| Em 13/06/2017

Projeto Ópera na UFRJ apresenta o espetáculo Viva la mamma

Uma ópera divertida, que narra os conflitos do elenco nos bastidores de uma … ópera! Marcando a 20ª montagem do projeto Ópera na UFRJ, a “metaópera” Viva la mamma, uma das mais populares do compositor italiano Gaetano Donizetti, vai estrear no dia 22 de junho, às 19h, no palco do Salão Leopoldo Miguez, da Escola de Música da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). A Escola fica no bairro da Lapa, próxima ao Passeio Público. Com entrada franca e faixa etária livre, o espetáculo – com solistas, coro e a Orquestra Sinfônica da UFRJ – também será apresentado na sexta, dia 23, às 19h; no sábado, dia 24, e no domingo, dia 25, às 16h. Depois da temporada na Escola de Música, ele ganhará novos palcos e será montado na Cidade Universitária, na Ilha do Fundão, no dia 27, e nos teatros municipais de Petrópolis (9 de julho) e Niterói (14, 15 e 16 de julho).

Com adaptação e tradução do maestro Ernani Aguiar, a montagem conta a história de uma companhia de ópera italiana que desembarca no Rio, então capital do Império, em meados do século XIX. No enredo, as disputas de ego entre os artistas, membros da companhia, são narradas ao longo dos ensaios da ópera Romolo e Ersilia, que, na ficção, seria apresentada no teatro imperial São Pedro de Alcântara. Na vida real, esse teatro funcionou nos tempos do Império, exatamente onde hoje está instalado o Teatro Carlos Gomes, na Praça Tiradentes, no Centro. O espetáculo explora, de forma cômica, a realidade e os percalços do fazer operístico da época.

De acordo com a diretora geral do espetáculo, Andrea Adour, que é professora da graduação em Canto da UFRJ, a vinda de companhias operísticas italianas ao Rio era um fato comum na vida cultural do Rio entre o século XIX e o início do século XX. “Eram companhias que deixavam a Itália e cruzavam o Atlântico em navios, muitas vezes em condições insalubres, sem o transporte adequado dos figurinos e cenários. O elenco se aventurava em um novo país, onde ficava exposto a doenças tropicais e nem sempre se hospedava em locais confortáveis. Às vezes, os empresários levavam calote ao desembarcar e não conseguiam montar o espetáculo. Dessas histórias reais, que garimpamos na hemeroteca da Biblioteca Nacional, surgiu a inspiração para adaptar a ópera Viva la mamma no Rio, pois a versão original, de Donizetti, conta a história de uma companhia que iria se apresentar em Nápoles, na Itália”, conta Andrea, que é proponente do projeto apresentado à FAPERJ, contemplado pela Fundação no edital Apoio à Produção e Divulgação das Artes no Estado do Rio de Janeiro.

Na companhia temos Corilla, a prima donna vaidosa pelos seus dotes vocais e artísticos; Procolo, seu marido, que desempenha a função de empresário particular da esposa; Biscroma, o maestro, e Prospero, o poeta, que discutem incessantemente sobre a maior importância do texto ou da partitura; Guglielmo, um tenor alemão incorporado à companhia por acaso na viagem transatlântica, é cantor diletante que não compreende muito bem nem o italiano nem o português; Luigia, a seconda donna do grupo, novata que está fazendo a primeira tournée profissional; Dorotea, veterana que se sente menosprezada, destinada a fazer apenas papeis secundários; o Empresário, que luta para que o espetáculo aconteça apesar do caos; o Inspetor do teatro carioca, que não aguenta tanta confusão; e por fim, Mamma Agata, uma matrona italiana intrometida, convencida de sua grande experiência como artista lírica, que se infiltra na companhia com o objetivo de ver sua filha Luigia conquistar os palcos.

Originalmente intitulada Le convenienze ed inconvenienze teatrali (As convenções e inconvenientes do palco), Donizetti estreou a ópera completa no Teatro della Cannobiana, de Milão, em 20 de abril de 1831. Viva la mamma é considerada a mais moderna das obras do compositor. Uma ópera onde as piadas vêm uma após a outra, dando oportunidade ao autor de parodiar o estilo musical que o fez famoso. Gaetano Donizetti, ao lado de Vincenzo Bellini e Gioachino Rossini, é um dos grandes compositores do bel canto, criando obras como L’elisir d’amore, Don Pasquale e Lucia di Lammemoor.

O coordenador de produção do Ópera na UFRJ, José Mauro Albino, lembra que o projeto já existe há 23 anos e, em 2017, vai apresentar o seu 20º espetáculo operístico. “Desde 2012, a FAPERJ vem apoiando o projeto, pelo edital Apoio à Produção e Divulgação das Artes no Estado do Rio de Janeiro. Em 2015, em decorrência desse apoio, foi lançada a publicação comemorativa Ópera na UFRJ – 20 anos, que recupera, em imagens e textos, toda a memória do projeto e resgata outras experiências de produção operística da Escola de Música”, recorda Albino, que foi coordenador do livro, junto com Márcia Carnaval.

A ópera é um espetáculo completo, que envolve meses de pesquisa, produção e ensaios. A diretora geral de Viva la mamma destaca que um dos méritos do projeto é ser um laboratório transdisciplinar para a produção de óperas pela universidade. Trata-se de uma oportunidade para a prática profissional e expressão artística de alunos de diversas áreas de formação da UFRJ – incluindo a Escola de Música, a Escola de Belas Artes e a Escola de Comunicação, com a participação de alunos da faculdade de Direção Teatral.

“O objetivo do projeto é formar acadêmica e artisticamente os estudantes de graduação dessas áreas. Nessa edição, também teremos a participação de estudantes da pós-graduação da Escola de Música (PPGM), incluindo o mestrado profissional do programa de pós-graduação em Música da UFRJ (Promus)”, diz Andrea. “Os figurinos e cenários são pesquisados e produzidos por estudantes de Indumentária e Cenografia, da Escola de Belas Artes, e da Direção Teatral – que está conduzido a direção cênica junto com outros dois alunos do PPGM. A regência será feita pelo aluno de mestrado profissional em Música Ubiratã Rodrigues. Os solistas são quase todos estudantes da graduação em Canto, pois há um aluno do curso de Licenciatura e outros dois de Regência, e parte da Orquestra Sinfônica da UFRJ também é de estudantes. Queremos abrir espaço para esses alunos, de diversos cursos, conceberem um trabalho de ponta”, conclui.

Confira as datas de apresentação aqui.

Fonte: Comunicação Faperj (texto: Débora Motta).

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