| Em 15/09/2016

Parceria com a Embrapa vai multiplicar ações da Semana Nacional de Ciência e Tecnologia

Embrapa vai abrir as portas para o público durante a SNCT, que será realizada em outubro pelo MCTIC. “Relacionar pesquisa e alimentação sem pensar na Embrapa não faria sentido”, diz diretor de Popularização da Ciência.

O Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (MCTIC) firmou acordo de cooperação técnica com a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) para impulsionar as ações de divulgação e educação científica ligadas à 13ª Semana Nacional de Ciência e Tecnologia (SNCT 2016), que ocorre de 17 a 23 de outubro, com o tema “Ciência alimentando o Brasil”. O acordo foi assinado no dia 9 de setembro.

“Relacionar pesquisa e alimentação no Brasil sem pensar na Embrapa não faria o menor sentido”, comenta o diretor de Popularização e Difusão da Ciência e Tecnologia do MCTIC, Douglas Falcão. “Essa parceria se deu de maneira muito espontânea e tem por objetivo garantir que todas as sedes da Embrapa, no país inteiro, participem da Semana Nacional, de diversas formas.”

Segundo ele, a parceria deve abrir as portas da Embrapa para o público, permitindo a visitação das instalações e laboratórios em todo o país. “Ou seja, a Embrapa vai se abrir para estudantes e para toda a comunidade interessada em conhecer melhor seus projetos e o cotidiano de seus pesquisadores”, explica Falcão. “A gente vê nessa aproximação um exemplo muito forte de como unidades de pesquisa podem e devem ser estimuladas a realizarem iniciativas de comunicação pública da ciência e tecnologia.”

Reconhecimento

Dentro da parceria, MCTIC e Embrapa organizam uma homenagem à engenheira agrônoma Johanna Döbereiner (1924-2000), tcheca naturalizada brasileira responsável por desenvolver a tecnologia de fixação biológica de nitrogênio no solo. O método inovador consiste na inserção de bactérias Rhizobium em sementes para que os organismos celulares sirvam de adubo natural. A técnica tornou o cultivo no cerrado, cujo solo tem elevada acidez, mais barato e natural por meio da substituição de fertilizantes nitrogenados – insumo caro e poluente. O método transformou o cerrado em área altamente produtiva.

Parte das homenagens à pesquisadora será feita no Museu de Astronomia e Ciências Afins (Mast), unidade do MCTIC no Rio de Janeiro, com uma programação que inclui relatos de ex-colegas sobre a trajetória de mais de 30 anos de Döbereiner na Embrapa, além de uma mesa-redonda sobre seu legado. O processo de fixação de nitrogênio no solo gera economia anual de US$ 10 bilhões na cadeia da soja.

O diretor do MCTIC espera que a iniciativa de homenagear pesquisadores se perpetue nas próximas edições da SNCT. “A gente não está tirando essa ideia do nada”, ressalta. “Ela se respalda nos resultados da série Percepção Pública da Ciência e Tecnologia no Brasil. Os estudos de 2006, 2010 e 2015 mostram um resultado aparentemente muito contraditório: o brasileiro tem uma visão positiva da ciência, reconhece seu valor na sociedade, mas, por outro lado, não conhece os cientistas brasileiros. Apenas 6% dos respondentes foram capazes de dizer o nome de um pesquisador ou pesquisadora. E só 12% conseguiram mencionar o nome de uma instituição que faz pesquisa no país.”

Realizada pelo Centro de Gestão e Estudo Estratégicos (CGEE), o levantamento de 2015 apontou que 61% dos entrevistados demonstravam interesse por ciência e tecnologia – índice superior à média registrada na União Europeia, onde 53% das pessoas declararam interesse por esse setor.

“Não vamos culpar a população, evidentemente”, diz Falcão. “Na verdade, quem faz a divulgação de ciência é que tem que tomar para si o papel de apresentar os pesquisadores brasileiros e as instituições que fazem pesquisa no Brasil. E nesse sentido, a partir deste ano, a SNCT passa, a cada edição, a escolher um pesquisador brasileiro de destaque no tema da vez e divulgá-lo pelo país. Isso, por tabela, também acaba por notabilizar as instituições.”

Edital

A parceria entre MCTIC e Embrapa vai focar os estados do Acre, Amapá e Tocantins, que, juntos, tiveram apenas um projeto aprovado pelo edital de apoio às atividades da 13ª edição. Primeiro concurso de financiamento direto da história da SNCT, a chamada pública selecionou 94 projetos para receber o valor total de R$ 4,3 milhões.

No Tocantins, a SNCT ocorre na Embrapa Pesca e Aquicultura, de Palmas, com abrangência nos municípios de Aparecida do Rio Negro, Lajeado, Miracema do Tocantins, Novo Acordo, Paraíso do Tocantins, Porto Nacional e Santa Tereza do Tocantins. A proposta engloba quatro eventos: ciclo de palestras in loco sobre sistemas de produção sustentável; jornada científica de bolsistas e estagiários; oficina de avaliação e consolidação de metodologia dos resultados alcançados pela iniciativa de inserção de pescadores artesanais no mercado institucional, já em execução no estado; e estímulo a atividades didáticas voltadas ao público infantil, em busca de reforçar a conscientização e o consumo regular de pescado na alimentação.

Já no Amapá, a Embrapa de Macapá planeja popularizar conhecimentos e tecnologias para o desenvolvimento sustentável da produção alimentícia na capital e nos municípios de Mazagão e Porto Grande. O projeto indica que o estado ainda depende da importação de alimentos básicos de outras unidades da federação. Dentre as atividades, estão jornadas científicas, palestras sobre agroecologia, coleta seletiva associada à compostagem doméstica e uso de biofertilizantes, visitas monitoradas a campos experimentais e laboratórios, orientações em torno de técnicas de Integração Lavoura-Pecuária-Floresta (iLPF) e uma feira de agricultura familiar.

A Embrapa Acre, em Rio Branco, realiza atividades na capital e na aldeia indígena Puyanawa, no município de Mâncio Lima, em parceria com a Secretaria de Estado de Ciência e Tecnologia (Sect). A programação se concentra de 13 a 25 de setembro, no Centro de Convenções da Universidade Federal do Acre (Ufac), em paralelo à Mostra de Educação, Ciência, Tecnologia e Inovação do Estado do Acre – Viver Ciência. O projeto inclui atividades culturais e recreativas, apresentação de pôsteres, distribuição de cartilhas, experimentos científicos, minicursos, oficinas e palestras. Estão previstas visitas à trilha ecológica da Andiroba – uma área de floresta nativa – e a laboratórios de clonagem vegetal e de processamento de leite.

Fonte: Imprensa MCTIC

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