| Em 18/01/2018

Pesquisa analisa se é necessário complementar o exame de mamografia com a ultrassonografia em mulheres assintomáticas com mama densa

Mamografia Outubro Rosa

(Foto: Anna Tarazevich/Pexels)

Uma pesquisa científica desenvolvida na Fundação Centro de Controle de Oncologia do Estado do Amazonas (FCecon) está analisando se o exame de mamografia realizado em uma mama, predominantemente, densa pode mascarar ou ocultar lesões importantes e avaliando se existe a necessidade de complementação diagnóstica com ultrassonografia em mamas, nesses casos.

A mama densa é a quantidade aumentada de tecido fibroglandular em relação ao tecido gorduroso no parênquima mamário, composto de lóbulos, ductos gordura e tecido fibroso. Conforme a pessoa envelhece acontece a liposubstituição dos tecidos.

O Instituto Nacional de Câncer (Inca) recomenda a mamografia de rastreamento de prevenção para as mulheres entre 50 e 69 anos, sendo apenas um exame a cada dois anos. O problema, segundo a graduanda em Medicina Ana Carolina Ramos, que cursa o 6º ano na Universidade do Estado do Amazonas (UEA), é que a mama densa, por ser totalmente de tecido fibroglandular, faz com que o exame da mamografia apareça na cor branca e as alterações das neoplasias, que são os nódulos e outras lesões que podem ser neoplasias, também aparecem da mesma forma no exame.

“Se a pessoa tem a mama predominantemente densa e faz a mamografia para rastrear se tem alguma neoplasia, pode ser possível que algumas dessas lesões sejam mascaradas pela mama densa. É nisso que o projeto se centra. É um estudo para saber a prevalência da mama densa no Estado do Amazonas, a prevalência das lesões neoplásicas em mulheres com mama densa à mamografia e a importância da complementação da ultrassonografia a isso”, disse a estudante.

A pesquisa é realizada com o apoio do Governo do Amazonas, por meio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Amazonas (Fapeam), via o Programa de Apoio a Iniciação Científica (Paic). O programa visa disseminar o conhecimento científico por meio do envolvimento das instituições, pesquisadores e estudantes de graduação em todo o processo de investigação, proporcionando principalmente aos alunos a experiência prática e o desenvolvimento de habilidades em pesquisas.

Segundo Ana Carolina, o Ministério da Saúde preconiza que faça a complementação com a ultrassonografia apenas se a pessoa for sintomática, ou seja, se tiver lesões palpáveis.  Para a estudante, a pesquisa vem questionar se não estamos perdendo uma parcela de mulheres que não são sintomáticas e que fazem apenas o exame da mamografia e não é detectada nenhuma lesão.

“Como a incidência do câncer de mama no Amazonas só perde para o câncer do colo de útero, o projeto vem questionar exatamente isso. Será que apenas em mulheres sintomáticas precisamos fazer a ultrassonografia?  Ou será que não perdemos uma quantidade de pessoas que não têm lesões palpáveis, que poderiam ser descobertas as lesões com a ultrassonografia, apresentando a mama densa a mamografia”, contou.

No momento, a pesquisa está coletando os dados de mulheres atendidas na FCecon que fazem mamografia com densidade mamaria elevada, mulheres assintomáticas,  com lesões sintomáticas e mulheres maiores de 18 anos. Até o momento a pesquisa já conta 25 pacientes, mas o número deverá ser maior até o mês de março deste ano.

 

Fonte: Departamento de Difusão do Conhecimento (Decon)/ Fapeam.

 

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