, nessa espécie invasora. Fruto da dissertação de mestrado do Programa de Pós-Graduação em Ecologia e Conservação da Biodiversidade, da Universidade Estadual do Maranhão (UEMA), a pesquisa conta com apoio do Governo do Maranhão, por meio da Fundação de Amparo à Pesquisa e ao Desenvolvimento Científico e Tecnológico do Maranhão (Fapema).

O presidente da Fapema, Nordman Wall, destacou que a pesquisa é muito significativa e trará importantes avanços no conhecimento desta espécie, suas características e impactos para o ser humano e o ambiente. “Este estudo aponta para a necessidade de uma vigilância contínua e de mais pesquisas para melhor compreensão e gerenciamento de espécies invasoras, bem como na proteção da saúde pública e dos ecossistemas naturais. A pesquisadora vai fornecer uma base sólida para futuros estudos e ações de controle, destinadas a reduzir os impactos negativos deste caramujo nas regiões onde existe a proliferação dessa espécie. O estado segue firme no apoio e financiamento a estudos que venham garantir mais qualidade de vida e mais saúde aos cidadãos”, avaliou.

Conhecido popularmente como caramujo gigante africano, a Achatina fulica é uma espécie exótica invasora originária da África, que tem sido motivo de preocupação em várias partes do mundo, devido ao seu potencial impacto na agricultura, ecossistemas naturais e na saúde pública. Uma das questões mais preocupantes é sua capacidade de abrigar parasitos que podem representar riscos para a saúde humana e animal.

Esses animais possuem uma capacidade de adaptação a ambientes alterados, podendo ser encontrados em locais como terrenos abandonados e até mesmo em lixões. Sua resistência aos períodos de seca e ao frio é notável, e sua dieta variada inclui uma ampla gama de alimentos disponíveis ao seu redor, tais como frutas, legumes, flores, folhas e até mesmo restos de lixo. Sem predadores naturais, o caramujo africano pode exercer um impacto negativo sobre a fauna de gastrópodes nativos.

Além disso, constitui-se como uma praga agrícola significativa e serve como hospedeiro intermediário para larvas de nematódeos que podem transmitir algumas doenças. Entre estas, a Meningite Eosinofílica e a Angiostrongilíase Abdominal, contraídas pela ingestão de verduras, frutas, legumes e hortaliças contaminadas pelo muco do caramujo.

Atualmente, esta espécie está amplamente distribuída em todo o território brasileiro e, apesar da presença generalizada, há uma ausência de dados científicos específicos sobre sua ocorrência no Maranhão. “As informações disponíveis geralmente se limitam a relatos de moradores locais e cobertura em telejornais. O estudo busca preencher esta lacuna”, frisou.

Participação popular

Para reunir informações, a pesquisadora conta com a participação da população, por meio do projeto Ciência Cidadã, uma estratégia que engaja tanto amadores, quanto cientistas, na coleta de dados para pesquisas científicas. “Essa colaboração é fundamental para obter uma compreensão mais completa da ocorrência e dos impactos causados pelo caracol africano no Maranhão”, ressalta Alicia Lima. Todo o material coletado será examinado no Laboratório de Malacologia e no Laboratório de Parasitologia Humana, da UEMA.

Com apoio do governo, por meio da Fapema, a pesquisadora avança no estudo. “A Fapema é importante por possibilitar a execução do estudo e nos possibilitar compreender mais sobre esta espécie, os potenciais riscos para a saúde pública e possíveis impactos na biodiversidade nativa”, explica Alicia Lima.

(Foto: Divulgação)

Inovação científica

A pesquisa é inovadora para o Maranhão, ressalta Alicia Lima, destacando-se pela introdução da técnica de digestão artificial, adquirida por meio de treinamentos realizados no Laboratório de Referência Nacional em Malacologia da Fundação Oswaldo Cruz (LRNM/Fiocruz). “Essa abordagem possibilita a recuperação de larvas de nematódeos vivas dos gastrópodes A. fulica, que representa um avanço na pesquisa parasitológica na região maranhense”, afirma.

A pesquisa foi realizada sob a orientação das professoras Débora Martins Santos e Selma Cantanhede. Conta com parceria dos professores Lígia Tchaicka, Nêuton Souza, Luciana Alves Pereira; da bióloga Rayssa Marques Pinto; e dos alunos de graduação, Helena Reis e Diego Barros.

Para informações sobre presença de caramujos, podem entrar em contato pelo whatsApp (98) 99149-1096 ou pelo direct Instagram (@alicia_melolima).

Fonte: FAPEMA (Por: Sandra Viana/ Ascom Fapema)

Leia também

Em 02/11/2026

CONFAP e pesquisas apoiadas pelas FAPs são destaque no programa Conexão, do Canal Futura

A participação do Conselho Nacional das Fundações Estaduais de Amparo à Pesquisa (CONFAP) e de pesquisadores com projetos apoiados pelas Fundações Estaduais de Amparo à Pesquisa (FAPs) foi destaque na edição de sexta-feira, 30 de outubro, do programa Conexão, do Canal Futura. Com o tema “Ciência em todo lugar”, o episódio apresentou iniciativas científicas e […]

Em 02/11/2026

Com apoio da Fapt, pesquisa investiga se protocolos internacionais de agrotóxicos protegem espécies brasileiras

O primeiro Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia (INCT) sediado no Tocantins, o INCT em Ecotoxicologia Terrestre (INCT TerrEcotox), apoiado pelo Governo do Tocantins, por meio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Tocantins (Fapt), desenvolve pesquisas para verificar se os protocolos internacionais de agrotóxicos são capazes de proteger espécies brasileiras que vivem no solo […]

Em 30/10/2026

Idosos mais ativos têm volume cerebral preservado em áreas de memória e raciocínio, mostra estudo

Idosos que praticam mais atividade física têm maior volume cerebral, especialmente em áreas ligadas à memória, cognição e raciocínio, conclui revisão sistemática publicada no Journal of Aging and Physical Activity. Ao reunir dados de quase 2.700 pessoas com 60 anos ou mais, o estudo mostra uma associação consistente entre níveis mais elevados de movimento no […]

Em 28/10/2026

Roupas inteligentes: Inovação na costura transforma tecidos em solução para a incontinência urinária

A tecnologia nem sempre está em circuitos, sensores ou dispositivos eletrônicos. Ela também pode surgir de uma nova maneira de fazer algo que já conhecemos. Na costura, a escolha dos materiais e as técnicas de confecção podem transformar uma peça de vestuário em uma solução para necessidades específicas do cotidiano. Foi uma situação vivida dentro […]