| Em 08/03/2017

Participação das mulheres na ciência deve ser incentivada na educação básica, diz CNPq

O Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), agência do Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (MCTIC), reuniu nesta terça-feira (7), véspera do Dia Internacional da Mulher, coordenadoras de projetos apoiados por chamada pública lançada em 2013 para estimular o ingresso das mulheres nos cursos de ciências exatas, engenharia e computação. Apesar dos impactos positivos do edital, a avaliação é que a ciência brasileira ainda precisa reduzir a desigualdade de gênero.

“Particularmente, a engenharia é uma opção muito interessante e importante, inclusive para o desenvolvimento do País, e a participação das mulheres tem crescido de forma significativa”, disse o presidente do CNPq, Mario Neto Borges.

Para a diretora de Engenharias, Ciências Exatas, Humanas e Sociais do CNPq, Adriana Tonini, a dificuldade em atrair meninas para as carreiras científicas e tecnológicas têm origem na educação básica. “Não adianta a gente pensar em empoderar a mulher somente no topo das universidades. Se você não estiver lá na escola, na família, se os professores não trabalharem essas habilidades com as meninas, vai ser difícil mudar esse quadro”, ponderou. “Temos responsabilidade de transformar isso nas próximas gerações.”

Tonini citou como exemplo da tímida participação feminina na ciência e tecnologia a concessão do Prêmio Almirante Álvaro Alberto a apenas três mulheres. Distribuído desde 1982 a pesquisadores brasileiros que tenham prestado relevante contribuição à ciência, o prêmio só agraciou até o momento Maria Isaura Pereira de Queiroz, em 1997; Maria da Conceição de Almeida Tavares, em 2011; e Magda Becker Soares, em 2015.

Edital

O governo federal lançou a Chamada nº 18/2013 em apoio a propostas de professores universitários que estimulassem jovens mulheres a optar pelas carreiras científicas e tecnológicas. O CNPq dispôs de R$ 11 milhões para a iniciativa, com recursos do MCTIC, Petrobras e Secretaria Especial de Políticas para as Mulheres (SPM).

Segundo a analista Maria Lucia Braga, do CNPq, o edital contemplou 325 projetos em todo o Brasil. “Essa chamada respondeu a um intenso debate, concentrado em 2012 e 2013, mas sempre presente, de que havia necessidade de uma ação mais forte na educação básica, porque a atuação não vinha sendo e não tem sido suficiente apenas no ensino superior”, recordou. “Naquele momento, nós discutimos com várias especialistas e elencamos áreas em que tínhamos prioridade, dentro desses tópicos de conhecimento, onde percebíamos ausência ou pequeniníssima presença feminina.”

Participaram do evento do Dia da Mulher quatro coordenadoras de projetos na Universidade de Brasília (UnB) – Adriana Ibaldo, do Instituto de Física; Aleteia de Araújo, do Departamento de Ciência da Computação; e Dianne Viana e Josiane Aguiar, da Faculdade de Tecnologia. De acordo com os relatos, as iniciativas ajudaram a motivar estudantes de ensino médio e graduação a se interessar pelas áreas de conhecimento priorizadas pela chamada. Maria Braga informou que o CNPq ainda avalia os impactos dos trabalhos.

A professora Lourdes Bandeira, do Instituto de Ciências Sociais da UnB, discutiu a questão na conferência principal do encontro. Para ela, existe uma concepção popular de que cabem às mulheres profissões mais ligadas ao cuidado, “como se houvesse uma diferença biológica que justificasse essa escolha e como se o sexo feminino não fosse capaz de pensamentos mais abstratos”. A socióloga observou que existe uma variedade bem maior de aptidões, independentemente do gênero, e falta de estímulo a meninas.

Na visão de Bandeira, a situação precisa se repensada. “A gente no geral questiona ao jovem de 17 ou 18 anos: ai, você escolheu pedagogia, engenharia, matemática?”, comentou. “Mas a gente tem que se perguntar quais são os valores incutidos por um pai ou uma mãe e que, deslocados para o sistema escolar e a escola primária, determinam, do ponto de vista de uma construção imaginária, uma escolha por uma área. Não é a garota ou o garoto que escolhe. É toda uma socialização consciente e inconsciente que constrói uma memória e que determina a escolha. Então, a política pública fundamental deve começar lá. Não só na escola, mas antes, na família, para que a divisão sexual do trabalho não esteja posta antes de a criança nascer.”

Fonte: Imprensa MCTIC

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