| Em 27/09/2023

Centro de Referência em Análise da Cachaça será implementado em Lavras-MG

Assinatura do termo de outorga para a reestruturação e implementação do Centro de Referência em Análise de Qualidade de Cachaça. (Foto: Diego Vargas / Seapa)

A Secretaria de Estado de Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Seapa), a Universidade Federal de Lavras (Ufla) e a Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Minas Gerais (FAPEMIG) assinaram o termo de outorga para a reestruturação e implementação de um Centro de Referência em Análise de Qualidade de Cachaça na última quinta (21). O projeto foi aprovado pela FAPEMIG, com recursos de R$ 3,7 milhões, que serão empregados na execução de um laboratório e na compra de equipamentos. 

Durante a cerimônia, o secretário Thales Fernandes destacou os esforços do Sistema Agricultura em apoio à cadeia produtiva. “A produção de cachaça de alambique em Minas Gerais tem crescido cada vez mais. Nosso trabalho no Governo de Minas, junto aos parceiros do Sebrae, Faemg e Ufla, entre outros, acontece no sentido de apoiar o produtor para que ele saia da informalidade e tenha seu produto nas prateleiras, comercializado e exportado com valor agregado, gerando renda e empregos para os mineiros”, afirmou.

O presidente da FAPEMIG, Paulo Sérgio Lacerda Beirão, chamou atenção para a presença, na solenidade, de representantes da comunidade científica e de produtores de cachaça. “Essa parceria é de grande importância porque conduz à aplicação do conhecimento gerado. Esperamos que os serviços voltados à padronização e à certificação do produto contribua para abrir novos mercados”.

Para a professora da Ufla, Maria das Graças Cardoso, a estruturação do Centro de Referência representa a realização de um sonho. “Hoje é o dia em que eu vejo o reconhecimento por um trabalho de 23 anos. Esse laboratório, com equipamentos de ponta, vai atender aos produtores de todo o Brasil, no intuito de melhorar a qualidade da nossa cachaça e fazer da bebida um produto de exportação. Teremos em Minas Gerais, onde há o maior número de cachaças de alambique do país, uma rota especial do destilado”, disse.

Valor agregado

O projeto a ser financiado pela FAPEMIG prevê a reestruturação do Laboratório de Análise de Qualidade de Aguardente/Cachaça (LAQA), já existente na Ufla, para que este se torne um Centro de Referência de Análise de Qualidade de Cachaça (CRAQC). A proposta prevê a realização de um diagnostico da qualidade das cachaças de Minas Gerais e do Brasil quanto aos aspectos de composição química, interesse econômico e saúde pública. Adicionalmente, em parceria com os órgãos governamentais de Minas Gerais, espera-se traçar, anualmente, um mapeamento da bebida em todo o Estado, que permitirá a identificação quanto à regionalidade, agregando valor ao produto, melhorando sua qualidade e combatendo fraudes comuns no setor.

Como explicam os pesquisadores da Ufla responsáveis pelo projeto, até o presente momento, não existe no Estado um centro de estudos, de pesquisas, de desenvolvimento e de prestação de serviços aos integrantes da Cadeia Produtiva e de Valor da Cachaça de Alambique e de outras bebidas alcoólicas. O setor produtivo de cachaça apresenta elevada taxa de informalidade (superior a 87%), o que favorece condutas baseadas no empirismo primário, com más práticas de fabricação, liberando produtos informais de baixa qualidade no mercado. Tal comportamento é decorrente dos preços elevados para realização de análises laboratoriais.

Espera-se, assim, que o CRAQC atenda a demanda por análises, emissões de laudos, selo de qualidade, diagnósticos e certificações de qualidade de cachaças, de bebidas alcoólicas fermentadas, fermento-destiladas e mistas fabricadas em Minas Gerais e demais regiões do Brasil, quanto aos aspectos químicos de interesse econômico e da saúde pública, visando o fortalecimento do mercado da cachaça para Minas Gerais e, concomitantemente, para o Brasil e o mundo.

Cachaça em Minas

Conforme o Anuário da Cachaça 2021, divulgado pelo Ministério da Agricultura em 2022, Minas Gerais é líder na produção de cachaça de alambique no Brasil. A cada três municípios que produzem a bebida, um está situado em Minas Gerais. No estado, há mais de 350 cachaçarias e cerca de 2,2 mil marcas diferentes.

Salinas, localizada no Norte de Minas, é a cidade brasileira com o maior número de estabelecimentos produtores, totalizando 16. E Córrego Fundo, na região Sudoeste, é reconhecida por ter a maior concentração de empreendimentos de cachaça por habitante no Brasil, com 643 residentes para cada instalação.

No período de janeiro a agosto de 2023, as exportações de cachaça de Minas alcançaram uma receita de US$ 1,5 milhão, com um total de 258 toneladas embarcadas. Esse desempenho representou um aumento de 15,3% em valor e 10% em volume em comparação com o mesmo período do ano anterior, de acordo com dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic). De um total de 16 países compradores, os principais destinos internacionais para a cachaça mineira durante esse período foram o Uruguai, os Estados Unidos e a Itália.

 

Fonte: FAPEMIG (Com informações da Ascom da SEAPA MG)

 

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