| Em 18/02/2017

Pesquisador estuda atuação humana e impacto no habitat de larvas de peixes

Um projeto de pesquisa desenvolvido pelo doutor em Biologia de Água Doce e Pesca Interior, Rosseval Galdino Leite, está estudando as larvas de siluriformes bentônicos – espécie de peixe que vive no fundo dos rios de água doce – com a finalidade subsidiar a criação de políticas de proteção a essas espécies que, por conseguinte, trarão benefícios à população que se alimenta desses peixes.

O estudo é desenvolvido no âmbito do Programa de Apoio à Pesquisa Universal Amazonas, da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Amazonas (Fapeam), em parceria com o Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa) e está há dois anos em andamento, com previsão para término em Julho de 2017.

De acordo com Rosseval, havia muitos estudos relacionados aos peixes da ordem dos characiformes, que são os peixes com escama como, por exemplo, o jaraqui, o curimatã, o matrinxã, o tambaqui e a sardinha, porém, não havia estudos com peixes da ordem dos siluriformes, que são os peixes lisos como os tamuatás, a dourada e a piramutaba, por exemplo. Foi daí que partiu a ideia de se estudar essas espécies, começando pela fase de larva, concentrando nos peixes de quatro milímetros a dois centímetros.

“Essa fase é que vai determinar os futuros estoques de peixes em determinado ambiente. Nosso projeto está realizando pesquisas desde Manacapuru até Manaus, que é a área do Rio Solimões, acima do Encontro das Águas. Esse estudo é importante, pois busca saber onde essa espécie de peixe se desenvolve, qual a fonte de energia que ela está utilizando para se manter e como ela se distribui no fundo do rio”, disse o pesquisador.

A pesquisa observa os peixes nos quatro períodos hidrológicos: fase da seca, enchente, cheia e vazante, verificando as estratégias desses seres aquáticos para sobrevivência, como a alimentação, a forma como ele se alimenta para aproveitar melhor o que tem à disposição dele, e a época do ano em que a espécie de reproduz, segundo as alternativas oferecidas pela própria natureza.

Segundo Galdino, um questionamento que é sempre feito pela população pesqueira é sobre o período de defeso. Ele explica que toda medida de proteção tem um embasamento científico, um estudo feito em torno daquela medida para que ela seja realizada, então quando se determina a proibição da pesca no período da enchente, por exemplo, é porque naquela época do ano o peixe está se reproduzindo e por isso a pesca é proibida, pois é preciso manter a espécie, ou seja, preservá-la na natureza.

“Tudo tem uma observação científica e é através dessas observações que nós vamos determinar, por exemplo, o tamanho mínimo permitido para captura de cada espécie, pois o peixe precisa ficar adulto para se reproduzir, então não se pode capturá-lo antes. Você proíbe agora, para se beneficiar lá na frente”, afirmou Rosseval.

Outro aspecto que Galdino exemplificou foi sobre o transporte de petróleo de Urucu para Manaus. Segundo ele, o rio está habituado a ter a correnteza para uma determinada direção, mas a passagem de grandes embarcações gera uma maior erosão da margem do rio, o que vai trazer consequências para as espécies de peixes que moram ali, isto é, uma reação em cadeia.

Benefícios

De acordo com Rosseval, às vezes o resultado de uma pesquisa não é imediato, mas em longo prazo. Ele destaca sobre o consumo do tambaqui e afirma que há muito tempo foi realizado um estudo para a criação dessas espécies em cativeiro e, por isso, hoje é possível consumi-la com um preço mais em conta.

O pesquisador ressalta, ainda, sobre a reserva Mamirauá, criada para proteger o pirarucu da extinção, pois uma pesquisa realizada há alguns anos mostrou que a população de pirarucu estava acabando e que algo precisava ser feito.

“Então, tudo que nós geramos nas pesquisas tem a finalidade de trazer benefícios para a população. Por exemplo, esse nosso trabalho procura saber se os peixes no fundo do rio comem os insetos da vegetação que estão sendo levados para o canal do rio, se você acaba a vegetação, então acaba a fonte de alimento para esses peixes”, ressaltou Rosseval.

Segundo ele, se você joga veneno numa plantação, esse veneno acaba indo para o rio, impedindo o crescimento do fitoplâncton, que alimenta o zooplâncton que por sua vez gera alimento para os peixes pequenos e alguns grandes que, na cadeia alimentar, vão servir para alimentar os seres humanos, por isso a importância da pesquisa científica na verificação de todos esses aspectos.

Fonte: Agência FAPEAM

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