| Em 20/10/2023

Vacina Calixcoca é a vencedora do Prêmio Euro

(Foto: CCS/Faculdade de Medicina da UFMG)

A pesquisa da vacina Calixcoca, solução terapêutica contra a dependência de cocaína e crack, é a iniciativa destaque da segunda edição do Prêmio Euro Inovação na Saúde. A cerimônia de entrega foi realizada na noite de quarta-feira, 18 de outubro, em São Paulo. A equipe da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) conquistou a premiação de 500 mil euros (cerca de R$ 2,6 milhões). O prêmio é organizado pela multinacional farmacêutica Eurofarma, que atua em mais de 20 países.

O coordenador da pesquisa, professor Frederico Garcia, do Departamento de Psiquiatria da Faculdade de Medicina, agradeceu à sociedade brasileira que apoiou a campanha. “Desenvolver ciência na América Latina não é fácil. A UFMG é, hoje, uma universidade que está fazendo a diferença. Só temos a agradecer o apoio da nossa reitora [Sandra Regina Goulart Almeida] e do nosso pró-reitor de Pesquisa [Fernando Reis]”, celebrou.

Mais votada por médicos de 17 países, a Calixcoca superou outras 11 iniciativas inovadoras no campo da saúde desenvolvidas na América Latina, entre elas a SpiN-Tec, vacina contra a covid-19 (também da UFMG), e o fitoterápico para tratamento da diabetes mellitus e obesidade, desenvolvido na Universidade de Uberaba (Uniube). Ambos foram agraciados com 50 mil euros por terem ficado entre os finalistas.  

Todas as três pesquisas receberam apoio do Governo de Minas, por meio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Minas Gerais (FAPEMIG), para o seu desenvolvimento. Em julho, o secretário de Saúde de Minas Gerais, Fábio Baccheretti, também anunciou o aporte de R$ 10 milhões para avanços no projeto da Calixcoca durante uma visita da ministra Nísia Trindade à UFMG. A vacina também conta com financiamento do governo federal e com verbas de emendas parlamentares. 

Inovação

Em entrevista concedida à FAPEMIG no mês de julho, Frederico Garcia, coordenador do projeto, destacou as inovações da pesquisa. Uma delas é a utilização de uma molécula sintética como plataforma de vacinas. “As vacinas convencionais normalmente utilizam plataforma proteica, que pode ser uma proteína de vírus ou bactéria. A gente dá um passo importante ao usar uma molécula totalmente sintética para fazer uma plataforma vacinal. Existem vantagens: você controla todo ciclo de produção de maneira mais simples; tem um custo menor do que as vacinas proteicas; não precisa de cadeia fria para transporte e nem de refrigeração para a estocagem”, destaca.

Segundo o pesquisador, outra vantagem, quando comparada a vacina anticocaína em desenvolvimento nos Estados Unidos, é que o resultado obtido pela equipe é melhor do ponto de vista de quantidade de anticorpos produzidos, o que, acredita-se, vá se manter em humanos também. Garcia salienta, ainda, a comprovação, pelos estudos pré-clínicos, da segurança e da eficácia do imunizante. “A vacina é uma solução que propicia aos pacientes com dependência voltar a realizar seus sonhos. O próximo passo é iniciar os estudos com humanos”, diz.

Frederico Garcia, da Faculdade de Medicina da UFMG: vacina desenvolvida pelo grupo gera anticorpos para a cocaína e o crack e tem vantagens como menor custo e maior facilidade de estocagem e manuseio. (Foto: CCS/Faculdade de Medicina da UFMG)

Dependência 

Em seu discurso de agradecimento, o professor ressaltou o compromisso com os pacientes que sofrem com a dependência química. “Sabemos como é difícil ter uma pessoa dependente em casa, como é sofrido para um acometido pela dependência ter que lidar com a ambivalência de usar ou não droga e como é ainda mais difícil para uma gestante dependente proteger seu feto e lidar com a dor da abstinência. Temos a missão de cuidar dessas questões”, finalizou. 

Além de Frederico Garcia, os estudos reúnem os professores Maila de Castro, da Faculdade de Medicina, Gisele Goulart, da Faculdade de Farmácia, Ângelo de Fátima, do Instituto de Ciências Exatas, e os pesquisadores Paulo Sérgio de Almeida, Raissa Pereira, Sordaini Caligiorne, Brian Sabato, Bruna Assis, Larissa do Espírito Santo e Karine Reis, vinculados ao Núcleo de Pesquisa em Vulnerabilidade e Saúde (NAVeS).

 

Fonte: FAPEMIG (Por: Ascom Fapemig, Cedecom UFMG e Centro de Comunicação Social da Faculdade de Medicina da UFMG)

 

 

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