| Em 10/05/2018

Pesquisadores do Amazonas lançam obra sobre planejamento de sistemas trilhas

Diversos destinos turísticos pelo mundo oferecem trilhas em diferentes ambientes, desde montanhas, inclusive nevadas, até densas florestas, como é o caso da Amazônica. Porém, quem participa dessas atividades, muitas vezes, não sabe que, por trás de tudo isso, se tem um planejamento complexo, fundamentado em teorias científicas e na análise do ambiente natural e social, para tornar aquele passeio uma experiência diferenciada.

Foi pensando em oferecer uma publicação que pudesse servir de embasamento para pesquisadores, operadores e condutores que foi produzido o livro Planejamento de Sistemas de Trilhas: uma pegada social, cultural e ambiental. A obra, cujos autores são os estudiosos da área Ronisley Martins e Francisco Girão será lançada no próximo dia 12 de maio, às 10h, no Palacete Provincial (praça Heliodoro Balbi, s/n?, Centro).

Martins conta que sempre atuou com pesquisas científicas voltadas aos sistemas de trilhas.  A primeira delas foi, de 2002, tendo sido desenvolvida com o apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Amazonas (Fapeam) no assentamento agrário Tarumã-Mirim.  “Foi quando tive o primeiro contato com o assunto, mas tive dificuldade devido ao pouco material disponível. Depois da Graduação, surgiu a vontade de escrever conteúdo científico que desse embasamento ao planejamento de trilhas e após 2009, começamos a elaborar esse livro com base em várias experiências”, ressaltou.

A obra conta com dois eixos temáticos e dez capítulos. O primeiro compreende uma abordagem teórica, com a apresentação de metodologias de estudo de maneira a permitir uma análise ampla de todos os elementos envolvidos, incluindo vegetação, solo, água e principalmente, a população.  O segundo eixo é fundamentado na apresentação de técnicas e ferramentas necessárias ao planejamento e execução de trilhas sustentáveis.

O conteúdo do livro aponta para o ordenamento de uma trilha planejada, contendo sinalizações, classificação do grau de dificuldade e definição quanto ao público que se quer alcançar.  Segundo Ronisley Martins, uma trilha interpretativa, por exemplo, deve ser de curta distância (de 500m a 1km),  ocorrer em áreas planas e é direcionada a crianças e pessoas da melhor idade. “Se for um público mais aventureiro, é preciso estender a trilha e ampliar o grau de dificuldade de acordo com o ambiente”, disse. “Assim, o organizador de trilha tem de analisar a paisagem e planejar conforme o público que pretende alcançar”, completou.

Um dos capítulos de maior destaque é o relacionado às orientações de Segurança. O autor esclarece que há riscos eminentes ao se fazer uma caminhada ou até antes, para os próprios organizadores, portanto, é preciso minimizá-los.  Neste trecho, são detalhadas ainda informações com base na norma NBR 15505/02, da Associação Brasileira de Normas Técnicas, que visa orientar sobre o uso de equipamentos, com base no grau de dificuldade das trilhas.  Se for de longo percurso, requer muito mais acessórios, entre os quais, mochila, kits de sobrevivência e de primeiros socorros, bota cano longo, calça, camisa de manga longa, vestimenta para trocas, além de alimentação rica em glicose, fibra e bastante água. Importante destacar que é de responsabilidade do condutor a orientação antecipada para que os participantes usufruam do serviço já com equipamentos e materiais necessários.

Em relação às trilhas na Amazônia, ele destaca que é preciso conhecer os geoambientes da floresta.  Conforme o pesquisador, existem diversos tipos de florestas dentro da Amazônia e isso, precisa ser levado em consideração, no momento do planejamento, esses diversos ambientes, como mata de terra firme, campina, floresta de baixio e floresta de igapó, uma vez que contribui para enriquecer muito mais a caminhada, aumentando o que se chama de  “elementos de interpretação da paisagem”, essenciais no momento da abordagem.

“Este é o diferencial da floresta amazônica: diversos ambientes e elementos que são usados nas técnicas de interpretação ambiental. Para isso. o condutor precisa conhecer a floresta e ter contato com a geoambientação”, frisou Martins, o qual cita ainda o exemplo de trilhas culturais, que, além da ambientação, agrega outros elementos com o fim de agregar valores à caminhada e à paisagem no geral.

Na visão do autor, é necessário aos planejadores fazer o inventário de todos os elementos da paisagem, tanto naturais como culturais. Em relação aos condutores, é fundamental fazer o reconhecimento antecipado para poder medir o grau de dificuldade, além de ter noção de técnicas de condução de grupo. “Quando uma trilha é planejada e classificada, tem logo no início sinalização com o mapa, percursos, paradas, tempo de percurso, grau de dificuldade e dos equipamentos necessários”, alertou Martins.

Fonte: Departamento de Difusão do Conhecimento- Decon da Fapeam.

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