Uma delegação de pesquisadores australianos está no Brasil com a missão de trocar experiências e firmar parcerias com instituições de pesquisa brasileiras para o desenvolvimento conjunto de tecnologias que combatam doenças tropicais como as transmitidas pelo Aedes Aegypti. Na agenda, de 18 a 20 de abril, estão encontros e workshops com cientistas do Instituto Butantan. Antes disso, os cientistas estiveram com seus pares da Universidade de Brasília (UNB) e da Fundação de Medicina Tropical Doutor Heitor Vieira, na capital federal, e da Universidade Federal do Rio de Janeiro e da Fiocruz, no Rio.
A ideia dos encontros é colocar frente a frente pesquisadores interessados em realizar ações colaborativas em suas respectivas áreas de conhecimento e, com isso, aumentar a interação entre as duas maiores economias localizadas nos trópicos. “Ambos os países possuem expertise no desenvolvimento de pesquisas para combater as doenças tropicais ou negligenciadas. Embora exista sinergia entre os dois países, o número de colaborações ainda é pequeno, se comparado às existentes entre instituições dos EUA e Europa, por exemplo. Por isso o desejo de colaborar mais entre regiões Sul-Sul”, afirma o cônsul geral da Austrália no Brasil, KymFullgrabe.
Apesar de todos os esforços das instituições de pesquisas brasileiras para desenvolver vacinas, prevenir e tratar doenças tropicais, o setor de saúde ainda requer muito investimento em inovação nos próximos anos para combater a dengue, a chikungunya, a zika, a malária e a hepatite. A iniciativa é uma oportunidade para conhecer novas terapias e inovações que vêm dando certo no Brasil e na Austrália. “No norte da Austrália, também temos problema com a dengue, ainda que em menor escala.”
Dessa identificação já surgiram iniciativas como o Eliminate Dengue, que também é realizado no Brasil por meio da Fiocruz, com apoio do Ministério da Saúde. O projeto conta ainda com a participação da Colômbia, Indonésia e Vietnam e utiliza um método que consiste em infectar o mosquito Aedes Aegypti com uma bactéria chamada Wolbachia, que faz com que o mosquito não possa transmitir a doença. Na Austrália, o Eliminate Dengue conseguiu diminuir consideravelmente o número de casos de dengue, que teve seu recorde histórico em 2009 no País, com mais de 1000 casos.
Além da pesquisa e desenvolvimento de toxinas, vacinas e remédios para controle de mosquitos, os cientistas vão tratar também de tecnologias relacionadas à malária e ao veneno de animais peçonhentos.
Agenda
- 13 e 14 de Abril – Universidade de Brasília: Na noite de 13 de abril, o embaixador da Austrália, John Richardson, recebe a delegação australiana e pesquisadores da Universidade de Brasília. No dia 14, das 9h às 16h, na Universidade de Brasília, será realizado workshop com cientistas australianos, cientistas da UNB e da Fundação de Medicina Tropical Doutor Heitor Vieira para discutir parcerias entre instituições brasileiras e australianas nas áreas de doenças infecciosas e venenos. Local: Núcleo de Medicina Tropical da Universidade de Brasília – Campus Universitário Darcy Ribeiro – Asa Norte, Brasília –DF.
- 15 de Abril – Universidade Federal do Rio de Janeiro: Nesta data, das 9h às 16h30, acontece workshop em conjunto com a Fiocruz. Durante o evento, a delegação australiana apresenta projetos de colaboração específicos que podem ser compartilhados. Local: Universidade Federal do Rio de Janeiro, Avenida Pedro Calmon, 550 – Cidade Universitária, Rio de Janeiro – RJ
- De 18 a 20 de Abril – Instituto Butantan– São Paulo: Haverá um workshop com participação de cientistas brasileiros e australianos. Os pesquisadores que se interessarem pelas ações de colaboração poderão falar diretamente com os cientistas do Instituto Butantan. Local: Instituto Butantan, Avenida Vital Brazil, 1500, São Paulo – SP – Datas e horários: 18/04 – das 8h às 17h30; 19/04, das 8h45 às 19h30 e 20/04, das 8h às 17h.
Sobre a Austrade
A Austrade é a agência de promoção de comércio e investimento do governo australiano. Por meio de uma rede global de escritórios, auxilia as empresas australianas a expandirem seus negócios internacionais, atrai investimentos diretos estrangeiros produtivos para a Austrália e promove o setor educacional da Austrália internacionalmente. Site: www.austrade.gov.au/Local-
Fonte: Natália Fontão – AtitudeCom