| Em 20/12/2019

Pesquisadores brasileiros desenvolvem nanorreservatório criado para utilizar fármaco anticâncer

Ilustração do nanorreservatório na célula cancerosa no momento em
que ele é acionado por prótons para abrir a tampa e liberar o fármaco

Um grupo de 11 pesquisadores brasileiros assina um artigo, publicado semana passada, sobre o desenvolvimento de um nanorreservatório que contém um fármaco anticâncer e fica preso nos seus poros por um nanogate, uma espécie de “tampa”. O nanorreservatório funciona mediante um comando externo, neste caso, acionado por prótons. O artigo saiu na conceituada revista Journal of Materials Chemistry B, da Sociedade Real de Química do Reino Unido, cujo fator de impacto é 5,047, da Royal Society of Chemistry, uma sociedade fundada em 1848 responsável pelo incentivo às ciências químicas.

A parceria entre a professora Célia Ronconi, da Universidade Federal Fluminense (UFF), e pesquisadores do Programa de Carcinogênese Molecular do Instituto Nacional de Câncer (Inca), chefiado por Luis Felipe Ribeiro Pinto, e do Centro Brasileiro de Pesquisas Físicas (CBPF) mostrou uma eficácia surpreendente.

“Investigamos a liberação do fármaco no núcleo de células de câncer de mama sob o comando de prótons e o resultado foi excepcional. Houve uma redução de 92% da viabilidade das células de câncer. O dispositivo carregado foi mais tóxico para as células de câncer do que o fármaco puro na mesma concentração”, relatou a professora, que recebe apoio da FAPERJ para a realização de suas pesquisas, por meio do programa Cientista do Nosso Estado. Ela também contou com recursos de outro edital da FAPERJ na pesquisa em questão, o Programa de Apoio às Instituições de Ensino e Pesquisa Sediadas no Estado do Rio de Janeiro. O professor Ribeiro Pinto, do Inca, também foi contemplado no programa Cientista do Nosso Estado.

Funcionamento do dispositivo

O grupo da UFF trabalha com o desenvolvimento de dispositivos que respondem a um comando para liberar fármacos. Este comando por ser luz, campo magnético, reações de oxirredução ou variação de pH. O pH de células de câncer é mais ácido e, dependendo da célula, pode variar de 4.5 a 5.5. Assim, os pesquisadores projetaram um nanorreservatório que armazenasse o fármaco e também projetaram uma espécie de “tampa” (nanogate) para fechar o reservatório e evitar o vazamento do fármaco. A tampa só abre para liberar o fármaco quando o meio está ácido (pH < 7), ou seja, na presença de prótons. Em meio básico (pH > 7), o dispositivo permanece fechado. A ideia é que o dispositivo só libere o fármaco no interior de células de câncer onde o meio é ácido. Além disso, o grupo fez testes de liga/desliga com esse nanorreservatório, que consistiu em adicionar ácido para atingir o pH de 5,5 e liberar o fármaco (liga), em seguida, adicionam base para aumentar o pH para 7,4 (fisiológico) e o dispositivo é, então, fechado, cessando a liberação do fármaco (desliga). Este sistema funciona como se fosse uma válvula em escala nanométrica.

“Nós verificamos que o reservatório sem o fármaco (doxorrubicina) apresenta baixa toxicidade para as células de MCF-7 de câncer de mama, mesmo em altas concentrações. Isto é um indicativo de que ele não seria tóxico para células sadias, mas nós não testamos em células não tumorais. Estes ensaios serão feitos futuramente”, explicou Célia.Nos experimentos, o grupo testou a doxorrubicina, um fármaco tóxico para células sadias. A próxima etapa do trabalho é verificar se o nanorreservatório, sem o fármaco, é tóxico para as células sadias.

No estudo, os pesquisadores testaram a linhagem de células do tipo MCF-7, oriunda de um adenocarcinoma de mama, isolado em 1970, de um tumor de uma mulher branca, de 69 anos de idade. O acrônimo se refere ao instituto onde as células foram isoladas: Michigan Cancer Foundation-7. A pesquisa levou aproximadamente dois anos e foi parte do trabalho de doutorado de Evelyn C. Santos, aluna da UFF.

O estudo foi feito in vitro, mas como os resultados foram surpreendentes, o grupo pretende seguir adiante em investigações in vivo. Como as células tumorais utilizadas são de origem humana, o grupo pretende usar camundongos imunodeficientes para os ensaios. O dispositivo para outros tipos de câncer ainda não foi testado, mas acreditam que poderia ser adaptado para vários tipos de tumores sólidos.

Fonte: Ascom Faperj

Leia também

Em 12/06/2026

FAPEMA e Emap lançam edital voltado à inovação nos setores portuário e marítimo

Com o avanço das atividades portuárias e a necessidade de integrar o desenvolvimento tecnológico às demandas da sociedade, o estreitamento dos laços entre a comunidade científica e a infraestrutura logística do estado tornou-se fundamental. Diante desse cenário, o Governo do Maranhão, por meio da Fundação de Amparo à Pesquisa e ao Desenvolvimento Científico e Tecnológico […]

Em 10/06/2026

Divulgado o resultado da 3ª edição do Programa nexBio Amazônia

O Conselho Nacional das Fundações Estaduais de Amparo à Pesquisa (CONFAP), a Swissnex no Brasil, e a Leading House para a região da América Latina do Institute of Management in Latin America (Universidade de St. Gallen), anunciaram, nesta quarta-feira (10), o resultado do edital da terceira edição do Programa Suíço-Brasileiro de Inovação Sustentável para a […]

Em 10/06/2026

Fapepi amplia aporte de financiamento de projetos de extensão no Piauí e lança edital de R$ 2,25 milhões

A Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Piauí (Fapepi), em parceria com a Universidade Federal do Piauí (UFPI), a Universidade Federal do Delta do Parnaíba (UFDPar), a Universidade Estadual do Piauí (UESPI), a Universidade Federal do Vale do São Francisco (UNIVASF) e o Instituto Federal do Piauí (IFPI), lançou nesta quinta feira (28), […]

Em 10/06/2026

Fapesc apoia atividades dos Núcleos de Inovação Tecnológica com edital de mais de R$ 3 milhões

Os Núcleos de Inovação Tecnológica (NITs) de Santa Catarina, poderão contar novamente com o apoio do Governo do Estado para o desenvolvimento de suas atividades de conexão entre as instituições de pesquisa e o mercado e de proteção da propriedade intelectual de ideias e produtos. A Fundação de Amparo à Pesquisa e Inovação do Estado […]

Em 10/06/2026

Impressão 3D e inovação ajudam a reduzir acidentes com agulhas e bisturis em hospitais

Acidentes com agulhas, bisturis e outros materiais perfurocortantes fazem parte da rotina de milhares de profissionais da saúde no Brasil. Muitas vezes silenciosos, esses episódios vão muito além de cortes e ferimentos: envolvem risco de contaminação por doenças graves, afastamentos do trabalho, impactos psicológicos e altos custos para o sistema de saúde. Foi a partir […]

Em 11/06/2026

Membro da Comissão EDI da Fapergs participa de pesquisa internacional sobre arquitetura e inclusão

A professora Cláudia Libânio, da Universidade Federal da Ciência da Saúde de Porto Alegre – (UFCSPA), e membro da comissão de Equidade, Diversidade e Igualdade (EDI) da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio Grande do Sul – Fapergs, participa de pesquisa internacional desenvolvida na University College Dublin (UCD), da Irlanda, sobre o […]