| Em 17/01/2024

Estudo apoiado pelo Governo do Amazonas analisa impactos das mudanças climáticas em abelhas sem ferrão

(Foto: Diego Cunha)

Os impactos ambientais causados pela ação do homem que resultam principalmente nas mudanças climáticas, afetam diretamente na sobrevivência das populações de meliponíneos (abelhas sem ferrão). Foi o que constatou uma pesquisa pioneira apoiada pelo Governo do Amazonas, por meio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Amazonas (Fapeam), via Programa de Infraestrutura para Jovens Pesquisadores – Programa Primeiros Projetos – PPP.

De acordo com a coordenadora da pesquisa intitulada “Efeito da umidade na morfofisiologia de abelhas sem ferrão (meliponíneos)”, a doutora em Biologia Celular e Estrutural, Maria do Carmo Queiroz Fialho, da Universidade Federal do Amazonas (Ufam), as consequências das mudanças climáticas, com redução de chuvas e períodos de seca severos, influenciam na disponibilidade de água e na temperatura, o que afeta diretamente a sobrevivência desses insetos, que são vulneráveis ao “estresse hídrico”, tanto por excesso quanto por falta de água.

“O aumento da umidade e da temperatura ocasiona um desequilíbrio na troca de água entre o inseto e o ambiente. Por meio do acompanhamento das modificações morfológicas e fisiológicas das abelhas, é possível compreender como essas espécies mantém o equilíbrio do organismo em diferentes padrões de temperatura e umidade”, explica a pesquisadora, que analisa a variação de umidade entre os períodos de verão e inverno no Amazonas e sua influência na morfologia e fisiologia de abelhas das espécies Melipona seminigra (uruçu boca-de-renda) e Melipona interrupta (jupará ou jandaíra preta da Amazônia), da família Apidae, popularmente conhecidas como abelhas “sem ferrão”.

Maria do Carmo ressalta a importância do estudo das abelhas amazônicas, pela relevância do papel desempenhado por esses insetos na polinização e manutenção da floresta. “Estudá-las é se dedicar a entender sobre a vida na terra e sobre as relações de interdependência entre os organismos na natureza”, observa a coordenadora.

O estudo, ainda em andamento, aponta particularidades entre as duas espécies observadas. Ambas são do mesmo gênero e são endêmicas da mesma região, mas apresentam diferenças fisiológicas entre si. As coletas aconteceram em três meliponários comerciais, que estão localizados nos municípios de Iranduba (distante 27 quilômetros da capital) e no meliponário do Instituto Nacional de Pesquisas Amazônicas (Inpa), em Manaus.

A coordenadora avalia que a pesquisa pioneira foi um desafio, principalmente para adaptar metodologias para as análises de espécies amazônicas. A maioria das informações disponíveis até então na literatura eram relacionadas apenas a Apis mellifera, espécie de “abelha exótica” introduzida no Brasil, como informou a bióloga.

O projeto estabeleceu uma base de referência, tornando possível o uso desses tipos específicos de abelhas como bioindicadores. Sobre os principais resultados alcançados, ela explica que o estudo identificou alterações na estrutura, na função do trato digestório e no sistema excretor de abelhas sem ferrão amazônicas. Além disso, catalogou alterações nos processos de absorção de água e alimento pelo organismo.

“Acreditamos que tais alterações são mecanismos adaptativos que naturalmente ocorrem para garantir a sobrevivência das células nessas espécies de abelhas ao longo do ciclo sazonal amazônico”, disse Maria do Carmo.

(Foto: Diego Cunha)

Economia 

Segundo a pesquisa, no Amazonas há uma grande diversidade de espécies estudadas. A conservação adequada de abelhas nativas da região está também ligada ao interesse econômico. A meliponicultura tem servido como fonte de renda para ribeirinhos, caboclos, pequenos e grandes produtores rurais. A prática tem promovido a venda de mel, samburá, própolis e geoprópolis.

A pesquisa que foi realizada durante o período convencional de estiagem e de chuva na região da Amazônia Central, permanece em andamento. “Devido às recentes alterações climáticas, é preciso continuar investigando para entendermos melhor a influência disso na morfofisiologia dessas abelhas”.

A pesquisa realizada na Ufam teve a parceria dos pesquisadores Wallice Luiz Paxiúba Duncan (Ufam) e Gislene Almeida Carvalho-Zilse, do Grupo de Pesquisas em Abelhas do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa), e José Eduardo Serrão, da Universidade Federal de Viçosa, Minas Gerais.

Sobre o PPP 

O programa apoia a aquisição, instalação, modernização, ampliação ou recuperação da infraestrutura de pesquisa científica e tecnológica nas instituições públicas e particulares, sem fins lucrativos, de ensino superior e/ou de pesquisa sediadas ou com unidades permanentes no Estado de Amazonas visando dar suporte à fixação de jovens pesquisadores e nucleação de novos grupos, em quaisquer áreas do conhecimento.

 

Fonte: FAPEAM (Por: Kevin Moraes – Decon/Fapeam)

 

SIGA O CONFAP NAS REDES SOCIAIS:  

    

Leia também

Em 05/10/2026

O que os movimentos do corpo podem revelar sobre os níveis de ansiedade?

Vida corrida, pressão diária e incertezas fazem parte da rotina de muitas pessoas. Mas será que os movimentos do nosso corpo, registrados por um smartwatch, podem ajudar a identificar diferentes níveis de ansiedade? Foi justamente essa pergunta que levou pesquisadores do Instituto de Computação da Universidade Federal Fluminense (UFF) a investigar se técnicas de Inteligência […]

Em 02/10/2026

Nova ferramenta de IA prevê rota e intensidade de tempestades em curtíssimo prazo

Saber com exatidão a rota de uma tempestade e a intensidade da chuva para os próximos 30 minutos deixou de ser um desafio que exige supercomputadores. Uma nova ferramenta – desenvolvida na Universidade de São Paulo (USP) e denominada TITAN-LSTM – une dados de radares meteorológicos e inteligência artificial para realizar previsões de curtíssimo prazo, […]

Em 30/09/2026

Aplicativo gratuito auxilia portadores do espectro autista nas tarefas diárias

Tudo começou durante uma conversa com um sobrinho de 5 anos, que cuida de um tamagotchi. Para quem não lembra, o tamagotchi é uma espécie de pet digital, um famoso bichinho virtual que virou uma febre mundial nos anos 90. Usado por quem não pode (ou não quer) ter um pet de verdade, também exige […]

Em 24/09/2026

Facepe se torna sócia da SBPC e amplia presença das FAPs nordestinas na entidade

A Fundação de Amparo à Ciência e Tecnologia de Pernambuco (Facepe) é a mais nova instituição a integrar o quadro de sócios institucionais da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC). Criada pela Lei Estadual nº 10.401/1989 e vinculada à Secretaria de Ciência, Tecnologia e Inovação de Pernambuco (Secti), a Fundação tem como missão […]

Em 22/09/2026

Divulgado o resultado da chamada CONFAP–Brasillinois 2026 

O Conselho Nacional das Fundações Estaduais de Amparo à Pesquisa (CONFAP), em parceria com o Programa de Mobilidade Brasillinois, publicou, nesta terça-feira (22), o resultado da chamada CONFAP–Brasillinois 2026. A iniciativa tem como objetivo apoiar projetos conjuntos de pesquisa entre cientistas brasileiros e pesquisadores de universidades do estado de Illinois, nos Estados Unidos. A chamada […]