| Em 07/03/2019

Impacto ambiental das empresas cimenteiras em Minas Gerais

O estado de Minas Gerais é possuidor de riquezas ímpares, tanto relativas ao ecoturismo, culturais e hídricas, quanto com relação a extração de propriedades naturais de seu solo. Um destes bens, e que desperta o interesse de empresas cimenteiras, é o calcário: principal matéria prima para a fabricação de cimento e que faz de Minas Gerais um dos maiores produtores do Brasil, com dezenas de empresas instaladas no Estado.

Ocorre que o potencial poluidor gerado para a operação destas produções é alto, tanto nas cidades onde estão instalados os empreendimentos, quanto em seu entorno. É por este motivo, e tendo em vista a relevância deste setor para a economia do Estado, que Antônio Augusto Melo Malard,pesquisador apoiado pela Fundação de Amparo à Pesquisa de Minas Gerais (FAPEMIG), por meio do projeto Avaliação Ambiental do Setor de Coprocessamento no Estado de Minas Gerais, analisou o processo produtivo de algumas cimenteiras e blendeiras mineiras, especificamente com relação a atividade de Coprocessamento de resíduos, e verificou alguns pontos possíveis de melhoria para a Deliberação Normativa (DN) nº 154, de25/08/2010, no que tange ao aprimoramento da atividade produtiva com redução de impactos ambientais.

Em seu estudo, Malard realizou o cruzamento de dados e informações obtidas nas visitas técnicas às cimenteiras, bem como investigação realizada no Sistema Integrado de Informação Ambiental (SIAM). Definiu quinze parâmetros ambientais, considerados relevantes para avaliar as empresas que realizam o coprocessamento, e classificou as cimenteiras levando em consideração seu desempenho ambiental.

Neste contexto, foram consideradas sete classes de desempenho ambiental: péssimo, muito ruim, ruim, regular, bom, muito bom e ótimo.  Duas empresas, das 12 analisadas, obtiveram classificação ruim e oito foram classificadas como regular. A constatação surpreendeu Malard, que esperava um cenário mais positivo. “Imaginava um panorama diferente, com pelo menos algumas empresas alcançando uma melhor classificação, entretanto é importante dizer que o setor evoluiu no decorrer dos anos, possuindo estrutura mais adequada que diversas outras tipologias industriais. O trabalho demonstrou que é necessário que normas e procedimentos mais efetivos sejam desenvolvidos, sendo imprescindível a revisão da DN Copam nº 154/2010”, explica.

O estudo teve desdobramentos e, após sua conclusão, reuniões para apresentação dos resultados foram realizadas. “Grande parcela das cimenteiras reconheceu suas falhas e potencialidades de melhoria”, afirma. A pesquisa também serviu de base e originou a criação do Grupo Multidisciplinar de Trabalho (GT), composto por representantes titular e suplente da indústria, governo, Ministério Público, universidade e associação das empresas de tratamento de resíduos, por meio da Resolução Conjunta Semad/Feam 2.472 de 24/02/2017.

O objetivo, com a criação do Grupo, foi revisar e complementar a DN a ser submetida ao Conselho Estadual de Política Ambiental (Copam), que deverá avaliar em breve e fazer as alterações necessárias e pertinentes ao pleito. “É importante que exista uma legislação efetiva que objetive uma operação da atividade com menor impacto ambiental, mas que contribua para o avanço do setor produtivo”, finaliza.

A matéria prima do cimento
O clínquer junto com o gesso e a escória de alto forno (materiais de adição), constituem as matérias-primas básicas para a fabricação do cimento. Para a produção do clínquer são necessárias as matérias-primas calcário (75-80%), argila (20-25%), além de pequenas quantidades de óxidos de alumínio e ferro, sendo que suas proporções dependem do tipo de cimento a ser fabricado.

Por meio da técnica do coprocessamento, essas matérias-primas, assim como combustíveis, podem ser substituídas por resíduos. Portanto, o setor cimenteiro surge como uma alternativa para a correta destinação de resíduos. A prática do coprocessamento deve ser incentivada pelos inúmeros benefícios que proporciona, mas desde que realizada com o adequado controle ambiental.

Fonte: Comunicação Fapemig.

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