| Em 05/09/2016

Interdisciplaridade no Sistema Nacional das FAPs é objeto de artigo

Interdisciplinaridade no Sistema Nacional das Fundações Estaduais de Amparo à Pesquisa.  Assim se intitula capítulo de livro que em breve será lançado pela Editora Manole (SP). Em formato de artigo, o capítulo tem a autoria dos professores Gilberto Montibeller, da FAPESC  (Fundação de Amparo à Pesquisa e Inovação de Santa Catarina), e Sergio Gargioni, presidente desta Fundação e também presidente do CONFAP (Conselho Nacional das Fundações de Amparo à Pesquisa). Antecipamos abaixo o referido artigo, lembrando que a imagem é meramente ilustrativa de outro livro da editora, sobre tema correlato.

 

Interdisciplinaridade e FAPs

Com o objetivo de analisar o advento e a institucionalização da multi e interdisciplinaridade no sistema de Fundações Estaduais de Amparo à Ciência, Tecnologia e Inovação ou Fundações de Amparo à Pesquisa (FAPs), temos inicialmente uma revisão da noção de multi e interdisciplinaridade (ID) e a indicação de  como o conceito é assumido no trabalho; também, que pode haver diversos graus de ID, desde fraco até forte. Em seguida, observamos os componentes de operacionalização do conceito, considerando suas principais dimensões e elementos constitutivos. Com a base conceitual e operacional definida, são analisados programas e projetos selecionados por seu potencial de conter ID, no âmbito do Sistema Nacional de Fundações de Amparo à Pesquisa –  sistema formado pelas FAPs, os organismos nacionais a que essas são filiadas e as agências federais com as quais cada fundação convenia.

A análise realizada contempla programas de pesquisa de caráter internacional; projetos de caráter nacional; e programas/projetos de pesquisa científica e de P&D/Inovação no âmbito das Fundações.

Primeiramente, temos a análise dos programas internacionais. Assim, observamos as  características que indicam a presença ou não de ID  nos recentes acordos e convênios que muitas Fundações, mediante a liderança do CONFAP e de forma pioneira, firmaram com outros países. São pesquisas realizadas em conjunto por grupos brasileiros (do Estado que sedia a respectiva FAP) e grupos estrangeiros. É o caso, por exemplo, de acordo com o governo britânico, em pesquisas financiadas pelo Fundo Newton e pelas FAPs participantes. Foram consideradas a heterogeneidade dos grupos para o desenvolvimento de temáticas com conteúdo interdisciplinar, assim como a análise dos convênios e dos editais de chamadas públicas de projetos.

Nas pesquisas de âmbito nacional apoiadas por órgãos federais e pelas FAPs, para verificar sua interdisciplinaridade, temos o levantamento junto aos projetos executados pelos Institutos Nacionais de Tecnologia e Inovação (INCTs).  Os institutos são redes integradas por grande número de pesquisadores e instituições, em torno de um tema central. Existem em atividade 122 INCTs. Desses, foram selecionados para examinar em detalhes aqueles cuja temática, em princípio, indica tratar-se de um problema para o qual a mais adequada seria a abordagem ID.

Para examinar a questão interdisciplinar na pesquisa em âmbito estadual, temos a análise de alguns programas e projetos apoiados pela FAPESC  –  a opção deveu-se à facilidade de acesso aos dados, por ser a instituição de vínculo dos autores. Temos, também no âmbito dos estados, a análise de recentes editais de chamadas públicas lançados por algumas FAPs, para verificar a existência ou não de mecanismos de indução à pesquisa multi e interdisciplinar nos critérios de avaliação de mérito técnico-científico dos editais de chamamento de propostas.

A atenção que damos para a presença de interdisciplinaridade decorre da elevada importância desta abordagem nas pesquisas em geral. Seja para problemas atuais que apresentam crescente complexidade como para questões antigas persistentes, compreendê-las profundamente, de forma integral, holística e assim contribuir para a sua superação ou mitigação, a ID se apresenta, hoje, como a forma mais adequada e viável.  ID implica em integração, interatividade, ligamento, colaboração de diversas disciplinas de diferentes áreas do conhecimento enfocando uma questão ou problema. No estágio mais avançado da complexidade temos a transdisciplinaridade: implica transcender, transgredir, transformar os métodos e paradigmas. Podemos então ver a interdisciplinaridade como uma posição intermediária entre, de um lado, uma complementaridade de distintas abordagens sobre um tema (Multi) e, de outro, a integração plena e híbrida (Transdisciplinar).

Um exemplo de interdisciplinaridade em forte grau (ID Forte) observamos na rede de pesquisas INCT Mudanças Climáticas. O instituto é constituído por 90 grupos de pesquisas, com mais de 400 participantes. Estão envolvidas 65 instituições, nacionais e internacionais.  No quadro de pesquisadores constam biólogos e físicos, além de especialistas nas áreas de meteorologia, engenharia, economia, ecologia, geociências, oceanografia, geografia, antropologia e ciências atmosféricas. É grande o número de artigos científicos, todos de produção em equipe e publicados em periódicos de diversas áreas do conhecimento. Os elementos essenciais da interdisciplinaridade estão presentes neste caso, pelos indicadores considerados, a saber: integração no grupo e entre grupos e com as instituições; internacionalização; diversidade de formação dos pesquisadores em áreas do conhecimento distantes entre si; envolvimento de instituições; publicações em grupos e em periódicos de amplo espectro. Mas este é o único caso de ID Forte que encontramos em todos os programas e projetos examinados.

Os desafios para a maior disseminação da abordagem ID são grandes, porquanto ainda está muito presente, e não só no Brasil, a visão disciplinar. Para ampliar

pesquisas com enfoque ID as agências de fomento à pesquisa possuem instrumentos capazes de fomentar e disseminar a interdisciplinaridade. No texto do capítulo aqui referido, após a análise desses instrumentos e de como são utilizados atualmente, os autores apresentam uma contribuição em forma de sugestões aos órgãos de fomento à pesquisa e inovação nacionais e estaduais, para que tenhamos avanços significativos na direção apontada como a mais indicada para a melhor solução aos problemas sociais.

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Montibeller, GF; Gargioni, S. Interdisciplinaridade no Sistema Nacional de Fundações Estaduais de Amparo à Pesquisa (Cap 7).  In:  Philippi Jr, A; Fernandes, V; Pacheco, RCS. Ensino, pesquisa e inovação: desenvolvendo a interdisciplinaridade. SP: Ed. Manole (no prelo).

 

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