
Neokotus Sanfranciscano. (Arte: Ilustração/ Jorge Blanco)
Desenvolvida no Laboratório de Paleontologia e Macroevolução, ligado ao Centro de Pesquisa Professor Manoel Teixeira da Costa (CPMTC), complementar ao Instituto de Geociências da UFMG, a pesquisa tem como objetivo reconstituir o ambiente, evolução e hábitos dos dinossauros no nosso território. “São os dinossauros mais antigos do mundo! É a aurora dos dinossauros na Terra”, destaca Jonathas.
Evolução do Plano Corporal
A coleção foi encontrada no estado do Rio Grande do Sul, em rochas localizadas perto da cidade de Santa Maria. Um dos últimos artigos ainda em desenvolvimento sobre este projeto busca compreender a evolução do “plano corporal” dos primeiros dinossauros que viveram na Terra no período Triássico. Segundo o professor Jonathas Bittencourt, os primeiros dinossauros eram pequenos em relação às espécies que os sucederam. Atualmente, um grupo de estudos, ao qual faz parte, na Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) estuda um ancestral com cerca de 1,5 metro de comprimento, dos gigantescos saurópodes que chegavam a medir 40 metros de comprimento. “A ideia é estudar as modificações do esqueleto que levaram esses bichos a ficarem tão grandes”.
Hábitos Alimentares
Observou-se que os primeiros dinossauros do país, encontrados da Bacia do Paraná no Sul, já poderiam ser carnívoros diferente do que se acreditava “Antigamente achava-se que esses animais tinham hábito mais herbívoro, mas vimos pelo seu cérebro e depois correlacionamos com as características do esqueleto que estes bichos poderiam ser caçadores de emboscada”, revela.
Confira o Pitch ilustrado por Rodolfo Nogueira:
Minas dos Fósseis
Segundo Jonathas, Minas Gerais é uma das áreas mais importantes do Brasil na descoberta de novos fósseis por conter uma grande área de bacias sedimentares e cavernas. As bacias sedimentares são áreas mais baixas no relevo no continente ou no mar, onde por bilhões de anos foram acumulados sedimentos, areia, argila, pedras maiores, inclusive, animais e plantas mortos que são trazidos pelo vento e rios. Por isso, são locais em que, geralmente, há maior probabilidade de encontrar fósseis.
O professor explica que o Brasil é extremamente rico em bacias sedimentares e que foi encontrada em Minas Gerais a mais antiga evidência de vida no país, “Aqui temos rochas mais de 2 bilhões de anos, no quadrilátero ferrífero na região central”. Já as cavernas mineiras são importantes, pois são consideradas depósitos fossilíferos e preservam fósseis um pouco mais recentes que os dinossauros.
Novas Espécies do Cretáceo
Segundo o especialista, “O objetivo é dar um quadro da evolução dos repteis na América do Sul e no Brasil, especificamente.” Neste trabalho, por exemplo, a equipe descobriu o lagarto mais antigo da América do Sul, o Neokotus sanfranciscanus. Este fato permitiu a compreender que a fauna deste período era mais generalizada e menos endêmica, como é a biodiversidade hoje. O artigo foi divulgado da Revista Communications Biology.
Ainda na Bacia SanFranciscana foi encontrado o primeiro e mais completo fóssil de anelídeo do Brasil de corpo inteiro. Este grupo de animais é muito importante para a reconstrução dos ambientes, pois dão indicações das características destes espaços no passado. “O fóssil que nós encontramos é parecido com anelídeos de água doce, dando então a indicação de que o ambiente que estamos estudando era de fato um lago de água doce”, explica, o professor.

A imagem da esquerda é uma visão através de uma lupa e a da direita por meio de microscópio eletrônico de varredura. A escala tem apenas 1 mm. (Foto: Jonathas S. Bittencourt /UFMG)
Memória e Pertencimento
