| Em 05/10/2021

Pesquisador do Amazonas ganha Prêmio Capes de Tese 2021 com pesquisa sobre serpentes amazônicas

Estudo analisou características genéticas comuns e distintivas entre diferentes espécies, e influência de variáveis ambientais sobre elas (Foto: Érico Xavier/Fapeam)

Um estudo, apoiado pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Amazonas (Fapeam), desenvolvido pelo pesquisador, Patrik Viana, do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa), está entre os melhores trabalhos de conclusão de doutorado do país. A pesquisa venceu o Prêmio Capes de Tese 2021, na área de Ciências Biológicas I, ao analisar que diferentes espécies de serpentes da região amazônica possuem em comum e distinto em sua genética e de que forma as variáveis ambientais podem influenciar na vida delas.

O trabalho denominado ‘Evolução cromossômica em serpentes Neotropicais: uma abordagem comparativa’ buscou ainda entender como a distribuição das serpentes pode contar sobre a sua diversificação nos diferentes ambientes da Amazônia. Dentre as espécies analisadas no estudo estão algumas serpentes da família Boidae, grupo formado pelas jiboias, sucuris, suaçubóias, jiboias arco-íris, jiboias esmeraldas. “É muito representativo, porque fui a primeira pessoa da minha família a fazer mestrado e doutorado”, disse Patrik.

Segundo o pesquisador, para a maioria das pessoas, as serpentes sempre foram vistas como animais perigosos, a serem evitados. Para ele, esta é uma questão cultural e comum, mas pertinente. “Ao longo desses anos de pesquisa tive a oportunidade de viajar pela Amazônia, conhecer diferentes culturas e pessoas, onde sempre tentei levar um pouco do meu conhecimento científico para esses locais, trabalhando questões de educação ambiental, assim como para desmistificar esses animais, e demonstrar que todo animal tem seu papel, toda vida importa, até mesmo de uma serpente. Perceber que as pessoas agora enxergam esses bichos com outros olhos, sem dúvidas é muito gratificante”, acrescentou.

Sobre o apoio da Fapeam, Patrik destaca que veio de uma escola pública e a Fapeam o acompanha ao longo da sua jornada acadêmica e científica, desde a graduação com bolsa de iniciação científica, assim como no mestrado e no doutorado. “Acredito que deve ser algo muito representativo para a Fapeam também ter contribuído com a formação de um cidadão amazonense, agraciado com um dos prêmios científicos e acadêmicos mais importantes do país, mostrando que também somos capazes de fazer pesquisa de qualidade”, enalteceu.

Pesquisa

(Fotos: Érico Xavier/Fapeam)

Patrik Viana explica que a evolução cromossômica é o estudo dos cromossomos (DNA) das espécies, a partir de uma ótica temporal, na qual se olha para o passado, presente e futuro, para entender como eram as prováveis configurações cromossômicas ancestrais, ou seja, estimar como possivelmente eram os cromossomos das espécies do passado e como chegaram às configurações/formas que existem atualmente, e para além disso, inferir como provavelmente as espécies atuais seriam e se comportariam em cenários futuros.

“Com o estudo foi possível entender melhor como ocorreu à diversificação dos diferentes números de cromossomos das espécies de Jibóias (os 36, 40 e 44), além de verificar que espécies bem diferentes, como por exemplo, uma Jibóia e uma Jararaca, mesmo sendo tão diferentes possuem tanto em comum e que várias partes de seu genoma, suas informações genéticas, foram mantidas ao longo dos milhares de anos, ou seja, são diferentes peças nos contando a história evolutiva desse grupo de escamados tão interessantes”, finalizou o pesquisador.

A pesquisa foi desenvolvida no Inpa com o apoio das seguintes instituições:  Centro Amazônico de Herpetologia (CAH), Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), University Hospital Jena na Alemanha, e o Institute for Applied Ecology da University of Canberra IAE/UC na Austrália.

 

Fonte: FAPEAM  (Por Esterffany Martins, da Assessoria de Comunicação da Fapeam)

 

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