| Em 26/03/2016

Projeto promove mais autonomia nas construções informais

Desenvolver instrumentos para a produção do espaço cotidiano com mais autonomia por parte da população que vive em ocupações informais, como vilas, favelas e quilombos, entre outras formas de moradia. Esse é o objetivo do projeto Tecnologias sociais para a recuperação do espaço cotidiano, coordenado pela professora Silke Kapp, da Escola de Arquitetura e Urbanismo, da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). O projeto tem o apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Minas Gerais (FAPEMIG).

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A moradora Luciana Neves, da ocupação Dandara, no bairro Céu Azul, região de Venda Nova, em Belo Horizonte, participou de uma das ações intitulada Arquitetura na periferia: uma experiência de assessoria técnica para um grupo de mulheres, que integrou a dissertação de mestrado desenvolvida por Carina Guedes no Programa de Pós-graduação em Arquitetura e Urbanismo da UFMG. “Eu morei em ocupação minha vida toda e pensei que nunca teria contato com o trabalho de arquitetos e engenheiros, pois é algo muito distante de nós. Normalmente, a gente quebra e faz de novo até um dia a casa ficar do jeito que a gente quer. Com o grupo, eu pude colocar o meu jeito no projeto da minha casa. Além disso, nós sempre ficávamos na cozinha para os homens fazerem a construção e agora a gente se dividiu e vai para a construção também. Até ajudei a cavar a fundação, fazer o reboco e a laje da minha casa”, declara Luciana.

O projeto integra o grupo de pesquisa Morar de Outras Maneiras (MOM), fazendo parte de uma investigação mais ampla para desenvolver procedimentos técnicos que sirvam às comunidades, mas sem paternalismo nem assistencialismo. Os novos métodos partem de experiências com ocupações urbanas organizadas, quilombos, grupos ciganos ou mesmo egressos de hospitais psiquiátricos que encontraram novas maneiras de morar após a Reforma Psiquiátrica.

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Diante disso, Silke Kapp afirma que um dos grandes desafios é que os arquitetos se ocupem de inventar maneiras de apoiar as pessoas nas habilidades e no potencial que elas têm. Assim poderão realizar suas próprias visões em vez de apenas receberem soluções prontas dificilmente atendem suas necessidades concretas. “A continuidade de projetos de pesquisa desse tipo por um tempo mais longo é importante para amadurecer formas de atuação profissional e para capacitar os alunos nesse sentido, pois quando se formarem e ocuparem cargos profissionais, podem fazer a diferença. Que grupos de pesquisa acadêmicos atuem nas comunidades é interessante, mas não melhora nossas cidades se não levar a novas práticas fora da academia”, conclui a pesquisadora.

Fonte: Assessoria de Comunicação Social FAPEMIG

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