| Em 22/03/2016

Rondônia investe em pesquisas para diminuir incidência de diarreia

Segunda causa de mortalidade infantil no mundo, de acordo com dados da Organização Mundial de Saúde (OMS), a diarreia encontrou em Rondônia, apesar do ambiente fértil, uma importante trincheira na ciência, que pesquisa desde 2002 as ocorrências, com a identificação dos tipos de vírus e bactérias, que facilitam o diagnóstico e o consequente tratamento.

De acordo com a bióloga Najla Benevides Matos, com o andamento das pesquisas foi possível identificar quatro tipos, de vírus – norovírus, rotavírus, astrovírus e adenovírus -, responsáveis por todos os casos de diarreia e suas complicações em Rondônia. Como resultado, praticamente se eliminou a receita comum de antibióticos e outros medicamentos para o combate da sintomatologia causada por esses agentes virais – febre, vômito e diarreia -, passando a atacar diretamente o tipo de vírus isolado.

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A pesquisadora destacou também que as pesquisas se basearam no Hospital Infantil Cosme e Damião, onde foi possível constatar vários casos de diarreia causados pela associação de um tipo de vírus com bactérias patogênicas, criando a chamada co-infecção, patologia que exige um tratamento mais apurado. Este, na verdade, era um quadro que dificultava o tratamento por falta de um diagnóstico preciso, situação que progressivamente tem melhorado com os resultados das pesquisas. Najla Matos defendeu a necessidade de continuação das pesquisas, ressaltando o papel e a importância de órgãos apoiadores (financiadores).

Neste sentido, a bióloga informou que com os recursos destinados pelo Governo de Rondônia, por meio da Fundação de Amparo às Pesquisas Científicas de Rondônia (Fapero), foi possível identificar vírus e tratar de várias doenças respiratórias em Rondônia. É preciso esclarecer que, fora as patologias infecciosas, as doenças respiratórias são a primeira causa de mortes no mundo, segundo os mesmos dados da OMS.

Para se ter ideia, ao custo de R$ 31,03 mil, pela primeira vez em Rondônia e na Amazônia Ocidental foi possível identificar o perfil epidemiológico molecular dos principais vírus causadores de infecções respiratórias agudas em crianças de Porto Velho.

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Os recursos oriundos do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) são utilizados nas pesquisas da equipe formada por médicos, biólogos e técnicos de laboratório do Centro de Pesquisa em Medicina Tropical (Cepem) da Fundação Oswaldo Cruz, Programa de Pós-Graduação em Biologia Experimental, da Universidade Federal de Rondônia e Hospital Infantil Cosme e Damião, de Porto Velho.

Com a experiência de quem atua há sete anos pesquisando a diarreia em Porto Velho, a bióloga Najla Matos observou que as condições de Rondônia, principalmente em relação ao saneamento básico, exigem um esforço permanente para o controle dessas doenças. “Não podemos pesquisar por um ano e parar as pesquisas por dois anos”, disse ao defender a continuidade das parcerias de apoio à pesquisas (financiamentos), tanto de âmbito federal (CNPq) como estadual (Fapero).

Ligada à Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) em Rondônia e ao Centro de Medicina Tropical de Rondônia (Cepem), onde dispõe de um avançado laboratório de microbiologia, Najla Matos informa que com apoio e base no Hospital Infantil Cosme e Damião, as pesquisas atingiram 591 crianças, das quais 30% apresentaram algum tipo de vírus, além dos pesquisados inicialmente, que agravaram os sintomas da diarreia.

Fonte: FAPERO
Texto: Cleuber R Pereira
Fotos: Maicon Lemes

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