| Em 04/05/2017

Pesquisa analisa a saúde das mulheres indígenas de MS

Como a sífilis atinge gestantes indígenas de MS? Quais ações podem ser desenvolvidas para a prevenção da sífilis congênita na população indígena? As perguntas são muito relevantes, mas infelizmente não existe uma resposta clara e atual sobre o tema. Por isso, o Grupo de Estudos e Pesquisas em Populações Indígenas (Geppi) irá desenvolver esse trabalho nos próximos anos.

Segundo informações da Secretaria de Vigilância em Saúde do Governo Federal, no Brasil, a taxa de detecção de sífilis em gestantes tem aumentado nos últimos dez anos, sendo registrados 7,4 casos para cada 1.000 nascidos vivos (NV) em 2013. A taxa de incidência de sífilis congênita no Mato Grosso do Sul no mesmo ano foi de 5,3 casos para cada 1.000 NV. Em 2016, o Estado apresentou a maior taxa de sífilis em gestantes do País, 16,7 casos. Essa taxa revela uma importante disseminação da sífilis entre as mulheres e evidencia o risco de transmissão vertical dessa infecção.

E esses dados podem ser ainda mais alarmantes. “Há importantes lacunas referentes à sífilis em gestantes e à sífilis congênita entre os povos indígenas, pela imprecisão dos dados nacionais, que repercutem na invisibilidade da infecção e aumentam o risco de epidemia”, explica Renata Palópoli Pícoli, coordenadora de uma pesquisa aprovada no último edital do PPSUS da Fundect.

O projeto “Epidemiologia da Sífilis na Gestação e da Sífilis Congênita entre os Povos Indígenas de Mato Grosso do Sul: Atenção à Gestante e ao Recém-Nascido” irá analisar os indicadores epidemiológicos e de atenção à saúde de gestantes com sífilis e de recém-nascidos com sífilis congênita na população indígena do Estado, identificando aspectos da atenção ao pré-natal, parto e puerpério e da assistência ao recém-nascido exposto.

“O estudo pretende ainda caracterizar os aspectos socioculturais relacionados à sexualidade, à gestação e às práticas de cuidado às mulheres indígenas com sífilis. Trata-se de um estudo epidemiológico, transversal, com componente retrospectivo e prospectivo, por meio de abordagem quanti-qualitativa, com dados secundários e primários”, afirma Renata.

A pesquisa é um esforço para contribuir com a produção de conhecimento científico e incentivar a elaboração de estratégias que diminuíam ocorrência de sífilis em gestantes e sífilis congênita entre os povos indígenas do Mato Grosso do Sul, como uma das prioridades das ações para a redução das iniquidades em saúde. A pesquisa está em consonância com as diretrizes preconizadas pelo Ministério da Saúde e se propõe a contribuir com subsídios para discussão de programas e políticas de saúde dos povos indígenas.

Diante da complexidade da situação da sífilis, aliada à situação de vulnerabilidade vivenciada pelos povos indígenas, destaca-se a relevância e a necessidade da pesquisa para produzir conhecimento sobre os indicadores epidemiológicos de gestantes com sífilis e da sífilis congênita entre os povos indígenas de Mato Grosso do Sul.

Aplicabilidade para o SUS
Os resultados encontrados a partir do desenvolvimento desse projeto pretendem identificar aspectos frágeis da atenção ao pré-natal e parto de mulheres indígenas com sífilis, que tiveram como complicação a transmissão vertical da doença, com o propósito de subsidiar o aprimoramento de serviços e ações de saúde, que atendam às necessidades e especificidades dos povos indígenas do Estado.

A instituição e o grupo de pesquisa
A Fiocruz de Mato Grosso do Sul tem como uma de suas áreas temáticas a saúde dos povos indígenas. Desde a sua implantação, em 2008, tem estabelecido parcerias com instituições de ensino, pesquisa e serviços de saúde para agregar e fomentar conhecimento científico que contribua para a melhoria nas condições de saúde dos povos indígenas da Região Centro-Oeste.

Há parceria com a Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS), Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul (UEMS) e Universidade Anhanguera-Uniderp. Os integrantes também estão vinculados aos Programas de Pós-Graduação: Mestrado Profissional em Saúde da Família (UFMS); Doutorado em Doenças Infecciosas e Parasitárias (PPGDIP – Faculdade de Medicina – UFMS); Doutorado em Saúde e Desenvolvimento da Região Centro-Oeste (Faculdade de Medicina – UFMS).

A pesquisa integra as ações do Grupo de Estudos e Pesquisas em Populações Indígenas (Geppi/UFMS), que contribui para a produção de conhecimento na linha de pesquisa “avaliação em saúde coletiva”, por meio de estudos que avaliem as políticas públicas, programas e serviços e ações de saúde desenvolvidos junto aos povos indígenas de Mato Grosso do Sul.

Sobre
Edital: Chamada Fundect/Decit-MS/CNPq/SES Nº 03/2016 – PPSUS-MS
Título do projeto: Epidemiologia da sífilis na gestação e da sífilis congênita entre os povos indígenas de Mato Grosso do Sul: atenção à gestante e ao recém-nascido
Coordenadora: Renata Palópoli Pícoli
Instituição: Fundação Oswaldo Cruz – Mato Grosso do Sul (Fiocruz MS)

Fonte: Fundect (texto: Bianca Iglesias com informações do projeto de pesquisa).

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