
(Foto: divulgação/Faperj)
Artigo de Opinião – *Jerson Lima Silva (Presidente da Faperj)
No mês passado, fomos devastados por notícias angustiantes. Primeiro, a catástrofe de Petrópolis. Nas duas últimas semanas, a invasão da Rússia na Ucrânia, um abalo mundial tanto pela tragédia humana, como pelos riscos de uma guerra insana. Nem bem nos recuperamos dos 6 milhões de mortos pela Covid-19, precisamos refletir sobre outros desafios globais. E algo os une: só com investimentos em ciência, tecnologia e inovação será possível mudar cenários de catástrofe provocados pela natureza e pelo homem.
Há 10 anos, a Fundação Carlos Chagas Filho de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio de Janeiro (Faperj) investe em pesquisas para mitigar as mudanças climáticas. Foram mais de 60 milhões de reais. As áreas de soberania e pesquisas em óleo, gás e a independência em fertilizantes também receberam investimentos de cerca de 33 milhões de reais nos últimos dois anos. Infelizmente, muitas pesquisas existem, mas os resultados nem sempre são aproveitados pelo Poder Público.
Em ciência, precisamos de perspectiva de futuro a longo prazo e não de financiamento aos solavancos. Após uma crise de longo prazo, a Faperj conseguiu, pela primeira vez em 2021, atingir o que determina a Constituição do Estado: executou 2% da arrecadação líquida em ciência. Foram investidos 690 milhões de reais.
Com o surgimento da Covid-19, houve a necessidade de mudanças estratégicas que levaram ao lançamento de editais de combate à pandemia. Com investimentos de mais de 250 milhões de reais, os cientistas apresentaram resultados de relevância internacional, desde o sequenciamento de novas variantes, redes de monitoramento, pesquisas clínicas e estudos de vacinas e terapias. Mas não foi só em pesquisa em Covid que a Faperj investiu recursos.
A imprensa tem noticiado o sucateamento do setor com o congelamento das bolsas de formação de pesquisadores, desde 2013, pelas agências como Capes, CNPq, o que levou a Associação Nacional de Pós-Graduando a lançar um abaixo-assinado que já conta com mais de 75 mil assinaturas.
Na contramão, a Faperj investiu na formação de recursos humanos. Em 2021, o Conselho Superior, junto com a diretoria, reajustou em 25% os valores mensais das bolsas dos pesquisadores, defasadas há oito anos. Essas ações são extremamente importantes para atrair talentos. E para impedir a “fuga de cérebros”, foram lançados editais que visam trazer ao Rio de Janeiro os melhores pesquisadores, bem como atrair jovens talentos formados em outros centros de pesquisa nacionais e do exterior. Nesse sentido, um programa especial de apoio aos pesquisadores refugiados da Ucrânia já está sendo fomentado. A atração de cientistas conta com um aporte inicial de 40 milhões de reais.
Além dessas ações, foram lançados editais inovadores como as redes e programas de nanotecnologia, saúde, inteligência artificial, favela inteligente, conservação da biodiversidade, monitoramento de derramamento de óleo, apoio à agricultura e editais voltados para o Bicentenário da Independência.
A Fundação também passou a atuar na integração entre universidades, institutos de pesquisa e o setor empresarial. Uma ação totalmente inovadora foi associar empresas inovadoras com acesso a recursos não reembolsáveis e crédito operados pela AgeRio. Essas ações têm sido complementadas por meio do apoio a startups e ao incentivo ao empreendedorismo de novos doutores.
Todos esses avanços só foram possíveis pois o Governador Claudio Castro e o Secretário de CT&I, Dr. Serginho, entendem que os recursos investidos na área trazem retorno a médio e longo prazo. Ciência não é gasto, mas investimento com visão de futuro.
*Jerson Lima Silva é Presidente da Faperj, membro das Academias Brasileira de Ciências (ABC), Nacional de Medicina (ANM) e Mundial de Ciências (TWAS).
Fonte: Assessoria de Comunicação da FAPERJ
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