| Em 08/08/2023

Projeto que desenvolve dispositivos robóticos para pacientes atendidos pelo SUS tem apoio financeiro da Fapes

A pesquisa está desenvolvendo uma prótese robótica de perna capaz de interpretar e realizar o movimento que o paciente emite pelo cérebro. (Foto: Prof. Rafhael Milanezi)

Desenvolver dispositivos robóticos para reabilitação e assistência de pessoas que são atendidas pelo Sistema Único de Saúde (SUS) é o objetivo do projeto desenvolvido por pesquisadores da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes), coordenado pelo professor do Departamento de Engenharia Mecânica da Universidade, Rafhael Milanezi. O projeto conta com apoio financeiro da Fundação de Amparo à Pesquisa e Inovação do Espírito Santo (Fapes).

Um desses dispositivos robóticos inovadores que já está em fase avançada é uma prótese robótica de perna para pessoas amputadas que emprega motores, robôs e sensores, além de um computador e uma bateria, sendo capaz de interpretar e realizar o movimento que a pessoa emite pelo cérebro, permitindo assim ter mais mobilidade, o que as difere das outras próteses mais comuns. A prótese ainda está na fase inicial de testes com pessoas.

O coordenador do projeto conta que a prótese é uma forma de melhorar a qualidade de vida de pessoas amputadas atendidas pelo SUS. “O SUS faz um trabalho excelente de assistência. Acompanha o processo de cirurgia, reabilitação e entrega da prótese, mas as próteses entregues são passivas que só reagem ao movimento da pessoa. Pensando em oferecer mais conforto e uma melhora na qualidade de vidas dessas pessoas, estamos desenvolvendo essa prótese que é capaz de realizar o movimento para a pessoa, além de ser mais flexível e oferecer mais mobilidade utilizando uma tecnologia avançada e inovadora”, explicou Rafhael Milanezi.

A tecnologia que os pesquisadores utilizam na prótese ainda não é desenvolvida no Brasil. A prótese, por utilizar uma tecnologia muito nova, não tem muitos pesquisadores que a desenvolvam e o preço, no mercado internacional, é muito alto, segundo o coordenador. “A ideia é desenvolvermos essa tecnologia, utilizada para fazer a prótese, no Brasil para conseguirmos reduzir custos e tornar mais acessível. Logo, o financiamento da Fapes é fundamental para conseguirmos ter recursos suficientes e desenvolver essa tecnologia aqui”, destacou.

Milanezi ressaltou ainda que tem outros dispositivos em desenvolvimento, mas que os equipamentos estão em uma fase menos avançada do que a prótese de perna.

O projeto intitulado “Dispositivos Robóticos Inteligentes para Auxilio à Mobilidade, Monitoramento e Reabilitação de Pacientes Atendidos pelo Sistema Único de Saúde (SUS)”, foi contemplado na chamada lançada pela Fapes em parceria com o Ministério da Saúde por meio do Departamento de Ciência e Tecnologia da Secretaria de Ciência, Tecnologia e Insumos Estratégicos (Decit/SCTIE/MS), o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e a Secretaria da Saúde (Sesa). O projeto recebeu um suporte financeiro de R$ 138.796,00, provenientes de um convênio no âmbito do PPSUS entre o Ministério da Saúde/CNPq e a Fapes, especificado no Edital de Nº 09/2020 – Programa de Pesquisa para o SUS (PPSUS).

(Foto: Prof. Rafhael Milanezi)

Para o diretor-presidente da Fapes, Denio Arantes, chamadas públicas como o PPSUS impactam diretamente na vida dos cidadãos por fomentarem a melhoria do sistema de saúde público, por meio da pesquisa científica, tecnológica e de inovação.

“Temos uma enorme satisfação quando um projeto que a Fapes financia desenvolve algo que traz benefício real à sociedade, como é o caso deste projeto da Ufes. Principalmente por se tratar de um tema delicado e que, com certeza, vai trazer maior autonomia para as pessoas amputadas que não têm condição financeira de comprar próteses robóticas. Investir em pesquisa, tecnologia e inovação é investir no cidadão”, declarou o Denio Arantes.

Edital PPSUS 

O PPSUS é uma chamada pública para selecionar projetos de pesquisa científica, tecnológica e de inovação que promovam a melhoria da qualidade da atenção à saúde pública no Espírito Santo.

Pesquisadores com título de doutorado em exercício efetivo de atividade de pesquisas em instituições de ensino superior e/ou pesquisa capixabas puderam submeter suas propostas. Foram disponibilizados mais de R$ 2 milhões oriundos do PPSUS (Ministério da Saúde/CNPq) e da Fundação para apoiar financeiramente os projetos contemplados.

Ao todo, 46 propostas foram submetidas na chamada pública e dessas, 18 foram escolhidas. O edital do PPSUS é estruturado pelo Decit, Sctie/MS Ministério da Saúde e parceiros que tem por objetivo fortalecer o desenvolvimento de projetos de pesquisa que busquem soluções para as prioridades de saúde e atendam às peculiaridades e às especificidades de cada Unidade Federativa (UF).

 

Fonte: FAPES (Por: Rafaela Aguiar/Ascom Fapes)

 

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