| Em 29/06/2023

Pesquisa realizada em Santa Catarina facilitará acesso a tratamento para doenças intestinais

Pesquisador Carlos Rodrigo Zárate-Bladés, do Departamento de Microbiologia, Imunologia e Parasitologia, da UFSC (Crédito: Divulgação)

Formar o primeiro biorrepositório de fezes e realizar um Transplante de Microbiota Fecal (TMF) em Santa Catarina é o objetivo de uma pesquisa realizada na Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC). Entre os benefícios para a população, está o uso como terapia complementar para diversas patologias intestinais e não intestinais. O projeto conta com financiamento da Fundação de Amparo à Pesquisa e Inovação do Estado de Santa Catarina (Fapesc).

De acordo com o pesquisador Carlos Rodrigo Zárate-Bladés, do Departamento de Microbiologia, Imunologia e Parasitologia (MIP) da UFSC e criador do Centro de Controle de Disbiose (CCDis), a expectativa é que o biorrepositório esteja finalizado até o fim do ano. Espera-se que o transplante possa ser realizado no ano que vem no Hospital Universitário, onde está sendo realizado o estudo.

“O TMF é a utilização da parte bacteriana presente nas fezes de indivíduos comprovadamente sadios, amplamente testados para diversas doenças, como aquelas feitas em transfusões de sangue, além de todas as patologias que poderiam ser transmitidas pelas fezes. De certa forma, o indivíduo que doa fezes é mais pesquisado que o doador de sangue”, explicou o professor.

O transplante pode ser usado como terapia complementar para diversas patologias intestinais e não intestinais, além de outras situações clínicas, como transplante de órgãos sólidos, imunoterapia anti-tumoral e descolonização por bactérias multirresistentes.

Mas hoje é usado amplamente para o tratamento da infecção de repetição causada pela bactéria Clostridioides difficile (iCDr), com resultados superiores aos antibióticos classicamente usados contra essa doença. “A infecção provoca diarréia no paciente podendo evoluir para a inflamação do cólon grave e até a morte. Esse patógeno é cada vez mais comum em hospitais, e esses casos de repetição têm alta taxa de mortalidade; com o transplante, o sucesso da recuperação é superior a 90% para essa infecção em específico”, disse o pesquisador.

O transplante é recomendado pela Sociedade Americana de Doenças Infecciosas e pela Sociedade Europeia de Microbiologia Clínica e Doenças Infecciosas.

Para fazer o procedimento, primeiro é feita uma desinfecção do intestino do paciente por meio de antibióticos. Em seguida, o conteúdo microbiológico contido nas fezes de um doador saudável é transplantado. O procedimento mais comum é a colonoscopia, por via retal. Então as novas bactérias começam a ocupar o intestino e reconstituir a microecologia desse órgão que se encontra alterada pela doença.

 

Fonte: FAPESC (Por: Maurício Frighetto /Ascom Fapesc)    

 

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