| Em 21/11/2023

Programa Antártico brasileiro instala detectores para radiação

Nova missão brasileira na Antártica prepara instalação e operacionalização de sistemas de monitoramento atmosférico, incluindo um detector de radiação (Foto: Divulgação)

A segunda etapa de uma nova missão brasileira na Antártica terá início ainda neste mês de novembro, quando os pesquisadores Cesar Amaral e Antonio Carlos de Freitas, do Instituto de Biologia da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Ibrag/Uerj), farão intervenções no módulo Ipanema para instalação e operacionalização de sistemas de monitoramento atmosférico, incluindo um detector de radiação.

A instalação desse medidor é fruto de uma parceria entre o Proantar e da Agência Internacional de Energia Atômica, que doou o equipamento para detecção de raios gama na atmosfera. Detectores de radiação ambiental estão sendo instalados em diferentes países e continentes e o módulo Ipanema fará parte dessa rede mundial, enviando os dados de forma remota. A operação para instalação do medidor envolve distintas fases, e o projeto contará, em toda a operação Antártica, com oito pesquisadores se alternando.

Segundo Amaral, há uma preocupação crescente com o uso de armamentos nucleares nas guerras e conflitos atuais e nos futuros, por isso a importância da instalação desse detector de radiação gama no módulo Ipanema. Este módulo está localizado na Ilha Rei George, na Antártica, e integra, junto com o módulo Criosfera-1, a rede de laboratórios remotos dentro das atividades do Programa Antártico Brasileiro, gerido pela Comissão Interministerial para os Recursos do Mar (Proantar).

Depois de uma longa viagem que começou no início de outubro, a primeira dupla de cientistas chegou na Antártica, no início de novembro, sendo composta pelos pesquisadores Sérgio Gonçalves e a iraniana Negar Ekrami, que participa dessa operação como colaboradora do projeto, resultado de uma associação estabelecida com a Universidade do Porto, em Portugal. O objetivo nessa etapa inicial foi o transporte de grande parte do material que será instalado no módulo Ipanema e a realização de medidas relacionadas ao projeto AERONET, em conjunto com a Nasa.

Cesar Amaral e Antonio Carlos de Freitas: cientistas participam de projeto que prevê a instalação de detectores de radiação ambiental, que farão parte de rede mundial, enviando dados de forma remota (Foto: Divulgação)

Agora, na fase 2 do projeto, os pesquisadores Cesar Amaral e Antonio Carlos de Freitas pegarão, inicialmente, um voo de apoio da FAB que sairá do Rio de Janeiro até Punta Arenas, no Chile. Em seguida, embarcarão em um navio da Marinha Brasileira para o traslado até a estação Comandante Ferraz. A terceira dupla que participa do projeto chegará à estação no dia 23 de janeiro e permanecerá até o meio de março de 2024, e a última dupla do projeto embarcará nos navios da Marinha do Brasil até Ushuaia, na Argentina, no fim de março, realizando medições ao longo de todo o trajeto de retorno até o Rio de Janeiro. O projeto é coordenado pelo professor da Uerj, Heitor Evangelista, e faz parte do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia da Criosfera (INCT da Criosfera), do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI).

O financiamento para essa missão vem do INCT/CNPq e da FAPERJ, vinculada à Secretaria Estadual de Ciência, Tecnologia e Inovação (Secti), além do apoio da Força Aérea Brasileira e da Marinha do Brasil.

Estação Antártica Comandante Ferraz é a maior e mais moderna estação da Península Antártica e a terceira de todo o continente. Depois do incêndio que consumiu a primeira estação, a nova unidade foi inaugurada em janeiro de 2020 e conta com 17 laboratórios de pesquisa e tem capacidade para 64 pessoas. Há 42 anos, o Brasil realiza pesquisas na Antártica.

 

Fonte: FAPERJ (Por: Claudia Jurberg/Ascom Faperj)

 

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