| Em 11/04/2019

Pesquisa analisa como se desenvolvem crianças com alergia à proteína do leite de vaca

(Foto: divulgação)

Verificar a alimentação complementar e reações adversas em crianças de zero a seis meses de idade com alergia ao leite de vaca (ALV). Estes são os objetivos de uma pesquisa que recebe o apoio do Governo do Estado, por intermédio do Programa de Pesquisa para o Sistema Único de Saúde (PPSUS), lançado em 2018, pela Fundação de Apoio à Pesquisa e à Inovação Tecnológica do Estado de Sergipe (Fapitec).

Trata-se de um estudo longitudinal e observacional, onde serão incluídos dois grupos de crianças: (a) aquelas com diagnóstico de alergia ao leite de vaca e (b) crianças sem ALV (denominadas controle). A ALV é definida como reação adversa reprodutível a uma ou mais proteínas do leite de vaca.

Segundo a pesquisadora responsável pela pesquisa, Anne Botelho, os lactentes com essa alergia acabam tendo um atraso na introdução da diversidade de alimentos em sua dieta, o que repercute em um maior tempo da criança nos serviços especializados de saúde, devido a dificuldades alimentares, como deficiência de nutrientes e baixo ganho de peso. “Isso acaba gerando aumento nos gastos públicos e menor disponibilidade de vagas para novos pacientes”, frisa.

A pesquisa encontra-se na fase inicial com coleta de dados clínicos e sociais. “Em seguida faremos a coleta de material biológico (urina, fezes, sangue). Em seis meses, as crianças que são integrantes desse estudo serão avaliadas em termos nutricionais”, frisa Anne Botelho. Posteriormente, quando os lactentes completarem um ano, ocorrerá uma nova coleta de material biológico. “Depois vem a tabulação dos dados, a análise estatística, e por fim a escrita dos artigos”, completa a pesquisadora.

Alimentação complementar

A alimentação complementar é o momento no qual outros alimentos líquidos são oferecidos além do leite materno, e quando o cérebro e o intestino do bebê ainda passam por processo de desenvolvimento e maturação. Esse período é também conhecido como uma janela crítica para processos de aprendizagem alimentar, prevenindo a doença alérgica.

Segundo o Ministério da Saúde, a idade da introdução alimentar complementar e a diversidade de alimentos oferecida até os 12 meses de idade, podem interferir em diversos aspectos da saúde infantil. Entre eles estão o crescimento físico, o estado nutricional de macro e micronutrientes, o neurodesenvolvimento, o comportamento alimentar e o risco de doenças agudas, como a diarréia, e crônicas, como a anemia. Crianças com alergia alimentar são suscetíveis a atrasos na introdução da diversidade de alimentos, especialmente entre aqueles com sintomas gastrointestinais.

Anne Botelho ressalta que o estudo busca entender como as crianças com a alergia à proteína do leite de vaca se desenvolve em termos nutricionais. De forma mais ampla, ela avalia não só o estado físico da criança, mas a forma como ela lida com alimentação e as dificuldades alimentares que ela pode ter por conta da doença. “É por isso que a gente tem um grupo controle, composto por crianças na mesma faixa etária sem a alergia à proteína do leite de vaca. Assim, faremos uma comparação do estado nutricional das crianças com alergia ao LDV, com as crianças que não tem alergia. Além disso, vamos observar quais são as dificuldades alimentares que essas crianças sem essa alergia apresentam”, explica.

Bolsistas

Além da pesquisadora, o projeto conta com a participação de bolsistas, alunas da graduação superior, que tem, através da participação na pesquisa, a oportunidade de vivenciar a prática profissional e colocar em prática ensinamentos teóricos aprendidos em sala de aula. Para a estudante do curso de Enfermagem da Universidade Tiradentes (Unit), Milena Letícia Santos Silva, a pesquisa veio suprir a necessidade de atividade prática na grade curricular do seu curso.

“Minha contribuição no projeto é na parte da coleta de dados, onde estamos fazendo avaliação da criança, verificando o peso, a altura e também aplicando questionários referente ao comportamento alimentar da criança. Participar da pesquisa está agregando muito, porque na grade curricular nós não temos muito essa parte prática, esse contato maior com o paciente”, explica.

Para Raissa Rosa dos Santos,aluna de Enfermagem da Universidade Federal de Sergipe(UFS), participar de pesquisas científicas é ter um diferencial no currículo. “Quando a gente entra em pesquisas desse nível, principalmente nessa que é muito abrangente e que acontece no Hospital Universitário (HU), isso acaba valorizando o currículo da gente, porque é de suma importância que tenhamos pesquisas e monitorias no currículo. Isso conta bastante porque não são todos os alunos que conseguem participar de pesquisas, então acaba sendo um diferencial”, aponta.

PPSUS

O programa PPSUS tem como objetivo geral apoiar financeiramente o desenvolvimento de pesquisas que visem contribuir para a resolução de problemas prioritários de saúde da população brasileira e para o fortalecimento da gestão do SUS. A Fapitec lançou de 2004 a 2018, cinco editais, com noventa e cinco projetos aprovados e R$ 3,6 milhões investidos. O programa é desenvolvido em parceria com o Ministério da Saúde (MS), o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), e a Secretaria de Estado da Saúde (SES).

 

Fonte: Comunicação Fapitec/SE.

 

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