| Em 25/05/2022

Pesquisa em Mato Grosso estuda efeitos de compostos no tratamento da malária severa

Fêmea do Mosquito-Prego, vetor da malária (Foto por: Pixnio)

O Governo de Mato Grosso, por meio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Mato Grosso (Fapemat), fomenta uma pesquisa em busca de novos medicamentos para combater o quadro de malária severa. O projeto, desenvolvido pela Dra. Wânia Rezende Lima, da área de Citologia e Biologia Molecular da Universidade Federal de Rondonópolis (UFR), analisou os efeitos do fármaco mesilato de nefamostato (FUT-175) e cilostazol como antimaláricos nos tecidos cerebrais, pulmonares e renais, na malária cerebral severa.

A malária é atualmente endêmica em vários países, onde a permanência do parasita é garantida pela presença do mosquito transmissor Anopheles. A distribuição geográfica das áreas onde ocorre transmissão da doença coincide com as regiões de menor desenvolvimento socioeconômico, em que a população tem acesso limitado a serviços de saúde e recursos para prevenção, diagnóstico e tratamento.

O Relatório Mundial sobre Malária, da Organização Mundial de Saúde (OMS), estima que 241 milhões de pessoas foram diagnosticadas em 2020 e, aproximadamente, 627 mil perderam a suas vidas devido à doença. Já a Agência de Saúde Global (Unitaid) afirma que 70% dessas [são] crianças com menos de 5 anos.

No Brasil, as áreas de risco também apresentam o mesmo perfil socioeconômico, sendo que 60% do território brasileiro são favoráveis à transmissão da malária. A grande maioria dos casos no país ocorre na Amazônia Legal, a qual inclui parte do território mato-grossense.

Nesta região, a doença é causada principalmente por Plasmodium vivax e Plasmodium falciparum.  O município de Colniza-MT aparece como uma dessas principais zonas endêmicas, onde novos casos de malária são frequentemente registrados pela Secretaria Municipal de Saúde.

Resultados preliminares da pesquisa desenvolvida em Mato Grosso mostraram que o cilostazol tem potencial efeito protetor contra insuficiência respiratória e contra a lesão renal aguda, auxiliando na prevenção de complicações da malária cerebral.

Apesar das concentrações testadas de cilostazol (0,1mg, 3 mg e 6 mg/Kg/dia) não mostrarem efeito protetor na mortalidade causada por Plasmodium berghei ANKA, reduziu o número de hemácias parasitadas. No pulmão, o cilostazol atenuou o espessamento do septo alveolar e no rim diminuiu o alargamento do espaço da cápsula de Bowman, bem como reduziu os níveis de creatinina no plasma causada pela injúria renal.

Fisiopatologia da Malária (Créditos: CDC/Prevention)

Segundo a Dra. Wânia Rezende, “cientificamente estes ensaios pré-clínicos mostram que o FUT-175 pode auxiliar potencialmente no tratamento da malária severa causada pelo Plasmodium, pois este medicamento reduz a quantidade de parasitas nas hemácias, aumenta a proteção da barreira hemato encefálica, diminui o extravasamento no tecido cerebral, reduzindo, dessa forma, a isquemia e micro hemorragia no cérebro”.

O fármaco FUT-175 age diminuindo a quantidade de células inflamatórias e os níveis de citocinas inflamatórias sistêmicano tecido cerebral e, consequentemente, os danos no tecido nervoso são reduzidos. Este conjunto de resultados preliminares mostra que o FUT-175 é um forte candidato ao reposicionamento no tratamento de malária severa, pois tem um impacto clínico a um custo menor do que o desenvolvimento de novos fármacos.

 

Fonte: FAPEMAT (por Widson Ovando | Fapemat)

 

SIGA O CONFAP NAS REDES SOCIAIS:  

    

Leia também

Em 02/11/2026

CONFAP e pesquisas apoiadas pelas FAPs são destaque no programa Conexão, do Canal Futura

A participação do Conselho Nacional das Fundações Estaduais de Amparo à Pesquisa (CONFAP) e de pesquisadores com projetos apoiados pelas Fundações Estaduais de Amparo à Pesquisa (FAPs) foi destaque na edição de sexta-feira, 30 de outubro, do programa Conexão, do Canal Futura. Com o tema “Ciência em todo lugar”, o episódio apresentou iniciativas científicas e […]

Em 02/11/2026

Com apoio da Fapt, pesquisa investiga se protocolos internacionais de agrotóxicos protegem espécies brasileiras

O primeiro Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia (INCT) sediado no Tocantins, o INCT em Ecotoxicologia Terrestre (INCT TerrEcotox), apoiado pelo Governo do Tocantins, por meio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Tocantins (Fapt), desenvolve pesquisas para verificar se os protocolos internacionais de agrotóxicos são capazes de proteger espécies brasileiras que vivem no solo […]

Em 30/10/2026

Idosos mais ativos têm volume cerebral preservado em áreas de memória e raciocínio, mostra estudo

Idosos que praticam mais atividade física têm maior volume cerebral, especialmente em áreas ligadas à memória, cognição e raciocínio, conclui revisão sistemática publicada no Journal of Aging and Physical Activity. Ao reunir dados de quase 2.700 pessoas com 60 anos ou mais, o estudo mostra uma associação consistente entre níveis mais elevados de movimento no […]

Em 28/10/2026

Roupas inteligentes: Inovação na costura transforma tecidos em solução para a incontinência urinária

A tecnologia nem sempre está em circuitos, sensores ou dispositivos eletrônicos. Ela também pode surgir de uma nova maneira de fazer algo que já conhecemos. Na costura, a escolha dos materiais e as técnicas de confecção podem transformar uma peça de vestuário em uma solução para necessidades específicas do cotidiano. Foi uma situação vivida dentro […]