| Em 04/11/2026

Projeto de Goiás recebe reconhecimento internacional da ONU por inovação na agricultura

Iniciativa apoiada pelo Governo de Goiás, por meio da Fapeg, foi selecionada pela Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura por ampliar o acesso a tecnologias que tornam a produção rural mais sustentável (Foto: Divulgação)

Um projeto desenvolvido em Goiás para levar soluções biológicas ao campo conquistou reconhecimento internacional. O Centro de Excelência em Bioinsumos (Cebio), vinculado ao Instituto Federal Goiano (IF Goiano), foi selecionado como “Experiência Excepcional” pela Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO), na iniciativa Experiências que Transformam 2026 — Bioinsumos e plásticos na agricultura.

O reconhecimento destaca uma experiência que aproxima a pesquisa científica dos produtores rurais, ampliando o acesso a tecnologias e políticas públicas voltadas ao uso de bioinsumos. Esses produtos, desenvolvidos a partir de organismos vivos ou de seus derivados, podem ser utilizados no controle de pragas, na melhoria do solo e no desenvolvimento das plantas, reduzindo a dependência de determinados produtos químicos e contribuindo para uma agricultura mais sustentável.

Criado em dezembro de 2021 pelo Governo de Goiás, por meio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Goiás (Fapeg), o Cebio nasceu com a proposta de transformar conhecimento científico em soluções acessíveis para o campo. Desde então, a Fundação destinou mais de R$ 20 milhões à estruturação do projeto, viabilizando instalações de pesquisa, unidades de produção de bioinsumos, formação de profissionais e desenvolvimento de tecnologias.

A experiência reconhecida pela FAO destaca justamente essa capacidade de conectar ciência, políticas públicas e necessidades dos produtores, contemplando desde pequenas propriedades da agricultura familiar até grandes lavouras de grãos.

Da pesquisa ao campo

Um dos diferenciais do Cebio é sua atuação descentralizada. Em vez de concentrar as atividades em um único laboratório, o Centro mantém uma rede de unidades distribuídas por diferentes regiões de Goiás, aproximando pesquisadores e produtores rurais.

As Unidades de Referência em Bioinsumos estão instaladas em Rio Verde, Urutaí e Morrinhos, onde são desenvolvidas pesquisas e novas tecnologias. Já as Unidades de Transferência de Tecnologia funcionam em Anápolis, Campos Belos, Catalão, Ceres, Cristalina, Goiânia, Hidrolândia, Iporá e Posse, com a missão de levar o conhecimento científico à prática agrícola.

Essa estrutura permite que soluções desenvolvidas nos laboratórios sejam testadas, aperfeiçoadas e compartilhadas com quem produz alimentos.

Entre os resultados das pesquisas estão estudos sobre o uso de vírus que atacam bactérias, conhecidos como bacteriófagos, para combater uma doença que afeta o tomateiro. Os experimentos identificaram potencial de controle da mancha bacteriana com eficiência equivalente à de defensivos químicos utilizados como referência.

Outra linha de pesquisa investiga o fungo Metarhizium anisopliae no combate ao percevejo-marrom, uma das pragas que prejudicam as lavouras de soja. Os estudos observaram a interrupção da alimentação do inseto poucos dias após a aplicação, indicando o potencial dessa alternativa de controle biológico.

São exemplos de como a pesquisa científica pode contribuir para enfrentar problemas concretos da agricultura, com possibilidades de redução de custos e de impactos ambientais.

Tecnologia ao alcance de pequenos produtores

O trabalho do Cebio também busca ampliar o acesso à inovação entre agricultores familiares, comunidades quilombolas e povos tradicionais, que nem sempre dispõem dos mesmos recursos tecnológicos das grandes propriedades.

Uma das iniciativas é o CebioEntrega, projeto que promove a distribuição gratuita de microrganismos de interesse agrícola a produtores familiares e cooperativas, observando critérios de segurança e a legislação aplicável. A proposta é facilitar o acesso a alternativas biológicas e incentivar sua utilização na produção rural.

Além de desenvolver tecnologias, o Centro investe na formação de profissionais. Atualmente, reúne mais de 400 pesquisadores e conta com 300 alunos matriculados na especialização gratuita em Bioinsumos, oferecida pelo IF Goiano.

A combinação entre pesquisa, capacitação e transferência de tecnologia ajuda a formar uma rede de conhecimento capaz de atender diferentes realidades da agricultura goiana.

Investimento em ciência com resultados

O reconhecimento internacional também evidencia os resultados de uma política de investimento em ciência, tecnologia e inovação desenvolvida pelo Governo de Goiás, por meio da Fapeg.

Desde 2019, a Fundação tem ampliado o apoio a projetos estratégicos, com foco na aplicação do conhecimento científico para enfrentar desafios econômicos, sociais e ambientais.

Entre as iniciativas estão dez centros de excelência apoiados em sua estruturação inicial, concebidos para reunir pesquisadores, instituições de ensino, empresas e poder público em torno de áreas estratégicas para o desenvolvimento do estado.

O modelo busca criar condições para que essas estruturas ampliem sua capacidade de atuação, estabeleçam novas parcerias e captem recursos de outras instituições públicas e privadas, reduzindo gradualmente a dependência do financiamento inicial.

No caso do Cebio, os investimentos já se traduzem em pesquisas aplicadas, formação de profissionais e tecnologias voltadas às necessidades do setor produtivo.

Ao selecionar a experiência goiana, a FAO dá visibilidade internacional a uma iniciativa que demonstra como a articulação entre investimento público, conhecimento científico e produção rural pode abrir caminhos para uma agricultura mais eficiente, inclusiva e sustentável.

Fonte: FAPEG (Por: Ascom Fapeg)

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