| Em 21/01/2026

Revistas científicas apoiadas pelo Governo de Alagoas avançam em índice federal de qualidade

(Foto: Divulgação/Fapeal)

A produção científica alagoana está em alta. A Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes), agência ligada ao Ministério da Educação, acaba de divulgar o novo Qualis – sistema que avalia e classifica a qualidade dos periódicos científicos brasileiros, com base nos programas de pós-graduação – e nesse ranking, sete dos onze periódicos alagoanos apoiados pelo Governo de Alagoas avançaram no índice de qualificação federal.

Os maiores destaques foram para a Diversitas Journal, revista científica multidisciplinar da Universidade Estadual de Alagoas (Uneal), que subiu do Qualis B3 para o A2, galgando cinco posições no ranking, e para a revista Crítica Histórica, da Universidade Federal de Alagoas, que subiu de A3  para A2. Ambas alcançaram o nível de publicação de qualidade internacional.

Os resultados são referentes à avaliação quadrienal (2021-2024) da pós-graduação no país, realizada pela Capes. Nela, o índice Qualis avalia e distribui a classificação dos periódicos científicos brasileiros nos estratos A1 a A4; B1 a B4; e C. Os dois índices de qualidade internacional são A1 – o mais alto possível, que contempla as publicações de referência global em sua área do conhecimento -, e A2. Os índices A3 e A4 indicam periódicos de excelência nacional, nas respectivas áreas. Os índices B apontam para representatividade regional.

Em Alagoas, 11 revistas científicas são fomentadas pelo Estado, por meio da Fundação de Amparo à Pesquisa (Fapeal) e da Secretaria da Ciência, da Tecnologia e da Inovação (Secti-AL), com recursos do Programa Mais Ciência, Mais Futuro.

Incentivo à produção científica

Os periódicos científicos são responsáveis pela publicação do conhecimento produzido pelos cientistas no Brasil e no mundo.

Em Alagoas, o Estado assegura uma política específica de apoio às revistas produzidas pelos programas de pós-graduação (PPGs) locais, incluindo incentivos como o “Edital de Periódicos” – que contemplou 11 revistas em sua edição mais recente -, o “Prêmio de Excelência Acadêmica” e o projeto “Periódicos Alagoas em Foco”.

O professor João Vicente Lima, diretor executivo de CT&I da Fapeal, explica que a avaliação da Capes torna possível verificar a importância da política pública, destacando que pesquisadores do mais alto nível, de todo o Brasil, começam a vir publicar nas revistas alagoanas:

“Nossos periódicos ganham visibilidade nacional e internacional. Muda completamente a posição deles no cenário brasileiro e mundial. Publicar apenas artigos de pesquisadores com vínculos locais (endogenia) é um dos critérios que a Capes avalia negativamente, em todo o Brasil”, diz ele.

Professor João Vicente Lima, diretor executivo de CT&I da Fapeal (Foto: Divulgação/Fapeal)

Sobre os periódicos

Uneal: Destaque entre os sete periódicos que subiram de nível, a Diversitas Journal, da Universidade Estadual de Alagoas (Uneal), foi criada em 2016. Multidisciplinar, a revista subiu cinco posições nesta avaliação, passando do Qualis B3 para o A2 e alcançando o nível de publicação de qualidade internacional.

Sobre essa conquista, o engenheiro agrônomo, doutor em biotecnologia, pesquisador da produção leiteira e editor chefe da revista, professor José Crisólogo, comenta: “A Diversitas Journal completou 10 anos com esse grande feito. Deixo um agradecimento especial a todos os professores, avaliadores e autores que acreditaram no potencial da revista. Esse reconhecimento exige mais profissionalismo e empenho para continuar publicando ciência de qualidade. Agradecimentos também à Fapeal, Secti e Uneal, pelo apoio fundamental nesse desenvolvimento”, comemorou.

Ufal : As demais revistas apoiadas pelo edital de periódicos da Fapeal são vinculadas à PPGs da Universidade Federal de Alagoas (Ufal). A revista Crítica Histórica (PPG História) subiu de A3 (excelência nacional) para A2 (nível internacional), tornando-se o periódico científico mais bem consolidado do estado.

Outro destaque é a Revista Lampião (PPG Filosofia), que subiu quatro posições no Qualis, passando de C para B1. O periódico Ciência da Informação em Revista, do PPG de Ciências da Informação (PPGCI) progrediu de B1 para A3.

A Revista Contexto Geográfico (IGDEMA) subiu de A4 para A3. As revistas Ciência Agrícola (CECA) e Economia Política do Desenvolvimento (FEAC) subiram de B4 para B3. As Revistas Leitura (PPGLL), Mundaú (PPGAS, Antropologia) e Debates em Educação (CEDU) estão no Qualis A3, e a Latitude Revista (Ciências Sociais), no B2.

Projeto de gestão editorial

Além do edital para os periódicos e do prêmio que contempla publicações de Alagoas em revistas Qualis A, a Fapeal convidou o professor Ronaldo Araujo (PPCI UFAL) para desenvolver uma ação estruturante, voltada à profissionalização da gestão editorial dos periódicos e ao apoio aos editores. O projeto ganhou o nome de “Periódicos Alagoas em Foco”.

Araujo é doutor em Ciências da Informação, com pós-doutorado na Holanda. Seu trabalho tem um foco consistente em gestão da informação e comunicação de CT&I.

Ele explica que o novo Qualis da Capes evidencia um esforço de atualização dos critérios de avaliação das revistas científicas brasileiras, valorizando cada vez mais a qualidade da gestão editorial, a regularidade das publicações, as boas práticas científicas e a inserção em bases qualificadas. “Nesse cenário, a elevação do estrato Qualis das revistas de Alagoas é um resultado expressivo e revela um processo consistente de amadurecimento editorial no estado”, observa.

“Esse avanço não ocorre sem investimento. Manter uma revista científica de qualidade no Brasil envolve desafios significativos, como a profissionalização da gestão editorial, a qualificação dos processos de avaliação por pares, os custos de editoração e a capacitação contínua das equipes. Por isso, o apoio das agências de fomento é decisivo. A atuação da Fapeal tem sido estratégica ao investir na qualificação das revistas científicas, fortalecendo a comunicação científica em Alagoas”, explicou o pesquisador. As despesas com tradução também estão incluídas.

Para Ronaldo Araujo, trata-se de um resultado que valoriza o trabalho, muitas vezes invisível, de editores e equipes técnicas, e que demonstra o impacto positivo de políticas públicas de fomento. “Para a comunidade científica de AL, essa conquista fortalece a autoestima institucional, amplia a visibilidade da ciência produzida no estado e cria melhores condições para a consolidação da pós-graduação e a formação de novos pesquisadores”, conclui.

Em nome do Governo de Alagoas, a Fapeal parabenizou todos os editores e editoras dos periódicos científicos, e destacou que essa evolução é fruto do compromisso acadêmico e do uso responsável dos investimentos públicos em Ciência, Tecnologia e Inovação, praticados pelo Estado.

Fonte: FAPEAL (Por: Agência Alagoas e Naísia Xavier/Ascom Fapeal)

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