| Em 02/04/2025

Projeto avança em iniciativas para proteger e preservar tartarugas no Maranhão

(Foto: Divulgação/ Projeto Queamar)

O Maranhão, com sua vasta zona costeira e rica biodiversidade, é importante berço para iniciativas de conservação ambiental. Neste cenário, o Projeto Queamar – Ecologia e Conservação de Quelônios Aquáticos, coordenado pela professora Larissa Barreto, da Universidade Federal do Maranhão (UFMA), vem se destacando por importantes descobertas científicas e ações concretas para proteção das tartarugas marinhas e de água doce. O projeto avança, com o firme apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa e ao Desenvolvimento Científico e Tecnológico do Maranhão (FAPEMA), sendo peça chave para melhor compreensão da ecologia destas espécies e na formação de pesquisadores nesta área.

O projeto é desenvolvido no Departamento de Oceanografia e Limnologia da UFMA, e sua atuação envolve diversas frentes de pesquisa, voltadas para a ecologia e a conservação dos quelônios, na zona costeira maranhense. Entre as áreas monitoradas estão: a Ilha do Curupu, Lençóis Maranhenses e Paulino Neves, regiões de grande importância para o ciclo de vida dessas tartarugas. Um estudo relevante para entender a Biologia dos quelônios aquáticos no estado. Larissa Barreto explica que o foco do projeto contempla ações de monitoramento de encalhes das tartarugas marinhas e a promoção de estudos ecológicos aprofundados sobre as espécies de água doce.

Nos casos de encalhes, as tartarugas, muitas vezes, estão em estado crítico de saúde, devido a fatores como redes de pesca e outros impactos humanos. Quando possível, elas são encaminhadas para o centro de reabilitação da UFMA, onde recebem tratamento e, se recuperadas, são reintroduzidas ao seu ambiente natural. Este trabalho no monitoramento dos encalhes é importante para entender as causas de morte e os impactos diretos sobre as populações de tartarugas marinhas. Redes de pesca, especialmente as de arrasto, são responsáveis por grande parte dos ferimentos encontrados, como fraturas no crânio, além do impacto do plástico no estômago desses animais.

Além disso, o projeto realiza acompanhamento das populações de tartarugas de água doce, mensurando a estabilidade dessas populações e observando possíveis declínios ou aumento do tamanho populacional. A pesquisa ecológica também foca no estudo da taxa de crescimento, diferenças nas capturas entre machos e fêmeas, e a maturidade sexual dessas espécies.

(Foto: Divulgação/ Projeto Queamar)

“O Projeto Queamar é um exemplo notável de como a pesquisa científica, aliada ao apoio de instituições como a FAPEMA, pode promover mudanças significativas na conservação ambiental. As descobertas e os esforços para proteger as tartarugas no Maranhão são necessárias para garantir a sobrevivência dessas espécies e a preservação do equilíbrio ecológico. Com a continuidade do apoio e o fortalecimento das ações de reabilitação e este projeto é promissor por sua missão de seguir como referência em pesquisa e conservação destas espécies, em nosso estado”, frisou o presidente da FAPEMA, Nordman Wall.

A pesquisadora também ressalta a instituição, pelo seu empenho no apoio aos cientistas maranhenses. “A FAPEMA é o nosso maior apoiador, sem ela não teríamos conseguido os dados para embasarmos nosso estudo e avançarmos em conhecimento na ecologia e conservação. A cada edital Universal, conseguimos novas oportunidades para submeter os nossos estudos, sempre com o objetivo de entender e conservar as espécies de tartarugas no Maranhão. Um apoio que perpassa o financiamento direto, pois, também tivemos acesso a suporte de empresas especializadas, como na área de geofísica, que nos permitiram realizar importantes estudos sísmicos, complementando os dados já coletados ao longo de mais de 15 anos de trabalho”, comemora Larissa Barreto.

O projeto registrou caso inédito de hibridismo entre as espécies de tartarugas Oliva e Midas, além de uma contribuição decisiva para a identificação genética da espécie Trachemys adiutrix, uma tartaruga endêmica do Maranhão, anteriormente não confirmada pela ciência. Estes dados são fundamentais para a conservação das espécies, pois indicam a necessidade de ações específicas para sua proteção. Por meio da proposta, também realiza necropsias nas tartarugas encontradas mortas, o que permite identificar as causas de morte e compreender melhor os impactos ambientais. Os principais fatores de mortalidade são a pesca predatória, o lixo plástico e a asfixia, além das feridas causadas por redes de arrasto.

A pesquisadora ressalta que a ecologia é uma ciência que exige dados a longo prazo. “Precisamos observar as.dinamicas populacionais das espécies ao longo de vários anos para entender as flutuações na abundância ano a ano. Portanto, este trabalho de monitoramento e conservação é indispensável, pois as tartarugas são animais longevos e suas populações exigem um acompanhamento constante e de longo prazo, para que seja possível observar mudanças e impactos ao longo dos anos”, observa Larissa Barreto.

Ações futuras do Queamar incluem o fortalecimento dos centros de reabilitação, que se tornaram mais essenciais à medida que mais tartarugas são encontradas em condições críticas. A equipe do projeto pretende ainda, ampliar a inclusão de novos veterinários na pesquisa, com o objetivo de atender à crescente demanda de tratamento das tartarugas.

Fonte: FAPEMA (Por: Sandra Viana/ Ascom Fapema)

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