| Em 22/11/2019

Pesquisa, apoiada pela Fapemig, estuda uso do óleo do jerivá e da macaúba, os famosos coquinhos, na culinária

Foto: Cleiton Nunes.

Os frutos do jerivá e da macaúba fizeram, e fazem, parte da vida de muitas crianças. Os famosos coquinhos, são um prato cheio para as brincadeiras juvenis. No entanto, esse não é o único uso para esses frutos.

Pesquisadores do Departamento de Ciência dos Alimentos (DCA) da Universidade Federal de Lavras (Ufla), apoiados pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Minas Gerais (Fapemig), descobriram que os óleos desses coquinhos podem ser uma boa opção para a produção de comidas, como recheio de biscoito e maionese.

Segundo o coordenador do estudo, Cleiton Antônio Nunes, os cocos dessas espécies são ricos em óleo. Isso despertou a curiosidade dos pesquisadores que passaram a querer saber se ele poderia ser utilizado na alimentação das pessoas. “O óleo da macaúba já é utilizado por empresas, inclusive mineiras, na produção de combustíveis, mas queríamos saber mais. Saber como poderíamos usa-los em alimentos”, conta.

Óleo saudável

Cleiton Nunes informa que os óleos extraídos desses coquinhos são mais saudáveis do que as gorduras hidrogenadas, famosas gorduras trans, usadas para produzir alimentos.

Essa gordura vegetal é achada naturalmente em algumas carnes e leite, mas em baixa quantidade. O problema são as industrializadas presentes em biscoitos, margarinas, salgadinhos etc.

Acontece que como elas ajudam a melhorar a textura e aumentar o prazo de validade dos produtos, as empresas usam uma quantidade muito grande, o que pode causar problemas para o corpo, como aumento do colesterol ruim e doenças no coração. “Então é muito importante buscar fontes de óleos e gorduras que venham substituir esse ingrediente”, ressalta Cleiton Nunes.

A iniciativa vai ao encontro das medidas de incentivo as escolhas mais saudáveis em relação aos alimentos e bebidas industrializadas por parte dos consumidores defendidas pela Organização Mundial da Saúde (OMS). Segundo a entidade, ao menos 5 bilhões de pessoas em todo o mundo convivem com os riscos de desenvolver doenças associadas ao uso das gorduras trans industrial.

Para além do óleo

Durante a pesquisa, a equipe notou que, após extrair o óleo, sobram muitas partes do coquinho. Principalmente a polpa e a torta (amêndoa após extração). Cleiton Nunes conta que os pesquisadores decidiram, então, estudar como poderiam usar também esses subprodutos na alimentação.

A ideia deu vida a outra pesquisa, também apoiada pela Fapemig, que está sendo desenvolvida. Segundo o coordenador, uma possibilidade já encontrada pelos pesquisadores é usar esse material para fazer farinha, alimento que, além de ser natural, pode ajudar o corpo humano, uma vez que possui muita fibra e um possível potencial prebiótico.

Nunes destaca, entretanto, que esses são apenas os primeiros resultados sobre a farinha. A ideia, segundo o professor, é avaliar a aplicação, tanto dos subprodutos dos coquinhos quanto dos óleos, direta nos alimentos. “Queremos ver como os alimentos ficam, para saber se serão gostosos para o consumidor”, conta.

Fonte: Comunicação Fapemig.

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