| Em 14/06/2018

Estudo conduzido pela UFLA prevê a viabilização da remoção de barragens em MG e o retorno da biodiversidade aquática

Barragens, especialmente de menor porte, continuam sendo construídas em diversos rios, com destaque para os rios mineiros. Isso representa uma ameaça tanto para a biodiversidade aquática, quanto para as comunidades que dependem, de alguma forma, dos recursos pesqueiros. Pensando nisso e em alternativas que diminuem os impactos ambientais ocorridos em função da remoção das barragens, pesquisadores da Universidade Federal de Lavras (UFLA), coordenados pelo professor Paulo Pompeu, desenvolveram estudo que verifica as possibilidades de remoção de barragens sem prejudicar o pleno funcionamento do ecossistema ao entorno.

De acordo com Pompeu, existem pequenas centrais hidrelétricas em Minas Gerais onde a relação custo-benefício é pouco atrativa para a sua manutenção em operação, apesar de seus impactos ambientais. “Este cenário representa uma ameaça tanto para a biodiversidade aquática quanto para as comunidades que dependem, de alguma forma, dos recursos econômicos advindos da pesca. ”, pontua. Para Pompeu, nesses casos, a eventual remoção poderia representar a possibilidade de se recuperar, ao menos parcialmente, a conectividade de alguns rios, diante de um cenário de contínua fragmentação e estresse hídrico.

Para exemplificar, o pesquisador cita o caso da barragem da Pequena Central Hidrelétrica (PCH), desativada em 2008, do rio Pandeiros. Para Pompeu, os benefícios advindos da sua remoção estão relacionados à eliminação total dos efeitos de sua construção sobre o rio Pandeiros. Como a PCH Pandeiros não opera mais, estes ganhos se referem à eliminação do reservatório e ao retorno do fluxo de organismos. “Embora o reservatório seja pequeno, representa um trecho de rio que perdeu as suas características originais, mas que com a retirada poderá retornar a uma condição bem mais próxima da original. ”, explica. Segundo Pompeu, remover a barragem permite, ainda, que os organismos se desloquem das regiões baixas do rio para as regiões superiores, nas mesmas condições anteriores. Assim, algumas espécies que não existem mais acima no reservatório terão a chance de retornar a esta região do rio.

O projeto contou com significativo apoio da Fapemig e possibilitou concluir não somente a viabilidade da remoção da barragem PCH Pandeiros, mas também subsídios analíticos importantes para propor a retirada de pequenas barragens mineiras que não apresentam significativo benefício para a sociedade e o meio ambiente. “Diante das análises adquiridas, a partir do estudo e da avaliação regional realizados, foi possível prever que algumas pequenas barragens antigas também poderiam trazer ganhos ambientais significativos se removidas, embora a PCH Pandeiros represente a melhor opção de remoção. ”, finaliza.

Fonte: Comunicação Fapemig.

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