| Em 30/10/2018

Possíveis mutações de gene relacionado ao Câncer de Mama são avaliadas em estudo genético

O câncer de mama é o segundo tipo de câncer mais frequente entre as mulheres no Brasil, segundo o Instituto Nacional de Câncer (Inca). A estimativa para 2018 aponta mais de 59 mil novos casos da doença no país.

No Amazonas, de janeiro a julho de 2018, foram diagnosticados 86 novos casos da doença e 59 óbitos pela Fundação Centro de Controle de Oncologia do Estado do Amazonas (FCecon). Já em 2017, foram 131 casos de mulheres com câncer de mama e 109 óbitos.

Foi com base nesses dados estatísticos que o pesquisador doutor em Genética, Cleiton Rezende, da Universidade do Estado do Amazonas (UEA), desenvolve um estudo científico de rastreio de mutação no gene BRCA1 em pacientes com câncer de mama no Amazonas.

O estudo conta com o apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Amazonas (Fapeam) por meio do Programa de Apoio à Pesquisa – Universal, que apoia atividades de pesquisas científicas e de inovação, em todas as áreas de conhecimento, que representem contribuição significativa para o desenvolvimento do Estado do Amazonas.

Segundo o pesquisador, o BRCA1 é um dos principais genes descobertos envolvidos com o surgimento câncer de mama.  Ele explica que todo mundo possui o gene, mas os pacientes que têm câncer de mama apresentam uma espécie de mutação ou “defeito” nesse gene.

Rezende explica que embora menos que 10% de todos os casos de câncer de mama manifestem características hereditárias, estima-se que até 80% dos casos hereditários são relacionados a mutações no gene BRCA1.

“O gene BCRA 1 está relacionado  ao câncer de mama. Todo mundo tem esse gene, ele é um supressor do tumor, pois mantém a estabilidade celular. Ele é representado por uma sequência de letrinhas, a pessoa que contém um gene com mutação é como se tivesse uma palavra escrita na forma errada, por exemplo, uma palavra onde a grafia correta fosse com Ç esteja escrita com SS. A célula irá interpretar de forma errada e poderá alterar sua função causando um câncer. Nas pessoas que  desenvolvem o câncer, esta sequência gênica estará com alguma deformação, mas qual será o tipo dessa mutação? É isso que estamos tentando descobrir”, explica Fantin.

Outro ponto do estudo é identificar se essas mutações têm relação com o perfil da genética da população local, uma vez que no caso do Amazonas existe uma grande parte da população de ascendência diferenciada.

“Uma das hipóteses do estudo é verificar se essa mutação genética estará relacionada à população local diferenciada etnicamente, pois a maioria vem de descendência indígena. Queremos saber se esses genes irão apresentar o mesmo perfil genético das mutações já descritas para outras pessoas que moram em outras regiões do Brasil”, disse.

Metodologia
Cleiton disse que para estudo, atualmente, conta  com 50 pacientes na FCecon, onde é feita a coleta de sangue para fazer o estudo de DNA, no laboratório de Genética Humana da UEA.

No momento, a pesquisa está no processo de análise do material. “Fazer pesquisa com genética e biologia molecular tem toda uma técnica e é um processo longo. Nós viemos com essa proposta de dar início a essas pesquisas com o câncer de mama no Amazonas. A primeira etapa do projeto é a de adaptação e padronização das técnicas e já teremos resultados preliminares dos 10 primeiros pacientes até março de 2019, e baseando-se nesses resultados é que vamos ter uma ideia de como proceder e continuar a expandir a pesquisa”, conta.

Conforme o pesquisador, com os resultados da pesquisa, o teste genético poderá mostrar se a sequencia estiver alterada. Isso ajudará, por exemplo, uma paciente que nunca realizou um exame a buscar pelos exames já disponíveis e realizar a prevenção.

Fonte: Departamento de Difusão do Conhecimento (Decon)/ Fapeam.

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