
O mês de outubro é marcado mundialmente pelo movimento Outubro Rosa, uma campanha essencial para a conscientização sobre a prevenção e o diagnóstico precoce do câncer de mama. Sendo o tipo de tumor mais frequente entre as mulheres no Brasil (atrás apenas do câncer de pele não melanoma), a estimativa do Instituto Nacional de Câncer (INCA) aponta para milhares de novos diagnósticos anualmente. No entanto, com o avanço tecnológico e da medicina oncológica, viver após o diagnóstico e sobreviver ao câncer é uma realidade cada vez mais frequente.
Com o financiamento da Fundação Araucária, por meio do Programa Pesquisa para o SUS (PPSUS), um projeto inovador aprovado no último edital busca responder ao grande desafio da saúde pública atual: garantir a qualidade de vida dessas mulheres durante e após tratamentos severos, como a quimioterapia e a radioterapia, utilizando a Oncologia Integrativa.
O diretor de Ciência, Tecnologia e Inovação da Fundação Araucária, Luiz Márcio Spinosa, reforçou a relevância estratégica desse tipo de aporte na saúde pública. “O investimento em ciência dentro da rede pública de saúde é o que permite transformar a realidade do atendimento à população. Quando financiamos projetos no âmbito do PPSUS, estamos assegurando que a inovação e o conhecimento acadêmico gerem soluções práticas e eficientes diretamente no SUS, aprimorando as políticas públicas e garantindo um cuidado cada vez mais qualificado e humanizado para os paranaenses”.
Auriculoterapia e Aromaterapia contra a Fadiga
Intitulado “Oncologia Integrativa: efeito da auriculoterapia a laser e aromaterapia na fadiga, qualidade do sono e qualidade de vida de pacientes com câncer de mama – ensaio clínico randomizado”, o estudo avalia os impactos de Práticas Integrativas e Complementares (PICS). O objetivo é mensurar a redução da fadiga crônica e a melhora na qualidade do sono de mulheres em tratamento oncológico convencional.
A pesquisa caminha lado a lado com as diretrizes da ReCANCER — uma rede de pesquisa nacional dedicada à produção de conhecimentos científicos para melhorar o bem-estar de pessoas com câncer e sobreviventes. A meta principal do projeto é a criação de protocolos assistenciais seguros, qualificando a atuação de enfermeiros dentro do Sistema Único de Saúde (SUS).
“O investimento da Fundação Araucária, por meio do PPSUS, é o que viabiliza esta pesquisa. Ele nos permite aproximar a ciência de ponta da realidade dos hospitais, transformando o conhecimento acadêmico em protocolos reais de enfermagem que impactam diretamente a vida das pacientes no SUS do Paraná. Sem esse incentivo, seria impossível fortalecer a produção de conhecimento voltada às reais prioridades de saúde da nossa população”, enfatizou a coordenadora do projeto e professora da Universidade Federal do Paraná, Luciana Kalinke.
O cuidado não termina quando o tratamento acaba
A conexão entre a bancada científica e o leito do paciente é fortalecida por profissionais que vivenciam a rotina oncológica de perto. É o caso de Leonel dos Santos Silva, enfermeiro que atua na coordenação do ambulatório de hematologia e oncologia do Hospital de Clínicas da Universidade Federal do Paraná (UFPR).
Sua motivação para integrar a ReCANCER começou ainda no mestrado e doutorado, participando de debates sobre estratégias para suprir necessidades de cuidados não atendidas em doenças hemato-oncológicas. Com o avanço das terapias, Leonel destaca que o número de sobreviventes cresce continuamente, o que exige uma reflexão profunda sobre as dificuldades persistentes pós-diagnóstico, incluindo o retorno ao trabalho, relacionamentos e atividades diárias.
Para o enfermeiro, a assistência atual foca intensamente no período do tratamento, mas as demandas de seguimento continuam invisíveis e precisam ser mapeadas.”Este projeto é fundamental porque ataca justamente as dores que costumam ficar ‘invisíveis’ no tratamento convencional. A fadiga severa e a insônia minam a dignidade e a autonomia da mulher. Ao validar cientificamente a auriculoterapia a laser e a aromaterapia, damos ferramentas seguras e baseadas em evidências para o enfermeiro cuidar da pessoa de forma verdadeiramente integral, aliviando os efeitos colaterais sem interferir nas terapias médicas obrigatórias.”
Ao unir a campanha do Outubro Rosa à seriedade da pesquisa científica financiada pela Fundação Araucária, o Paraná consolida uma abordagem oncológica integrativa e humanizada, provando que tratar o câncer envolve acolher e reabilitar a vida em sua totalidade.
Fonte: Fundação Araucária (Por: Ascom F.A.)
