| Em 01/04/2020

Pesquisa apoiada pela FAPEMIG estuda potencial do vírus atenuado da influenza contra o coronavírus

(Crédito foto: Pixabay)

A Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Minas Gerais (FAPEMIG) tem investido em ações voltadas ao enfrentamento e mitigação de danos provocados pela Covid-19. Além da divulgação de chamada emergencial para financiamento de pesquisas sobre o tema, a Fundação também direcionou recursos financeiros adicionais ao Centro de Tecnologia de Vacinas (CT-Vacinas), do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia em Vacinas (INCT-V).

De acordo com o coordenador do INCT-V, Ricardo Gazzinelli, também professor da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e pesquisador sênior do Centro de Pesquisas René Rachou, da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz Minas), a equipe mudou radicalmente sua rotina para enfrentar essa ameaça. Grande parte dos pesquisadores foram reajustados para trabalhar em duas frentes: diagnóstico e desenvolvimento da plataforma de uma vacina contra o coronavírus.

As ações estão reunidas no projeto Desenvolvimento de testes de diagnóstico molecular e sorológico para Covid-19, que, além da FAPEMIG, também conta com o apoio do Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (MCTIC). Gazzinelli coordena o estudo, que trabalha com várias plataformas de vacinas.

Uma delas utiliza o vírus da influenza como um vetor vacinal. Segundo o pesquisador, o vírus usado é atenuado, ou seja, não replica a doença, mas induz a resposta imunológica. “Como a influenza e o coronavírus infectam as mesmas células, achamos que essa pode ser uma vacina eficiente”, explica. O grupo trabalha com o coronavírus, expressando o vírus da influenza, “A ideia é usá-la como uma vacina ambivalente, servindo contra a influenza e contra o coronavírus”.

LONGO CAMINHO

O coordenador lembra, entretanto, que o desenvolvimento de uma vacina não é tão rápido como se gostaria. “Normalmente, o processo demora de um ano a um ano e meio, mesmo em tempos de urgências, como o que estamos vivendo”.

Será preciso aguardar para a obtenção de uma vacina contra o coronavírus, mas o aprimoramento dos testes se encontra a todo vapor no CT-Vacinas. Liderado pela professora da UFMG Santuza Teixeira, o grupo do INCT-V conseguiu rapidamente estabelecer o teste molecular em Minas Gerais.

Segundo Ricardo Gazzinelli, atualmente o grupo presta serviço para vários hospitais mineiros, além de ter repassado a metodologia para outros laboratórios da UFMG que, por sua vez, também realizam serviços para hospitais. “Dessa forma, o CT-Vacinas desempenhou um papel central para atender a comunidade na realização de testes moleculares do coronavírus”, destaca.

Já a professora da UFMG Ana Paula Fernadez está desenvolvendo a aplicação de um teste rápido para o coronavírus que forneça o resultado em até uma hora. “Isso é fundamental para se fazer a triagem em uma grande população. Já tínhamos essa tecnologia funcionando, agora estamos a modificando para o enfrentamento da Covid-19”, ressalta.

Gazzinelli destaca que o investimento na ciência não pode parar. “Imagine um carro: é preciso muito mais força para fazer um carro andar quando ele está totalmente parado, do que quando ele está andando – ainda que devagar. É preciso que a ciência seja financiada o tempo todo para que esses grupos não precisem recomeçar do zero quando tivermos um problema desses”, ressalta.

CENTRO DE TECNOLOGIA DE VACINAS

O CT-Vacinas é um laboratório instalado no Parque tecnológico de Belo Horizonte (BH-TEC) com o objetivo estabelecer um ambiente de pesquisa adequado para o desenvolvimento e inovação tecnológica. Sua criação ocorreu graças à iniciativa de um grupo de pesquisadores da UFMG e Fiocruz Minas do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia em Vacinas (INCT-V).

De acordo com Gazzinelli, o INCT-V atua basicamente com três linhas de pesquisa: entendimento dos mecanismos de defesa do organismo contra processos infecciosos; aquisição de tecnologias de vacina; e testes das vacinas. Ele destaca que, atualmente, existem várias metodologias para fazer uma vacina “Pode-se usar uma proteína recombinante ou um patógeno atenuado essa variedade é muito importante, já que podemos variar nas formulações”, conta.

 

Fonte: FAPEMIG (Texto: Tuany Alves)

 

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