| Em 04/11/2020

Pesquisadores querem conquistar o mercado com bioinseticida desenvolvido na Universidade Estadual do Norte Fluminense

Aline Teixeira – bióloga e doutora em Entomologia (Foto:Divulgação)

Segundo estimativas da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), o mercado mundial de biodefensivos, estimado em US$ 5 bilhões, deverá crescer 70% em 2020. Isso porque pessoas em todo o mundo andam privilegiando a alimentação saudável e a responsabilidade socioambiental dos produtores de alimentos, que, pressionados, também tentam reduzir o uso de defensivos químicos tradicionais. De acordo com a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), o Brasil é responsável por 1/5 do consumo mundial dos produtos químicos destinados à agricultura e cerca de 30% dos agroquímicos utilizados no País foram classificados como muito perigosos. Portanto, os produtos fitossanitários biológicos, além de apresentarem baixa periculosidade à saúde humana e ambiental, minimizam os efeitos econômico-ambientais nocivos aos ecossistemas agrícolas, como os fenômenos da resistência de pragas, ressurgência de pragas, surgimento de pragas secundárias e quebra da cadeia alimentar decorrente do uso contínuo de fitoquímicos. Além disso, contribuem ainda para a qualidade de vida dos produtores, trabalhadores e residentes de áreas rurais.

Com o objetivo de conquistar esse mercado em expansão, um grupo de pesquisadores da Universidade Estadual do Norte Fluminense (Uenf) desenvolveu um inseticida biológico à base de fungo. De acordo com a bióloga e doutora em Entomologia Aline Teixeira Carolino, o maior diferencial e vantagem do Bovekill é o fato de o produto ser capaz de controlar todas as fases de desenvolvimento dos insetos (ovo, larva, pupa e adulto). Além disso, os pesquisadores ainda conseguiram agregar capacidade termorreguladora ao bioinseticida, o que é benéfico para minimizar os efeitos da insolação nas lavouras.

Pensando na tendência de cultivo urbano e doméstico de hortas e plantas ornamentais, a empresa MicrobiAll também desenvolveu a linha jardinagem do Bovekill, específico para este fim, em embalagens menores. “O edital da FAPERJ não podia ter chegado em melhor momento, pois já havíamos desenvolvido e testado o produto, e agarramos essa oportunidade para montarmos a empresa e a fábrica”, diz Aline, diretora operacional da empresa, referindo-se ao programa Doutor Empreendedor: Transformando Conhecimento em Inovação, lançado pela Fundação no final de 2019, que investirá R$ 5 milhões para que doutores se tornem empreendedores.

Os professores Richard Samuels (E) e Gerson Silva, colaboradores do projeto na Uenf, que prevê diversificação da produção para ampliar mercado e o desenvolvimento de um segundo produto biológico, o Metakill, indicado para o controle de pragas que atacam raízes. (Fotos: divulgação)

Os sócios da nova empresa, que inclui Thais Berçot, como diretora de marketing, Thalles Mattoso, como diretor comercial e os professores Richard Samuels e Gerson Silva como colaboradores, contará com bolsa de doutor empreendedor de R$ 4,1 mil, bolsa de Iniciação Tecnológica por até 24 meses para um integrante da equipe e auxílio de R$ 50 mil para aquisição de equipamentos e demais itens necessários ao desenvolvimento inicial da empresa. Em contrapartida, a empresa, que receberá orientação da equipe da incubadora TecCampos, estará sediada na Uenf, que teve sete projetos de profissionais com doutorado aprovados no edital.

O inseticida tem como princípio ativo o fungo Beauveria bassiana, comprovadamente eficiente para controle de pragas de diversas culturas como mosca branca, pulgão, cochonilhas, trips, ácaro rajado, percevejos, lagartas desfolhadoras, brocas, gorgulho, traça do tomateiro e lagarta do cartucho.

Os sócios fizeram uma pesquisa de mercado em Campos dos Goytacazes anterior ao desenvolvimento do produto e ficaram surpresos com o desconhecimento dos agricultores acerca dos produtos para o controle biológico de pragas e doenças nas lavouras. “Nosso custo é competitivo e o produtor ainda tem ganho de proteção ambiental, sua saúde preservada e nenhum efeito residual sobre o produto cultivado, além da maior valorização do produto final no mercado”, explica Aline.

Certa de que a falta de conhecimento será o maior entrave às vendas do produto, Aline e sua equipe iniciarão ações de marketing e comércio virtual e pretendem, assim que a pandemia acabar, iniciar visitas a revendedores e lojas de venda de produtos agropecuários para fixarem banners explicativos. Segundo ela, a MicrobiAll também poderá atender demandas específicas, como as de associações de produtores orgânicos e ecológicos. Rumo à diversificação da produção para ampliar mercado, a equipe já está desenvolvendo um segundo produto biológico, o Metakill, indicado para o controle de pragas que atacam raízes.

Aline, que participou do Programa Doutorado Sanduíche no exterior como bolsista na Universidade de Swansea, País de Gales, onde trabalhou no Centro de Biociências com biopesticidas para o controle de insetos vetores de doenças, sempre atuou na área de controle microbiano de insetos, desenvolvendo também formulações de fungos entomopatogênicos para controle do mosquito Aedes aegypti, além das pragas agrícolas. “Nosso objetivo é conquistar o mercado de bioinseticidas”, projeta.

 

Fonte: FAPERJ 

 

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