A pesquisadora brasileira Erika Cecon, da equipe “Functional Pharmacology and Pathophysiology of Membrane Receptors”, no Instituto Cochin (Paris, França), recebeu o prêmio da Fundação Philippe Chatrier, destinado a jovens pesquisadores que que estudam a doença de Alzheimer.
O projeto de Cecon estudou o papel dos receptores de membrana na doença de Alzheimer, doença neurodegenerativa caracterizada pela presença de placas senis formadas por agregados do peptídeo beta-amiloide. Este peptídeo é o responsável pela morte neuronal e a perda de memória observada nos pacientes, mas os mecanismos de ação pelos quais o peptídeo atua ainda são pouco conhecidos. A pesquisadora premiada se dedica a avaliar o envolvimento de receptores hormonais nos efeitos do peptídeo beta-amiloide.
O projeto foi iniciado ainda durante sua tese de doutorado, realizada no Instituto de Biociências da USP, em São Paulo, sob orientação da professora Regina P. Markus, conselheira da SBPC, que mostrou que o peptídeo beta-amiloide afeta a função dos receptores de melatonina, hormônio que regula o ciclo de sono/vigília e que tem papel protetor sobre as células neuronais.
Seus estudos atuais buscam ainda verificar se a presença de mutações genéticas nos receptores de melatonina representa um fator de risco à doença de Alzheimer, bem como se outros receptores hormonais são afetados pelo peptídeo beta-amiloide. A compreensão destes mecanismos é essencial para o desenvolvimento de futuros medicamentos para tratar pacientes com a doença.
A premiação ocorreu no último dia 20 de janeiro de 2016, em Paris, durante a Cerimônia de Entrega de Prêmios Medicais da “Fondation de France”.
Links: Institut Cochin | Fondation de France