| Em 26/06/2018

Pesquisa apoiada pela Fapemig analisa a avaliação da Rede de Atenção aos Usuários de Drogas do SUS e desenvolve metodologia para o tratamento da dependência química

Apesar de ser um problema social na atualidade e da produção científica relevante, o consumo de álcool e outras drogas ainda é um desafio com relação aos tratamentos efetivos para a atenção aos usuários. Por esse motivo, pesquisadores da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF), coordenados pelo professor Telmo Ronzani, desenvolveram uma pesquisa que analisou a Avaliação da Rede de Atenção aos Usuários de Drogas no Sistema Único de Saúde (SUS), para avaliar os padrões e propor melhorias no atendimento nas redes de tratamento operacionalizadas pelo SUS.  “Focamos principalmente na gestão e organização dos serviços públicos, em especial na organização da rede de atenção aos usuários de álcool e outras drogas. ”, explica Ronzani.

O estudo contou com significativo apoio da Fapemig e focou na avaliação do fluxo da rede pública, ou seja, como cada serviço se organiza e comunica entre si; no levantamento das necessidades de cuidados dentro dessa rede e como é a percepção do trabalho entre vários setores como a saúde, assistência social e educação, por exemplo.

De acordo com o pesquisador, os resultados alcançados demonstram que ainda há um grande desafio para a organização dessa rede, seja pela cobertura, o acesso e uma excessiva centralização de encaminhamentos aos serviços especializados (especificamente para os Centros de Atenção Psicossocial Álcool e Drogas CAPS ad). “Como consequência e como outro resultado de nossa pesquisa, demonstramos uma oferta incipiente de serviços e uma dificuldade de ações para os serviços não especializados.”, pontua. 

Também foi observada uma dificuldade de comunicação e ação conjunta entre os diversos setores, em função de diferenças de percepção sobre o problema, diferentes racionalidades e dificuldade de implementar ações conjuntas, importantes para um problema tão complexo como o consumo de álcool e outras drogas. “A partir de nossos resultados, desenvolvemos metodologias de avaliação de rede e de necessidades de serviços que podem servir como instrumento de gestão a fim de avaliar as necessidades de oferta, articulação e melhoria da qualidade dos serviços do SUS. Além de uma reorganização e maior capacitação das pessoas e dispositivos que compõem essa rede para que, independente de onde o usuário se insira, ele seja recebido com as melhores competências técnicas e seja acolhido de forma digna e resolutiva”, finaliza.

O paradoxo como solução
Essa não é a primeira pesquisa sobre o tema apoiada pela Fapemig: recentemente, pesquisadores do departamento de Química e Medicina da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) desenvolveram uma substância capaz de induzir o corpo a produzir um anticorpo contra a cocaína. O estudo, coordenado pelo professor de psiquiatria da UFMG, Frederico Duarte Garcia, buscou tratar o vício com a própria molécula da droga. “Os anticorpos produzidos se ligam à molécula de cocaína na corrente sanguínea e impedem a passagem pela barreira hematoencefálica”, explica.

Em outras palavras, a substância bloqueia a entrada da droga no cérebro, impedindo, assim, o seu efeito. Sem a sensação da droga, o ciclo do vício pode ser quebrado. A medida visa a ser empregada juntamente com outros meios terapêuticos, impedindo a recaída. De acordo com Garcia, já foi possível sintetizar e caracterizar algumas novas moléculas. Além disso, já houve o teste em animais, realizado com segurança. O pesquisador afirma que o próximo passo é o estudo de Fase I em humanos. “Se tudo der certo, acreditamos que até meados de 2018 já começaremos a pesquisa em humanos”, pontua.

Fonte: Comunicação Fapemig.

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