| Em 19/08/2020

Projeto Alfa Crux, apoiado pela FAPDF, começa a desenvolver estação de solo que vai fazer rastreamento e controle do nanossatélite

O Projeto Alfa Crux avança mais uma etapa e está na fase de aquisição de componentes de solo. A expectativa é que a estrutura e operacionalização da estação de solo para rastreamento e controle do nanossatélite esteja pronta até o início de 2021.

O projeto do Sistema Alfa Crux, apoiado pela SECTI/FAPDF e desenvolvido em parceria pela UnB e a AEB, será a primeira missão espacial financiada pelo Governo do Distrito Federal (GDF). O projeto propõe um sistema de comunicação com desdobramentos práticos e de pesquisa para a sociedade civil e militar, com geração de informação, aprimoramento de agricultura de precisão, segurança de dados, ampliação da conectividade, implemento da internet das coisas, entre outros avanços.

A missão Alfa Crux condiz com tendência mundial da indústria espacial de construção e desenvolvimento de satélites de pequeno porte e, ainda, proporciona que os envolvidos adquiram conhecimentos em tecnologias aeroespaciais. O projeto conta com o apoio da Agência Espacial Brasileira (AEB), autarquia vinculada ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovações (MCTI), e da Secretaria de Ciência, Tecnologia e Inovação (SECTI-DF) por meio da Fundação de Apoio à Pesquisa do Distrito Federal (FAPDF).

O coordenador de Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação da AEB, Rodrigo Leonardi, ressaltou que o cenário de CubSats no Brasil está cada vez mais diversificado. “Hoje existem vários projetos e missões de satélites de pequeno porte ocorrendo em diferentes organizações brasileiras, como universidades, institutos de pesquisa, startups e indústria. A AEB apoia iniciativas como essas, pois são importantes na formação de competências para o setor espacial e com grande potencial de oferecer soluções de qualidade para usuários nacionais”, afirmou.

Renato Alves Borges – Coordenador do Alfa Crux trabalhando no circuito de simulador de campo magnético terrestre no laboratório da UnB.(Foto: Divulgação)

De acordo com o coordenador do Alfa Crux e professor da UnB, Renato Alves Borges, a missão do Alfa Crux foi motivada pelas necessidades de comunicação em banda estreita e pelas necessidades nacionais que são apontadas em documentos estratégicos, como o Programa Nacional de Atividades Espaciais (PNAE), que estabelece diretrizes e ações do Programa Espacial Brasileiro e o Programa Estratégico de Sistemas Espaciais (PESE), para atender às necessidades estratégicas das Forças Armadas e da sociedade brasileira.

Ao falar da importância do projeto, Renato Borges destacou que o Alfa Crux contribui com o fortalecimento e trajetória do Brasil no seguimento de satélites de pequeno porte, além de intensificar a atuação do País no setor espacial. “Esses projetos quebram grandes paradigmas, conseguem executar missões que antes eram desempenhadas por satélites de grande porte e ainda contribuem com a capacitação de profissionais, que no futuro serão os cientistas e pesquisadores responsáveis pela área espacial”, destacou.

A equipe do Projeto Alfa Crux é formada por 14 integrantes, seis professores e oito estudantes dos cursos de Engenharia da UnB. O Projeto Alfa Crux também recebe o apoio da coordenadora do Serpens-1, nanossatélite do Programa “Sistema Espacial para Realização de Pesquisa e Experimentos com Nanossatélites”, Chantal Capeletti.

Após a operacionalização da estação de solo, o coordenador do projeto prevê o desenvolvimento de tecnologias de controle de altitude de pequenos satélites por atuação magnética, ou seja, estudar, implementar e validar, no simulador de pequenos satélites desenvolvido no Laboratório de Simulação e Controle de Sistemas Aeroespaciais da UnB, algoritmos de determinação e controle de altitude, assim como aquisição e testes de hardware. A expectativa é que o lançamento do nanossatélite seja realizado no final de 2021.

O lançamento será em órbita baixa, possivelmente órbita heliossíncrona com altitude de 500 km, sendo equipado com dispositivos eletrônicos para comunicação na banda UHF, controle e gerenciamento de dados, e sistema de potência.

Desde a idealização do projeto foram produzidos seis artigos científicos, além de uma defesa de mestrado de um membro da equipe, e diversas ações de divulgação, como mesas redondas. A análise da missão Alfa Crux já obteve divulgação nacional e internacional em reuniões e organizações científicas, proporcionando a iteração do grupo com diversos setores da sociedade e academia.

Acordo de cooperação técnica

No dia 13 de agosto de 2019, foi assinado o memorando de entendimento entre UnB, SECTI/FAPDF e AEB que estabelece a cooperação técnica e desenvolvimento do projeto Alfa Crux.  O memorando de entendimento foi assinado pelo presidente da AEB, Carlos Moura; pela reitora da UnB, Márcia Abrahão e pelo então presidente da FAPDF, Alexandre André dos Santos.

 

Fonte: FAPDF

 

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