| Em 26/11/2015

Projetos de pesquisa com apoio da Fapeam fortalecem a aquicultura no Amazonas

O Governo do Estado, por meio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Amazonas (Fapeam), tem investido no cenário de aquicultura do Amazonas por meio de projetos de cunho científico que contribuem para o conhecimento e transferência de tecnologia a produtores rurais e indústria.

Um dos estudos desenvolvidos é o da doutora em Ecologia e Recursos Naturais, Elizabeth Gusmão, do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa), que avaliou a exigência nutricional do pirarucu, em termos de proteína e ingredientes alternativos para substituir o principal insumo na fabricação de ração animal, a farinha de peixe, que hoje é o ingrediente mais caro dentro da formulação da ração, responsável por até 80% do custo total da produção.

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Segundo Gusmão, existe uma grande possibilidade de substituir a farinha de peixe pelo farelo de soja, o que deixaria o produto mais barato para os produtores.

“Estamos agora, aumentando a porcentagem em até 60% da farinha de peixe substituindo pelo farelo de soja. Se os resultados forem positivos, isso pode beneficiar muito a cadeia produtiva, principalmente o pirarucu, que é um dos principais peixes de interesse para a piscicultura”, explicou.

A previsão é que a validação da pesquisa seja feita até 2016. A ideia é que os resultados do estudo sejam repassados para produtores e para a indústria de ração.

Coordenadora do Curso de Pós-graduação em Aquicultura da Universidade Nilton Lins e do Inpa, Gusmão também lançou a cartilha ‘Fundamentos da criação de peixes na Amazônia’, com apoio da Fapeam, por meio do Programa de Apoio a Publicação Científicas (Biblos). A cartilha tem por objetivo fornecer ao pequeno produtor da Amazônia noções básicas de como iniciar uma piscicultura na região abordando temas como planejamento, espécie a ser cultivada, construção de viveiros, qualidade da água, alimentação e doenças que afetam os peixes.

De acordo com a pesquisadora, essas informações são fundamentais para uma melhor produção e rentabilidade da atividade. “Apresentamos de uma forma fácil, tudo isso, para estimular o interesse sobre esta prática de produção agropecuária para qualquer profissional, e assim contribuir com os pequenos produtores para um melhor entendimento sobre a teoria e a prática em piscicultura no Amazonas”, disse a pesquisadora.

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Ração animal a partir de microrganismos encontrados na água

Outra pesquisa desenvolvida no Amazonas pretende produzir alimentação animal a partir do cultivo intensivo de microrganismos presentes na água, os zooplânctons.

O nutriente é considerado importante para a vida dos peixes por ser o primeiro

alimento a ser consumido pelas espécies.

A pesquisa intitulada ‘Projeto Zooplâncton: produção biotecnológica intensiva de organismos aquáticos para a indústria de alimentação animal’ conta com recursos do governo do Estado, por meio do Programa de Subvenção Econômica à Inovação (Tecnova/AM), da Fapeam.

De acordo com o coordenador do projeto, Paulo Amaral Júnior, como o zooplâncton já é consumido pelos peixes no ambiente natural, a ideia é utilizá-lo como ingrediente para agregar valor nutricional à ração.

“Para que a gente consiga subsidiar essa produção de uma ração com esse tipo de organismo é preciso produzir uma biomassa de zooplâncton para, assim, poder fornecer às indústrias de produção de ração animal”, disse o pesquisador.

A transformação da Amazônia Legal em uma potência nacional em produção de pescado para o País é o tema central do debate da 6ª edição do Encontro de Negócios da Aquicultura da Amazônia (Enaq 2015) promovido pela Secretaria de Estado de Produção Rural e Sustentabilidade (Sepror) e Superintendência da Zona Franca de Manaus (Suframa), que acontece até sábado (21). O evento faz parte da programação da Feira Internacional da Amazônia (Fiam).

Abertura oficial do evento foi realizada na manhã da última quarta-feira (18), na Faculdade de Estudos Sociais (FES), da Universidade Federal do Amazonas (Ufam).

Na ocasião, o secretário executivo de Pesca e Aquicultura no Amazonas, Geraldo Bernardino, disse que uma das atividades que mais cresce no mundo é a aquicultura, e que o Estado precisa utilizar mais os recursos oriundos da biodiversidade amazônica para se tornar mais competitivo no mercado.

“A ideia é gerar emprego e renda para a população, principalmente, utilizando espécies como tambaqui, pirarucu, matrinxã e surubim”, finalizou.

Texto: Esterffany Martins /Agência Fapeam

Fotos: Érico Xavier / Agência Fapeam

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