| Em 27/04/2016

Pesquisador do Aedes Aegypti foi o primeiro homenageado pelo Prêmio Fundação Bunge

Criado em 1955 como primeira realização da Fundação Bunge, o Prêmio Fundação Bunge sempre teve como missão incentivar a inovação, a disseminação do conhecimento, reconhecer os profissionais que contribuem para o desenvolvimento da cultura e das ciências no Brasil e estimular novos talentos. E em sua primeira edição, o escolhido para a honraria foi o médico e pesquisador Ângelo Moreira da Costa Lima (1887-1965).

A trajetória profissional de Ângelo começou quando ele tinha apenas 17 anos e decidiu entrar para a faculdade de Medicina. Com 19, iniciou carreira na equipe do sanitarista Osvaldo Cruz, após ter ingressado num concurso para auxiliar acadêmico do Serviço de Profilaxia da Febre Amarela, em que foi classificado em primeiro lugar. Este foi o ponto de partida para aquele que se tornaria o maior entomologista (estudioso dos insetos sob todos os seus aspectos e relações com o homem, as plantas, os animais e o meio ambiente) do Brasil e um dos maiores do mundo.

Em 1910, conclui o curso superior em Medicina, pedindo demissão do cargo de Auxiliar Acadêmico do Serviço de Profilaxia da Febre Amarela, para fazer parte da Comissão organizada por Osvaldo Cruz para combate à Febre Amarela no Pará, quando foi escolhido para dirigir o serviço de combate à doença nas cidades de Santarém e Óbidos. Nestas cidades teve a oportunidade de fazer uma série de observações sobre a biologia dos mosquitos, especialmente do Aedes Aegypti, que hoje desafia o mundo como transmissor da Dengue, Zika e Chikungunya.

Costa Lima pesquisou também parasitas que afetam a cultura agrícola, como a broca-do-café, as pragas da laranja e a lagarta-rosada dos algodoais nordestinos. Um dos fundadores da Academia Brasileira de Ciências, atuou em diversas instituições do país ligadas às ciências agrárias e sanitárias. Tornou-se membro honorário de instituições nacionais e internacionais e recebeu da Escola Nacional de Agronomia o título de doutor honoris causa.

Neste ano, o Prêmio tem as áreas de Ciências Agrárias e de Ciências Exatas e Tecnológicas como foco de sua premiação. Serão contemplados profissionais com trabalhos relacionados aos temas “Nutrição e Alimentação Animal” e “Infraestrutura de transportes”, respectivamente.

As indicações ao Prêmio poderão ser realizadas até 30 de maio pelas principais universidades e entidades científicas brasileiras. A partir das indicações, Comissões Técnicas, compostas por especialistas nacionais e internacionais em cada área de premiação, escolhem os homenageados na categoria Juventude e selecionam aqueles cujos trabalhos devem ser observados na categoria Vida e Obra. A decisão cabe ao Grande Júri, formado por reitores, representantes de entidades científicas e culturais, além de ministros de Estado.

O resultado será divulgado em 22 de julho, logo após a reunião do Grande Júri, realizada no Tribunal de Justiça de São Paulo. Serão quatro contemplados no total: dois profissionais na categoria Vida e Obra, e dois em Juventude (até 35 anos). Os contemplados de cada área recebem R$ 150 mil e R$ 60 mil, respectivamente, além de medalhas e diplomas em cerimônia realizada no Palácio dos Bandeirantes, em São Paulo.

Também como atividade do Prêmio, a Fundação Bunge, em parceria com a Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP), promove Seminários abertos ao público e à comunidade científica para discutir os temas de premiação do ano.

 

 

CDN Comunicação

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