| Em 29/03/2019

Pesquisa classifica mais de 400 rios e igarapés para conservação de áreas úmidas na Amazônia

Foto: Érico Xavier.

A Organização das Nações Unidas (ONU) decretou 22 de março o Dia Mundial da Água, por meio da resolução de 47/193 em 1992. Segundo o site ONU Brasil, existe uma crise causada pela crescente demanda de recursos hídricos para atender às necessidades agrícolas e comerciais da humanidade, bem como a crescente necessidade de saneamento básico.

No Amazonas, pesquisa científica desenvolvida com apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Amazonas (Fapeam), avaliou a classificação química da água em mais de 400 rios e igarapés, incluindo os principais rios da região amazônica sendo eles: rio Juruá, Jutaí, Tefé, Tapajós, Uatumã e Jaú, dentre outros. A pesquisa teve a finalidade de subsidiar novos estudos para práticas de conservação e manejo dos recursos hídricos em áreas úmidas da Amazônia (AUs).

Coordenado pelo doutor em Clima e Ambiente, Eduardo Antonio Rios Villamizar, a pesquisa é desenvolvida pelo grupo de Ecologia, Monitoramento e Uso Sustentável de Áreas Úmidas Amazônicas (Maua? Codam), do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa).

Segundo o pesquisador, o estudo foi feito com base na classificação de águas pretas do Rio Negro, águas brancas Rio Solimões e águas claras do Rio Tapajós. A pesquisa utilizou a literatura já existente e vem acrescentando novos levantamentos para refinar a caracterização de águas da Amazônia.

Conforme Villamizar, a pesquisa é continuidade do trabalho desenvolvido no doutorado, no qual foram coletadas informações da água dos rios da Amazônia para reavaliar a classificação dos rios em termo da qualidade química da água. “Quando falamos águas pretas aqui na região destacamos o rio Negro, águas brancas o Solimões e rio Amazonas, e águas claras o Tapajós. Busquei trabalhar em cima dessa classificação tentando detalhar um pouco mais esse tipo de água, em vista que, hoje em dia, temos muitas informações químicas dos rios de muitos igarapés.” disse.

Segundo o pesquisador, a contribuição para a sociedade acontece por meio do monitoramento de ambientes de áreas úmidas dentre os menos estudados do bioma Amazônico (igapó e savanas em áreas interfluviais), no intuito de fornecer para a comunidade científica e sociedade civil dados para auxiliar na elaboração de diretrizes que garantam a sua proteção e uso sustentável. “As áreas úmidas são as várzeas, igapós, campinas, campinaranas, dentre outras. Nestas áreas o nível da água flutua ao longo do ano, alguns locais são alagados temporariamente e outros completamente e o tipo de água determina também o tipo de área úmida,” explicou.

Resultados
O pesquisador afirma que os resultados foram às descobertas de mais três categorias de água juntando com as categorias já existentes na literatura sendo elas  as águas brancas, pretas e claras. “Além das três categorias já existentes, sugeri mais duas categorias intermediárias e uma categoria de água salobres, quando se fala de águas brancas, pretas e claras se refere mais a grandes rios, águas pretas Rio Negro, águas brancas rio Solimões, águas claras rio Tapajós que são os rios de grande porte, mas quando começamos a ver os pequenos rios e igarapés eles não se encaixam nessas categorias clássicas, aí que entra a importância das categorias intermediárias,” disse.

Villamizar explica que as três categorias propostas ficaram classificadas em intermediárias tipo A e tipo B, e águas salobres. “ A tipo A é um subtipo das águas claras, a B é para as águas que estão entre brancas e pretas, e a categoria das águas salobres, que é para água com alta condutividade elétrica (alto conteúdo de íons ou eletrólitos na água). A gente manteve as três categorias já existentes e juntamos com as da pesquisa no total 6 categorias. Com esse resultado podemos ter um detalhamento bem mais amplo da classificação das águas amazônicas, pois essas novas categorias de água serão importantes para o manejo e conservação tantos dos rios quanto das áreas úmidas.” contou.

Fixam
A pesquisa foi concluída em 2017 no âmbito do Programa de Apoio à Fixação de Doutores no Amazonas (Fixam/AM) da Fapeam, que tem a finalidade de estimular a fixação de recursos humanos com experiência em ciência, tecnologia e inovação e/ou reconhecida competência profissional em instituições de ensino superior e pesquisa, institutos de pesquisa, empresas públicas de pesquisa e desenvolvimento, empresas privadas e microempresas que atuem em investigação científica ou tecnológica.

Fonte: Departamento de Comunicação e Difusão do Conhecimento – Decon Fapeam (texto: Esterffany Martins e Jessie Silva).

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