| Em 26/05/2020

FAPERJ libera cerca de R$ 2 milhões para enfrentamento à Covid-19

 

Projetos contemplados foram selecionados dentro da ‘Ação Emergencial’ de enfrentamenrto à Covid-19, uma parceria da FAPERJ com a Secretaria Estadual de Saúde, anunciada em março (Foto: Josué Damacena/Fiocruz)

A direção da FAPERJ anunciou na última semana a liberação de R$ 1.973.500 milhão para projetos de enfrentamento à Covid-19. Um dos projetos aprovados está sendo desenvolvido na Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) e mira o desenvolvimento de teste diagnóstico rápido, tanto na infecção precoce como tardia da doença. Outra proposta, no Instituto de Pós-Graduação e Pesquisa de Engenharia, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (Coppe/UFRJ), receberá investimentos para o desenvolvimento de um dispositivo de ventilação pulmonar de domínio público, de fácil replicação para fabricação em massa. Também foram contemplados o Laboratório de Virologia Molecular da UFRJ, do professor Amilcar Tanuri, e pesquisa conduzida pelo professor e pneumologista Agnaldo Jose Lopes, da Faculdade de Ciências Médicas da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj).

Todos os projetos foram selecionados por meio da chamada emergencial destinada a apoiar a pesquisa de Covid-19, anunciada no dia 26 de março. A iniciativa é uma parceria da Secretaria de Estado da Saúde (SES) com a FAPERJ, da qual podem participar instituições de ensino e pesquisa sediadas no Estado do Rio de Janeiro, startups, micro, pequenas e médias empresas. Intitulada Ação Emergencial Projetos para Combater os Efeitos da Covid-19 – Parceria FAPERJ/SES – 2020, ela lançou simultaneamente (no mesmo documento), três chamadas: Apoio a Rede de Pesquisa em Vírus Emergentes e Reemergentes (Chamada A); Apoio a Projetos já concedidos e contratados em Editais da FAPERJ (Chamada B); e Apoio a Projetos em rede a serem financiados com recursos da FAPERJ em parceria com a SES (Chamada C). Foram destinados cerca de R$ 30 milhões para essa “Ação Emergencial”.

Segundo o presidente da FAPERJ, Jerson Lima, é missão da Fundação apoiar a pesquisa de excelência e de impacto para o estado do Rio de Janeiro. “Em face da pandemia da Covid-19, cabe à ciência tomar a frente dos diversos desafios de enfrentamento da doença, e o apoio à pesquisa e inovação é de extrema importância neste momento”, diz. “O estado tem grupos de pesquisa excelentes nas diversas áreas relacionadas à pandemia, especialmente na pesquisa biomédica e clínica. Precisamos aprimorar os testes sorológicos, pesquisar as potenciais terapias, como, por exemplo, o uso do plasma de pacientes convalescentes, as possíveis terapias medicamentosas, desenvolver ventiladores a um custo menor do que os atuais disponíveis no mercado”, acrescenta.

O apoio à pesquisa na Fiocruz está relacionado aos testes diagnósticos que hoje identificam a infecção ativa, mas foram desenvolvidos para outros tipos de coronavírus. Alguns testes imunológicos para SARS-CoV-2 já foram implantados em número limitado na China, Cingapura e Coréia do Sul, entre outros países, mas ainda não foram aprovados para uso generalizado, pois não possuem especificidade e sensibilidade suficientes. Além disso, não existe nenhum teste para identificar a imunoglobulina secretora (IgA), explica o pesquisador da Fiocruz, Carlos Morel, e coordenador deste projeto e da equipe liderada pelos especialistas do Centro de Desenvolvimento Tecnológico em Saúde/Fiocruz, Giovanni de Simone e William Provance Jr.

Morel esclarece que o teste será desenvolvido para solucionar problemas ainda existentes e visa oferecer maior precisão na identificação de indivíduos com infecção ativa (IgM/IgA), passada (IgG) e os possíveis transmissores ainda sem doença aparente.

Com esses testes, ele espera, em um curto prazo, nortear as autoridades a decidir estratégias de saúde pública e distanciamento social/isolamento para os carreadores do vírus e os indivíduos imunes. Segundo ele, essa estratégia poderá beneficiar a saúde pública tanto do Estado do Rio de Janeiro como do País. Morel ainda ressalta o impacto que poderá ter junto aos profissionais de saúde que foram contaminados e poderão voltar ao trabalho com maior segurança. Além disso, o teste ajudará, a longo prazo, pois contribuirá para revelar até que ponto o vírus se espalhou pela população e, assim, avaliar o grau de proteção e se a imunidade é curta ou acumulativa.

O pesquisador Luciano Luporini Menegaldo, do Programa de Engenharia Biomédica da Coppe/UFRJ, foi o outro beneficiado com recursos da FAPERJ. O projeto da equipe da Coppe (https://sites.google.com/peb.ufrj.br/ventiladorcoppe) visa à produção de um protótipo de dispositivo com características que permitam utilizá-lo para ventilação de pacientes com Sars-CoV-2. A FAPERJ já tinha alocado recursos iniciais para o projeto em março deste ano. Menegaldo explica que a ideia é produzir um equipamento mais barato do que o encontrado no mercado, e que possa ser útil durante a demanda por ventiladores artificiais em leitos de UTI que, hoje, excede a capacidade instalada. Existem parcerias entre o grupo da UFRJ e diversas universidades e empresas, como a Whirlpool, a Petrobrás e a Leap Aviation, para desenvolvimento e fabricação dos ventiladores.

Além do desenvolvimento do equipamento, a equipe da Coppe/UFRJ fará testes de certificação, avaliando o desempenho, segurança e robustez e procurarão mais parceiros que possam viabilizar a produção em larga escala e distribuição em tempo hábil.

 

Fonte: FAPERJ 

 

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