| Em 09/04/2019

Pesquisa que analisou modelo de fábricas chinesas instaladas em Manaus recebe menção honrosa em Prêmio Capes

Investigar o estilo gerencial das fábricas chinesas instaladas em Manaus foi objetivo da pesquisa desenvolvida, com apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Amazonas (Fapeam), pelo amazonense, Cleiton Ferreira Maciel Brito. O estudo realizado durante seu curso de doutorado na Universidade Federal de São Carlos (UFSCAR), em São Paulo, recebeu Menção Honrosa no Prêmio Capes de Tese 2018, na área de Sociologia, pela Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes).

A tese intitulada “Made in China/produzido no polo industrial da Zona Franca de Manaus: o trabalho nas fábricas chinesas” publicada em revistas acadêmicas, buscou compreender a forma da organização do trabalho e o tipo de gestão implantado em quatro fábricas chinesas instaladas na Zona Franca de Manaus (ZFM).

Segundo o pesquisador, o estudou mostrou como as fábricas chinesas vêm operando na região e a mudança da ZFM com a chegada da China. “Tentei investigar como a ZFM se comporta nesse contexto de ascensão da China. Pode se compreender que ela não é mais a Zona Franca de anos atrás. Um exemplo bem nítido é que boa parte dos celulares, que antes tinha produção local, hoje com o barateamento dos componentes da China, as empresas começaram a importar, ou seja, atualmente, 90% são importados, as máquinas vão montando os celulares com todas as peças importadas”, explicou.

O estudo também constatou que os chineses trabalham com formas organizacionais peculiares. “As empresas chinesas têm organização de trabalho baseada em uma gestão mais técnica e menos participativa. Os chineses chamam essa política de no feelings. Nesse sentido, no lugar de uma política de produção de colaboradores, que vinha sendo realizado nas fábricas sob influência da gestão japonesa, os chineses introduziram a produção de operadores. Ao invés da produção de “colaboradores”, as companhias chinesas vêm desenvolvendo a “produção de operadores”. Eles não incentivam conversas, diálogos, o famoso  “almoço” com o chefe, funcionário do mês, premiações, somente são realizadas sob iniciativa dos brasileiros, porque os chineses não adotam esse tipo de política na empresa”, detalhou.

Conforme Brito, outro ponto observado é que existe interesse do país na própria Amazônia e no que ela pode oferecer como incentivo à expansão asiática na região. “As conversas com gestores chineses e com diretores da ZFM revelaram que as fábricas se instalam na região, mas desembarca também toda uma burocracia chinesa que vem prospectar oportunidades de investimentos na área mineral, madeireira, na piscicultura, na esfera naval e até mesmo no agronegócio no Sul da região amazônica. O que quero dizer é que as fábricas são uma forma também de se adentrar na Amazônia e colocá-la como objeto útil na rota econômica e geopolítica da China,” relata.

Competitividade
Brito ressalta que a influência que a China tem, pode impactar nas outras fábricas. Devido à concorrência, de algum modo as outras fábricas podem adotar o modelo chinês, assim como adotaram em outros tempos  o modelo japonês. “O peso que os chineses começam a ter no mundo pode fazer com que sua política de salários e benefícios se torne nova régua para o mercado de trabalho local. Não que eles estejam distantes do que fazem outras empresas, mas umplayer do tamanho da China, em processo de competição, faz com que outras empresas tenham de seguir certas padronizações de preço, de salários para poderem competir,” afirma.

Apoio
O estudo contou com apoio da Fapeam, por meio do programa RH-Doutorado-Fluxo Contínuo, edital N°005/2012. A tese foi defendida sob a orientação do professor doutor, Jacob Carlos Lima, do Programa de Pós Graduação em Sociologia da UFSCAR.

“Foi uma alegria e ao mesmo tempo uma recompensa. O reconhecimento por meio da Capes nos encheu de orgulho. Eu falo “nos encheu” porque a pesquisa é um trabalho coletivo. A transformação do pensamento em análise somente tem sucesso em função de instituições, ambiente e pessoas que concorrem para isso”, disse.

Criado em 2005, o Prêmio CAPES de Tese é oferecido anualmente às melhores teses de doutorado de cada uma das 49 áreas do conhecimento. Os critérios de premiação devem considerar a originalidade do trabalho, sua relevância para o desenvolvimento científico, tecnológico, cultural, social e de inovação, o valor agregado pelo sistema educacional ao candidato.

Oportunidades
O programa RH-Doutorado foi substituído pelo Programa de Bolsas de Pós-Graduação em Instituições fora do Estado do Amazonas (PROPG-Capes/Fapeam), que concede bolsas de doutorado a profissionais interessados em realizar curso de pós-graduação stricto sensu, em cursos recomendados pela Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes) em outros Estados da Federação.

O PROPG/Capes/Fapeam está com edital aberto e recebe propostas até o dia 13 de maio. Outras informações sobre o programa acesse o portal Fapeam.

Fonte: Departamento de Comunicação e Difusão do Conhecimento – Decon Fapeam.

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